
Domada pelo cheik

         Penny Jordan


           Sofisticao e sensualidade em cenrios internacionais.
          Procura-se uma esposa no deserto que seja pura e inocente...
           O prncipe Drac'ar al Darim, sheik de Dhurahn, precisa encontrar uma noiva para o irmo. E Sadie Murray, uma bela mulher sem emprego e desamparada no
meio do deserto, seria a escolha perfeita.
           Mas Drax precisa se certificar de que Sadie  to pura quanto aparenta. Enquanto a tem sob seu poder, ela dever obedecer a suas ordens para que ele possa
se certificar de que  realmente digna de ser esposa de um sheik. E ele est decidido a aproveitar todas as oportunidades para test-la...
         Ele caminhava muito determinado em sua direo, com um brilho nos olhos que lhe dizia claramente o que ele faria.
         - Bem... - sussurrou em voz rouca ao tom-la nos braos. - Voc ainda no respondeu.
         - No sei - sussurrou. No conseguia parar de fit-lo, mesmo sabendo que ele poderia ler em seus olhos o quanto o amava. Ele ia beij-la...
         - Drax - comeou, mas sabia que, no fundo, queria que sua recusa fosse ignorada...
        Querida leitora,
         Sadie Murray estava em grandes apuros. Desempregada e sozinha em um pas desrtico, ela no tinha outra opo: precisava aceitar a proposta de emprego de
Drac'ar "Drax" ai Karim, sheik de Dhurahn. No entanto, o que ela no sabia era que o "emprego" inclua um casamento com o irmo e co-regente de Drax, Vere. Sadie
 testada a cada oportunidade, para garantir que  uma esposa adequada para a realeza, mas no contava com a atrao mtua entre ela e Drax, que pode vir a abalar
a famlia real...
        Equipe Editorial Harlequin Books
        PRLOGO
         - ENTO, as negociaes correram bem?
         Drax franziu as sobrancelhas escuras e arrogantes acima de um igualmente arrogante nariz aquilino. Embora o irmo o tivesse recebido afetuosamente ao voltar
ao pequeno emirado rabe que governavam juntos, Drax sentiu que o gmeo mais velho, Vere, lhe escondia algo.
         - As conversaes em Londres transcorreram muito bem - confirmou.
         Ele e Vere governavam Dhurahn h quase uma dcada, tendo assumido o poder ao completarem 25 anos, aps a morte dos pais num acidente de carro durante uma
visita de Estado.
         Apesar de prximos, nunca conversaram sobre o horror daquele perodo - ou sobre a perda do forte, enrgico e autoritrio pai ou da linda me irlandesa.
Nunca fora necessrio. Como gmeos, instintivamente compreendiam os sentimentos do outro. Fisicamente idnticos em termos de personalidade algumas vezes parecia
a Drax serem metades de uma laranja - compartilhavam basicamente as mesmas intenes e compreenso; entretanto, manifestavam o desejo de seguir a vida de formas
distintas.
         Drax fora do aeroporto direto para a sala de audincias privada do irmo, sem mesmo mudar a roupa.
         Vere vestia-se de forma tradicional: uma tnica azul-escura bordada de dourado sobre a dishdasha branca, a cabea coberta. Drax usava um terno azul-marinho,
o palet aberto sobre a camisa branca e uma discreta gravata gren.
         Embora a maneira de trajar-se no pudesse ser mais diferente, isso se tornava insignificante diante do impacto da idntica e magnfica aparncia fsica.
         Ambos altos, ombros largos, os mesmos olhos esverdeados que brilhavam com ferocidade e o mesmo perfil predatrio e distinto. O sangue berber, misturado
com o francs e depois com o irlands, tinha lhes garantido uma aura de poder e sexualidade que suplantava a boa aparncia, considerada talvez severa e perigosa
num homem, mas quando em dobro possua uma fora ao mesmo tempo irritante e atraente.
         - Ambos sabemos que nosso pas no  o nico do Oriente Mdio interessado em estabelecer-se no apenas como um dos grandes centros financeiros do mundo,
mas como aquele com mais probabilidades de ser reconhecido pelos grandes centros financeiros do mundo. Entretanto, com base nas discusses mantidas em Londres, tive
a impresso de sermos os favoritos. Como combinado, deixei claro que estamos dispostos a ceder um enclave de 100 acres de terra para a construo dos prdios necessrios
ao crescimento de uma "economia reconhecida" e a favorecer o uso da lei mercantil inglesa devido a seus princpios de retido e justia. Tambm falei de nossa inteno
de desenvolver um mercado financeiro compatvel com os de Nova York, Hong Kong e Londres, com um sistema confivel para investidores e a comunidade de negcios.
Mas chega de falarmos sobre o que fiz em Londres. Voc est preocupado.
         Vere levantou uma das sobrancelhas reconhecendo a astcia do irmo.
         - Sim - admitiu. - Temos um problema. Drax fitou-o, com ar interrogativo.
         - E qual  o problema?
         - Enquanto estava em Londres, tanto o monarca de Zuran quanto o emir de Khulua me procuraram.
         No havia nada de especial em ser contatado pelos vizinhos mais prximos, com os quais mantinham um timo relacionamento. Dhurahn no possua tantas reservas
de petrleo e receitas quanto os vizinhos, mas seu comprido rio tornava a terra rica e frtil, e se tornara a "rea verde" que fornecia a Zuran, em particular, produtos
frescos para a indstria de turismo crescente. Longe iam os dias em que as tribos lutavam acuradamente nas areias do deserto; agora o povo de Dhurahn vivia em paz
com os pases vizinhos, compartilhando a mtua prosperidade. Entretanto, certos mtodos tribais de garantir a paz ainda subsistiam.
         - Tanto o monarca quanto o emir... o vento do deserto espalha as notcias, esto a par dos nossos planos - disse Vere ao irmo. - No disseram nada, mas
 bvio o motivo pelo qual ambos mostram-se to ansiosos em fortalecer o bom relacionamento entre ns.
         - Isso  o que voc est me dizendo; mas o que exatamente no est me dizendo? - perguntou Drax, constatando que o irmo escondia algo. - Para nos mantermos
em bons termos com nossos vizinhos, nos propem algum negcio, certo?
         - O que o monarca e o emir esto ansiosos por discutir conosco ... nossos casamentos.
         - Nossos casamentos? - Drax voltou a franzir as sobrancelhas. Tinham 34 anos. Um dia,  claro, casariam, escolhendo as esposas cuidadosamente, visando o
futuro do pas, mas ainda no chegara a hora. No momento, tinham outras prioridades, como estabelecer Dhurahn como o mais importante centro financeiro da regio.
         - Nossos casamentos - repetiu Vere, zangado.
         - O seu com a filha mais velha do emir e o meu com a irm mais nova do monarca.
         Os irmos se entreolharam.
         - Os casamentos fortaleceriam no s nossos laos com os dois pases, mas tambm o potencial envolvimento deles com Dhurahn - mencionou Drax.
         - Embora tenhamos bom relacionamento com ambos, eles divergem entre si quanto a alguns assuntos. O emir nunca aprovou a deciso do monarca de expandir o
envolvimento de Zuran com a indstria de turismo. Atualmente, contrabalanamos o poder entre eles, e o nosso , sob vrios aspectos, mais forte.
         - E o emir, embora no admita, inveja nosso sucesso financeiro e est louco para se equiparar. Caso concordemos com a sugesto e tomemos como esposas membros
de suas famlias, ambos usaro os laos do casamento para nos exigir fidelidade e apoio, com o objetivo de controlar o poder em nossas mos. No podemos deixar isso
acontecer. Alm de tudo, isso poderia, teoricamente, significar que um dia a lealdade entre ns e Dhurahn poderia entrar em conflito com a lealdade exigida de ns
por nossa esposa e famlia.
         - E se no concordarmos, nos arriscamos a ofender ambos. Podem sentir-se humilhados e no nos convm entrar em conflito, pois isso poderia atrapalhar nossos
planos de estabelecer Dhurahn como capital financeira da regio.
         - Sim.
         Raivoso, Drax andava de um lado a outro.
         - No podemos permitir sermos manipulados desse jeito.
         - Nenhum de ns quer ficar preso, por meio do casamento, a nenhum de nossos vizinhos - concordou Vere. - Dhurahn deve ser dona de seu prprio futuro e 
nosso dever garantir que isso acontea.
         - Mas, como disse, se nos recusarmos corremos o risco de ofender dois homens muito poderosos - argumentou Drax com rapidez. - A no ser,  claro, que digamos
j sermos comprometidos com outras pessoas. Dessa forma, parariam de nos pressionar e no se sentiriam humilhados.
         - E quando descobrirem que no vamos casar?
         - E eles precisam descobrir? - perguntou Drax. Vere agitava-se, mas Drax mantinha a calma. - Tanto o monarca quanto o emir sabem que nossa famlia e nosso
povo, por tradio, s tm uma esposa. No , com certeza, uma tarefa impossvel encontrar mulheres... o tipo certo de mulheres, com quem pudssemos casar, e a...
         - O tipo certo?
         - Voc entendeu. - Deu de ombros. - O tipo descartvel... moralmente decente, para ser aceitvel, e ingnua o suficiente para concordar em divorciar com
o mnimo de confuso e dinheiro.
         - Ah, esse tipo - disse Vere, cnico. - Uma virgem ingnua pronta a se apaixonar por um sheik e ser grata por ele casar com ela e aceitar divorciar e ser
posta de lado sem exigir um centavo. Elas ainda existem? Acho que no - comentou, seco. - Certamente se voc conseguisse encontrar uma noiva dessas, eu me casaria
sem pensar duas vezes. Mas ambos sabemos que o tipo de mulher que concordaria com um casamento temporrio com certeza no  a doce virgem de que nosso povo gostaria.
A realidade  que seria uma aventureira, que nos extorquiria uma fortuna para aceitar o casamento temporrio e depois tentaria vender a histria  imprensa. E esse
tipo de mdia teria um efeito desastroso em nossa imagem de homens ntegros aos olhos do resto do mundo. - Vere sacudiu a cabea.
         - No, Drax. Parece a maneira perfeita de escapar de nosso dilema, mas minha opinio  que seria impossvel encontrar uma, quanto mais duas do tipo certo...
e rpido o suficiente para dar um fim  determinao do monarca e do emir de casarmos com membros de suas famlias.
         Os olhos de Drax brilharam como os de uma pantera negra.
         - Isso  um desafio, irmo?
         Vere riu.
         - Sei que no devo desafi-lo. Mas se encontrar uma mulher...
         - Duas mulheres - corrigiu-o. - Prometo encontr-las. E a primeira ser sua.
         - Hum... - Vere no parecia convencido. - Muito bem. Mas, enquanto isso, a nica maneira de manter nossos vizinhos afastados  continuar a negociao com
os dois, evitando assumir qualquer compromisso. O monarca nos convidou para uma visita no-oficial a Zuran - continuou Vere. - E eu achei que voc deveria ir, Drax.
         - Ou seja, o monarca quer voc para a irm, j que voc  o mais velho - deduziu Drax -, e voc quer que eu v como uma forma de retardar as tticas. Por
que no? Eles querem conversar com voc em Londres, por falar nisso - disse a Vere. - Eu combinei que voc poderia encontr-los para mais uma negociao quando eu
voltasse a Dhurahn.
         - Eis uma das vantagens de dividirmos o governo... um par de mos sempre disponvel para segurar a coroa de lder aqui em Dhuranh, no importa que negcios
de estado exijam nossa presena em outro lugar.
         - Mas  voc quem prefere permanecer aqui no deserto - mencionou Drax - enquanto eu aprecio o desafio de desenvolver nossas atividades noutro lugar.
         - Uma parceria perfeita, concebida numa confiana indestrutvel e total lealdade.
         Silenciosos, apertaram-se as mos e,  maneira dos ancestrais rabes, trocaram um abrao apertado e fraternal.
        CAPTULO UM
         - VOC NO serve para nada, mesmo. Onde eu estava com a cabea quando a contratei? Voc diz ter diploma, MBA e mesmo assim no consegue desempenhar a mais
simples tarefa que lhe  exigida.
         A voz spera e crtica da chefe libanesa prosseguia, enquanto Sadie inclinava a cabea sob o peso do veneno destilado, ciente de que, se encarasse madame
al Sawar, a mulher perceberia a hostilidade em seus olhos. E Sadie no podia dar  madame a oportunidade de ameaar, como fizera tantas vezes nos dois meses em que
Sadie trabalhava ali, no lhe pagar o salrio devido.
         Ser acusada de forma to injusta e vingativa j era ruim, mas ter de ficar ali e ter a ateno chamada em voz alta para que todos os habitantes da casa
ouvissem.
         Uma casa rabe tradicional, em que a humilhao era algo a ser temido e evitado a todo custo tornava tudo ainda pior. Era tpico da dona da empresa acus-la
enquanto lhe tirava a hora de almoo a que tinha direito, na paz do bonito jardim do al Sawar, em estilo tradicional mourisco de Zuran. Sadie sabia que embora no
pudesse v-los, a maior parte dos funcionrios devia estar ouvindo a patroa intimidar a assistente.
         No que eles pudessem evitar ouvir o que se passava, com a madame gritando to alto. A rua inteira podia ouvir, pensou Sadie, infeliz. Ela no era a nica
a sofrer devido ao pssimo temperamento da patroa. Nenhum dia se passava sem que a madame perdesse a pacincia com algum.
         Sadie podia ter se defendido das injustas acusaes,  claro, afirmando ter passado com honra na faculdade e no MBA. E devia dizer que assim como madame
al Sawar lamentava t-la contratado, ela tambm se arrependia de ter aceitado o trabalho. Mas a verdade  que no podia correr o risco de perder o emprego - no
quando a madame constantemente recusava-se a pag-la desde que comeara a trabalhar ali.
         - No preciso de um peso morto como voc no meu negcio. Est demitida.
         - No pode fazer isso! - irritou-se Sadie, apesar de estar determinada a no entrar numa batalha verbal.
         - Acha que no? Garanto que posso. E no pense que pode sair daqui e conseguir outro emprego, pois no pode. As leis impem medidas radicais aos ilegais
que tentar tirar emprego dos habitantes da cidade.
         Ilegais! Agora Sadie tinha que se defender.
         - No sou ilegal - protestou. - Voc sabe disso. Quando aceitei esse emprego, me garantiu que cuidaria de todas as formalidades necessrias. Eu me lembro
de ter assinado os formulrios... - Sadie comeava a sentir-se mal e o calor a sufocava. Fora forada a esperar e ouvir as queixas em plena luz do sol, enquanto
madame permanecia na sombra.
         Sadie percebia um brilho de satisfao nos olhos da mulher mais velha, que deu de ombros.
         - No me lembro de ter dito nada disso. E se tentar dar queixa, ser pior para voc.
         Sadie mal podia acreditar no que ouvia. Achava que sua situao era ruim, mas nada comparado ao que enfrentava agora.
         Sem emprego, sem dinheiro e sem documentos legais em Zuran, sua situao era tenebrosa. E tudo parecera to promissor...
         Seis meses atrs, em seu primeiro emprego como graduada em MBA, num dos mais importantes escritrios de aplicaes financeiras de Londres, fora forada
a ceder seu lugar ao filho da nova amante de um dos membros da diretoria do banco. Pelo menos esses eram os boatos que corriam no escritrio. Tinha sido, com certeza,
mais fcil engolir essa desculpa que aceitar o comentrio jocoso de um desagradvel colega de que teria sido dispensada porque no podia enfrentar o ambiente masculino
impregnado de testosterona no qual trabalhava.
         Um emprego interessante e com bom salrio no setor financeiro - onde conseguiria sua independncia - tinha sido seu objetivo durante todo o perodo da universidade
e ficara arrasada ao ver seus planos de carreira irem por gua abaixo.
         Os pais se divorciaram no incio de sua adolescncia. A me voltara a casar, com um homem muito rico, com filhos do primeiro casamento e com quem ela agora
tinha uma nova famlia. Quando a me se envolvera com o homem que se tornaria seu padrasto, ele dedicara tempo e ateno a Sadie, sempre dizendo quanto a queria
como uma filha. Mas assim que casaram, ele mudou completamente o comportamento, fazendo-a crer que o amor masculino, tanto sexual quanto paternal, era algo que alguns
homens fingiam para atender s prprias necessidades.
         Depois do casamento, foi obrigada a tolerar os comentrios grosseiros do padrasto sobre a inabilidade de mant-la to bem quanto mantinha os filhos. Ela
ficou dividida entre a raiva contra o divrcio dos pais e o amor protetor em relao ao pai, que voltara a casar e tinha uma jovem esposa, uma nova famlia, e parecia
bem mais velho do que realmente era, da ltima vez em que o vira. Diferente do padrasto, o pai no era um homem rico.
         Por orgulho, recusara-se a pedir ajuda financeira ao padrasto para concluir a universidade, e essa atitude a deixara com uma dvida substancial no programa
de crdito educativo. A perda do primeiro emprego significaria rastejar e implorar ajuda ao padrasto - ajuda que ele dera com o maior prazer aos filhos, assim como
um carro e um apartamento quando eles comearam a trabalhar -, e isso era a ltima coisa que queria fazer.
         Ainda se lembrava de como ele tinha zombado quando ela anunciara que ia estudar para o MBA, sugerindo que seria melhor procurar um marido rico para sustent-la.
         - Afinal - comentara - voc tem uma cara e um corpo bonitos.
          Sim, ela tinha. Mas jurara ao ver o modo machista do padrasto com a me, deixando claro que esperava ser pago na cama por sustent-la, que nunca, jamais,
deixaria homem algum exigir-lhe favores sexuais s por pagar suas contas. Nem no casamento nem fora dele. E mantivera-se fiel ao voto - embora a conseqncia fosse
um celibato indesejado e a ausncia de um parceiro. Para Sadie, independncia financeira estava intimamente ligada  sexual. Treze anos era uma idade muito vulnervel
para uma garota testemunhar o tipo de relacionamento que presenciara entre sua me e o padrasto.
         Ao ver o anncio do atual emprego nas pginas de classificados, ficara ao mesmo tempo entusiasmada e assustada, imaginando no ter a menor chance de ser
selecionada entre as centenas de candidatos.
         Mas quando Monika al Sawar a entrevistara e dissera que queria contratar uma mulher com MBA - porque o marido era um tpico rabe e no toleraria que ela
trabalhasse com outro homem - suas esperanas cresceram.
         O emprego que Monika descrevera parecia perfeito - desafiante, enriquecedor, com muito espao para crescer. Monika explicara que sua empresa encarregava-se
de aconselhamento em investimentos, compra de propriedades e em providenciar fundos para a compra de propriedades para novos residentes em Zuran, que vivia uma exploso
de turismo. Posteriormente dissera estar em busca de uma jovem assistente inteligente que pudesse treinar para trabalhar como consultora financeira.
         Sadie ficara nas nuvens ao conseguir o emprego - mesmo depois de o prometido bilhete na primeira classe para Zuran transformar-se num bilhete na classe
econmica e o prometido adiantamento financeiro para quitar o saldo do emprstimo para pagar a faculdade no se materializar.
         Mas, depois, viera a descoberta de que no ficaria hospedada, como combinado, num apartamento no moderno bairro onde os executivos moravam, mas sim num
quarto pequeno na casa dos al Sawar - e o mais perturbador: que o valor descontado do seu salrio para cobrir o aluguel parecia absurdo. A tentativa de discutir
sua insatisfao com a situao dera margem  primeira das agora freqentes exploses de raiva de Monika e ao no pagamento do salrio.
         Agora, com apenas uma pequena soma de dinheiro que sobrara das reservas que trouxera, Sadie comeava a se desesperar. Mas no ia deixar Monika perceber.
         - Muito bem, ento. Eu vou embora - disse Sadie, baixinho. - Mas no at voc pagar tudo que me deve.
         O grito de fria da mulher fez-se ouvir em toda a casa e Sadie recuou.
         E tambm do lado de fora, na rua, onde Drax estacionara o carro alugado, tendo recusado uma limusine com motorista oferecida pelo monarca - basicamente
por querer manter a privacidade. Diminuiu o passo para acompanhar o de Amar al Sawar. O homem idoso e gentil havia sido grande amigo do pai dos gmeos e nenhum deles
deixava de visit-lo nas viagens a Zuran. Drax o encontrara no palcio real e, relutante, aceitara o convite de irem juntos at sua casa. Nem Drax nem Vere gostavam
da segunda mulher do amigo do pai.
         - Nossa! Receio que Monika esteja chateada - disse Amar, pedindo desculpas. - Eu tinha esperana de que dessa vez ela se daria bem com a nova assistente
que contratou. Uma jovem to simptica... Inglesa e bem-educada, uma garota boa e gentil, calma e de temperamento agradvel.
         Se tinha todas essas qualidades, certamente no se daria bem com Monika, refletiu Drax.
         - No compreendo como uma jovem to atraente preferiu trabalhar em vez de casar. Se eu tivesse um filho, ela seria exatamente o tipo de moa que gostaria
de ter como nora.
         Agora Amar surpreendeu Drax. O homem idoso era da gerao que mantinha hbitos conservadores e valorizava virtudes que muito poucas jovens possuam. Drax
suspeitou que o homem idoso, que no era preo para a esposa agressiva, lamentava profundamente ter casado com ela.
         Do ptio, o som estridente dos berros, intimidando a jovem assistente, ainda podia ser ouvido pelos dois homens.
         - Salrio? Voc espera que eu lhe pague por praticamente arruinar meu negcio? Ah! Voc  quem deveria me pagar. D-se por satisfeita por eu permitir que
v embora sem exigir recompensa. Se for esperta, sair neste instante, antes que eu mude de idia e mande meus advogados lidarem com voc.
         Antes que Sadie pudesse objetar, Monika virara as costas e se afastara, deixando-a plantada no ptio.
         - Minhas roupas... - comeou, abalada pelos gritos de Monika e sua ttica desprezvel de ignorar a lgica e qualquer discusso. - Meu passaporte...
         - Zuwaina j fez suas malas. Pegue tudo e rua! - disse Monika, triunfante. Uma jovem empregada apareceu no ptio, puxando a mala de rodinhas com uma das
mos e com a outra segurando a bolsa e o passaporte.
         Sadie sentiu-se profundamente revoltada ao constatar que Monika mexera em seus pertences pessoais, mas a verdadeira causa do mal-estar que a deixava suando
frio e tonta era a realidade a enfrentar. Sem dinheiro, sem emprego, sem passagem para voltar para casa, a nica soluo seria recorrer  ajuda do Consulado Britnico
- embora isso significasse uma longa caminhada at chegar l.
         Os portes do ptio estavam sendo abertos e dois homens entraram, ambos usando o traje tradicional rabe. Um era o marido idoso da chefe - um homem encantador
e educado que fez Sadie lembrar-se com saudade de seu av-, enquanto o outro homem... Sadie soltou um gemido involuntrio, os olhos arregalando-se e o corao batendo
com fora no peito. O outro homem era simplesmente to atraente e de uma virilidade e sexualidade to expressivas que ela ficou                               hipnotizada.
Tudo o que pde fazer foi ficar parada olhando - no, no apenas olhando, mas deslumbrada. Justo ela que nunca se deslumbrara por um homem antes e nunca imaginara
que um dia isso pudesse acontecer.
         Ruborizou-se quando ele voltou a cabea e pde ver, alm do perfil, um par de olhos estreitos, e o que era mais surpreendente: verdes. As mos tremiam tanto
que por pouco no deixou cair a bolsa.
         O que estava acontecendo com ela? A resposta instintiva e imediata  reao fsica era procurar refgio na recusa e dizer a si mesma que isso se devia s
suas defesas terem baixado pelo ataque de Monika, e no por nada ou ningum mais. Mas tinha de reconhecer que com apenas uma olhada daqueles olhos verdes um completo
estranho a desnudara da proteo com a qual sempre mantivera o sexo masculino a distncia.
         Sem dizer ou fazer nada, ele havia rompido as barreiras e a deixado totalmente to consciente da fora sexual masculina que seu corpo transformara-se numa
massa de caticos e supersensveis feixes nervosos.
         Ento isso era desejo fsico! Essa torrente de desejo intenso, perigosamente sedutor, misturado a promessas, possuindo-a e dominando-a, transformando-a
em outra pessoa completamente diferente, como que enfeitiada por um mago.
        CAPTULO DOIS
         - VOC EST bem, minha filha?  Sadie ouviu a voz gentil, mas de alguma forma era impossvel tirar os olhos daquele homem que de to perfeito parecia perigoso
e cruel. Sentiu como se precisasse arrastar-se da escurido profunda de algum lugar secreto para a luz clara do dia.
         - Sim, sim, estou bem - conseguiu balbuciar, embora soubesse que ambos deviam ter conscincia de que no estava.
         Arriscou outro olhar para o homem ao lado do professor al Sawar. Para seu alvio, ele no estava mais lhe sondando a alma com aquele olhar intenso, e um
pouco da turbulncia que a consumia desapareceu. Isso permitiu dizer a si mesma ter exagerado no efeito que ele lhe causara - sem dvida, devido ao trauma que acabara
de vivenciar. O alvio a invadiu como gua fria acalmando a pele aquecida.
         Percebeu pela expresso do professor que os dois tinham escutado o ataque raivoso de Monika. O marido da ex-chefe pegou uma carteira na roupa. Numa situao
normal, a incongruncia de uma carteira moderna guardada num traje to tradicional a teria feito sorrir, mas agora lutava por racionalizar o tumulto das sensaes
estranhas que a dominavam, apenas para perceber vagamente que o homem abria a carteira e tirava algumas notas.
         - Por favor, aceite... - insistiu.
         Agora ela precisava se forar a concentrar-se nele.
         - No sei quanto minha esposa lhe deve, mas... Os olhos verdes ativaram-lhe o orgulho. A reao foi imediata e instintiva. Balanando a cabea retrocedeu,
muda.
         - Por favor... - insistiu.
         - No - recusou, orgulhosa. Se o gesto era uma gentileza para proteg-la ou um suborno para desculpar a esposa, no sabia. Tudo o que sabia era que no
iria e no poderia aceitar dinheiro ou caridade. Fizera jus ao salrio, e era o salrio que queria - no a generosidade do professor.
         - No - repetiu, com voz mais calma e racional, mesmo ainda ligeiramente trmula. Pegou a mala e apressou-se em direo aos portes abertos.
         Drax a viu afastar-se, escondendo a intensidade de seu desejo abaixando os clios para disfarar a ateno concentrada nela. O perfume familiar e seco do
deserto no ar que respirava foi aumentado e inundado pelo calor da prpria excitao. Mentalmente afastou o aviso ativado pelo corpo. Ele era um homem, no era?
E um homem que talvez estivesse solteiro, voluntariamente, mais tempo do que seria sensato. Drax no levava mulheres para a cama por impulso sexual. Tinha plena
conscincia de sua posio e evitava aes que poderiam envergonhar no apenas a si prprio, mas a Vere - e a reputao que precisavam manter. Entretanto, embora
no fosse seu hbito procurar parceiras sexuais, talvez estivesse na hora de encontrar uma amante discreta.
         Os portes haviam se fechado s costas da jovem h vrios segundos quando Monika, que talvez estivesse espiando de dentro da casa, saiu para o ptio, convidando-os
a entrar. Relutante, ele seguiu o professor e por pouco deixou de ver um objeto cado no cho. Debruando-se para peg-lo, franziu o cenho ao perceber ser um passaporte.
Folheou-o. Sadie Murray, 25 anos, solteira, olhos castanho-claros, cabelos louro-escuros, quase castanhos, sua nica marca de reconhecimento um pequeno sinal na
parte interna da coxa esquerda...
         - Vere!  sempre um prazer enorme encontr-lo. - Franziu os olhos quando ela se adiantou, envolvendo-o na fora poderosa de seu perfume. Guardando o passaporte,
recuou, afastando-se.
         -  uma pena para ns dois, mas no sou Vere - anunciou, frio. Havia mais de dez anos, no incio do casamento com o professor, quando Drax era um jovem
de vinte e poucos anos, Monika tinha se oferecido a ele e nunca o perdoara por t-la rejeitado, reconheceu. E ele nunca a perdoaria por ter planejado trair o marido.
         - Entendo, querida, que deva ter suas razes, mas dispensar aquela pobre menina daquele jeito - dizia o professor, com expresso preocupada.
         - Ela mereceu. Recusou-se a seguir minhas instrues em relao a um de meus clientes, o que me custou um bocado de dinheiro.
         - Mas, minha querida, ela  to jovem, e sozinha num pas estrangeiro - argumentou, insatisfeito, o professor. - E moralmente...
         - Moralmente? Ah! Foi justamente sua moral que me causou um problema. Por que eu deveria sofrer as desvantagens de ter contratado uma jovem ocidental que
escolheu se comportar como uma virgem tradicional?
         - Minha querida...
         Drax podia perceber a aflio na voz do homem idoso, mas Monika preferiu ignorar o choque do marido.
         Girando a cabea, continuou:
         - Preciso de uma empregada que saiba como persuadir os homens a se tornarem meus clientes, no uma que os congele.
         - Sadie deveria ser elogiada por sua virtude, no acha, Monika? - protestou o marido.
         - No a contratei por sua virtude. Ela  bonita, mas obviamente no sabe como usar a beleza em benefcio prprio. - Deu de ombros. - Agora aprendeu, pela
maneira mais difcil, que isso no faz sentido nos negcios.
         - Voc se assegurou de que ela tem dinheiro suficiente para comprar a passagem de avio?
         Drax viu a boca de Monika se contrair.
         - Isso no  problema meu. Se no tiver, ento vai aprender a lio. Deixe-me chamar a empregada e pedir caf para vocs - disse ao marido, mudando propositadamente
de assunto.
         Como uma mulher libanesa, Monika vivia de maneira bem mais independente que uma esposa tradicional de Zuran, que nunca sonharia em aparecer na frente de
um convidado do marido, quanto mais dirigir-se a ele. Ela era com certeza muito estridente para seu gosto, Drax reconheceu, e meneou a cabea, recusando:
         - No para mim. Lamento no poder ficar. Tenho um compromisso.
         AINDA ERA maro, mas Zuran no tinha primavera. O clima passava direto de uma temperatura "fria" de inverno bastante agradvel, em torno de 25, em fevereiro,
at 45 no meio do vero.
         Para Sadie, precisando atravessar toda a cidade com a mala e sem o chapu que normalmente usava para se precaver do sol, a temperatura era insuportvel.
O cabelo podia ser grosso e comprido, o tom castanho com mechas naturais douradas, mas no a protegia do sol. Pelo menos tinha os culos escuros para proteger os
olhos da luz, pensou, passando pelos muros pintados de branco das casas ao longo da estrada.
         Ningum andava em Zuran - motivo pelo qual tantos motoristas diminuam a velocidade ao passar por ela. Preferia acreditar ser esse o motivo, disse a si
mesma, trincando os dentes e ignorando outro motorista que parara o carro no meio-fio e murmurava palavras que, por sorte, no podia entender, antes de finalmente
ir embora percebendo que ela no tinha inteno de tomar conhecimento de sua presena.
         A demisso tinha sido injusta. Desempenhara bem suas funes, mas de maneira alguma tinha o propsito de seduzir e provocar homens para assinar um contrato
com Monika, sugerindo que receberiam uma recompensa sexual que ela no iria dar. Sadie desprezava esse tipo de comportamento e desprezava ainda mais homens que esperassem
essa atitude.
         Talvez fosse ingnua, mas ficara chocada ao descobrir que a chefe esperava esse comportamento dela - especialmente ali, num lugar to conservador em termos
de moral. Quanto  sua reao ao homem que acompanhava o marido de Monika, no queria pensar no assunto.
         DRAX estava prestes a acelerar o carro na pista de alta velocidade quando ouviu o telefone. Devia ser Vere. Era tpico de Drax nunca se questionar por que
e como sabia, sem nem mesmo olhar o nmero no telefone. Eram gmeos, s isso.
         - Como foi o encontro com o monarca? - perguntou Vere.
         - timo, embora eu no acredite que ele tenha ficado muito satisfeito por eu ter aparecido em seu lugar. E por falar em pessoas que no ficaram muito felizes
em me ver, em lugar de verem voc, acabo de ver o professor. Monika lhe mandou lembranas.
         - Ento voc tem andado muito ocupado procurando uma esposa para mim, imagino - respondeu Vere, ignorando o comentrio de Drax sobre Monika.
 sua frente, na poeira da estrada, Drax vislumbrou a figura solitria de uma jovem caminhando, arrastando a mala. Parecia cansada, perdida.
         O que Amar dissera a seu respeito? Que era gentil, o tipo de jovem que gostaria de ter como nora. Drax lembrou-se do passaporte e o pegou. Por obrigao,
deveria t-lo entregado aos al Sawar, pois a moa com certeza voltaria para procur-lo ao perceber t-lo perdido.
         Com certeza no era mesquinha, se deu conta. Constatara com os prprios olhos. E tinha que ser ingnua por se deixar persuadir a trabalhar para Monika.
         - Drax! Est me ouvindo?
         - Sim, estou, Vere. Quanto  sua noiva... bem, voc est enganado, meu irmo. Por acaso, acabo de encontrar a perfeita esposa temporria para voc.
         Desligou o telefone antes de obter resposta e diminuiu a velocidade.
         SADIE PDE ouvir o som de um carro freando atrs dela, mas recusou-se a olhar. Entretanto, esse carro no se afastou to rpido quanto os outros quando
ela no respondeu. Pelo contrrio, continuou a segui-la, projetando uma grande sombra  sua frente. Tentou apressar o passo, desejando afastar-se da calada, mas
o terreno era acidentado demais para que pudesse puxar a mala.
          No havia motivo para entrar em pnico. Era dia e, mesmo que mais insistente que os outros, acabaria ficando cansado de no obter resposta e aceleraria,
deixando-a envolta numa nuvem de poeira.
         S que isso no aconteceu, e, pelo canto do olho, via um carro preto grande adiantar-se e depois acompanh-la.
         Ela no conseguia andar mais rpido, j ofegava, transpirando no apenas devido ao calor, mas tambm  ansiedade.
         - Srta. Murray?
         Ao ouvir seu nome, num ingls sem sotaque, levou tamanho susto que ficou gelada. Assim como imaginara que ficaria, refletiu amarga, alguns segundos depois,
quando o carro parou, a porta do motorista abriu e o homem saltou do carro na sua frente, encurralando-a com o corpo contra o carro.
         - Voc! - Por que dissera aquilo? Soara pessoal demais e acabara traindo-se, como se, deliberadamente, tentasse criar uma intimidade entre eles. E essa
no tinha sido sua inteno. Estava apenas chocada ao rever o homem que encontrara no ptio da famlia al Sawar com o marido da chefe agora plantado diante dela.
         Ao contrrio dela, no usava culos escuros e algo naquele olhar a fez sentir-se como uma pobre criatura no deserto encurralada por um falco predador.
         - Se madame al Sawar pediu que viesse atrs de mim... - comeou, insegura.
         Antes que pudesse concluir, Drax a silenciou com um imediato franzir de testa.
         - Posso absolv-la porque no me conhece o suficiente para saber que no me presto a garoto de recados - disse, arrogante. - Mas voc realmente conhece
to pouco Monika a ponto de pensar que ela demonstraria algum tipo de remorso?
         Sadie desviou o olhar. Estava certo,  bvio. Monika no era o tipo de sofrer pensando em suas atitudes, quanto mais sentir-se culpada.
         - Seguia-a porque quero discutir algo com voc. O professor falou muito bem de voc. Ele a considera uma jovem de grande inteligncia e moral. - Drax no
ia dizer que o professor tambm confirmara sua opinio de que ela estava inclinada a julgar bem e no mal as pessoas, o que a tornava mais vulnervel s maquinaes
egostas de pessoas inescrupulosas.
         Sadie podia sentir o rubor tomar conta de seu rosto enquanto ouvia os elogios.
         - Voc  altamente qualificada para trabalhar no mercado financeiro, pelo que soube.
         A afirmativa deixou-a atnita.
         - Sou formada e tenho um MBA.
         Drax meneou a cabea, como se suas palavras confirmassem o que j sabia.
         - Talvez eu possa lhe oferecer um emprego para substituir o que acabou de perder.
         Agora ele podia perceber uma sombra de suspeita e insegurana nos olhos dela, assim como o tipo de cautela feminina que fez com que se parabenizasse pela
intuio. Ela podia ser perfeita para o plano.
         Sadie o olhou com expresso desafiante. No era to ingnua a ponto de no saber que havia certo tipo de rabe que procurava mulheres ocidentais para satisfazer
suas necessidades de sexo por meio de uma srie de breves encontros.
         - Obrigada, mas estou planejando voltar para a Inglaterra.
         - Sem dinheiro para pagar a passagem e sem passaporte?
         Sem passaporte? Sadie o fitou e depois olhou a bolsa. Mas no precisava procurar porque Drax j segurava o passaporte na mo.
         - O qu...
         - Por que no entra no carro? - Drax olhou o relgio. - Posso lhe falar sobre o emprego bem como oferecer-lhe um almoo na cidade.
         Ele realmente esperava que ela fosse cair nessa? No era to ingnua.
         - Lamento, mas no estou interessada... em nada - enfatizou com firmeza, tentando pegar o passaporte.
         Drax deu um passo atrs, colocando o passaporte nas dobras de seu dishdasha.
         - Muito bem - disse, calmo, e voltou para o carro.
         - Meu passaporte... - protestou Sadie, histrica.
         - Que passaporte? Se ao chegar no aeroporto para pegar meu vo de volta a Dhurahn descobrir que ainda tenho o passaporte que encontrei no cho na cidade
de Zuran, ento naturalmente farei com que ele chegue  embaixada inglesa mais prxima.
         - O qu? - As coisas pioravam a cada minuto. No apenas tinha seu passaporte, mas planejava deixar o pas. - No, no pode fazer isso! - exclamou, alterada.
         - No? - Os olhos verdes endureceram. Ignorando o aviso que eles passavam, Sadie tentou tirar-lhe o passaporte, gritando e atirando nele uma pequena pedra
que pegou do cho.
         A reao de Drax foi mais rpida que a de Sadie. Ele a segurou com facilidade e podia t-la mantido afastada para que os corpos no tivessem contato. Em
vez disso, apertou-lhe os braos para par-la e deixou que o corpo repousasse contra o seu. Por alguma razo, no estava preparado para explicar a si mesmo o motivo
de no ter agido de modo diferente. Agora, sentia os seios redondos, e a tentao de escorregar as mos dos braos para os quadris e pux-la para um contato mais
ntimo foi to forte e instintiva que o surpreendeu. Ela possua um cheiro doce e quente, e o perfume o deixava to excitado que ele ficou completamente fora de
prumo.
         Que diabos era isso? Normalmente no reagia com excitao assim to fcil. Um homem em sua posio precisava ser cuidadoso com suas ligaes sexuais, aprendera
h muito tempo. Tinha uma responsabilidade, um nome a zelar. Ele e Vere tinham como obrigao servir de exemplo e demonstrar um elevado padro moral. Sexo casual
no era atitude a ser tomada e, no entanto, ele estava to ereto que comeou a se sentir desconfortvel - e tudo por causa dessa mulher empoeirada de pele clara
e olhos cor de mel. Uma mulher que j tinha decidido oferecer ao irmo.
         O que,  claro, era o motivo de estar testando os padres morais da moa. Se ela tirasse vantagem da intimidade e se oferecesse, ele saberia que no fazia
sentido dar continuidade ao plano. Nem ele poderia se dar ao luxo de se envolver sexualmente com ela - no era para sexo que a queria. Ela precisava provar ser o
tipo de mulher que o professor acreditava que era. O tipo diferente de mulheres como Monika al Sawar, que no tentaria insinuar-se para um homem sem que ele a convidasse
a faz-lo.
         Depois do choque de ficar to inesperadamente perto daquele homem, com toda a excitao, veio o reconhecimento da prpria vulnerabilidade e o pnico.
         - Solte-me! - Parecia implorar e no ordenar, constatou Sadie ao ouvir a emoo na prpria voz. Ficar to perto desse homem no era bom para ela, admitiu.
Reativava tudo o que sentira no ptio e frisava sua inabilidade de superar os sentimentos que ele lhe despertava.
         Ento por que no tentava de forma mais eficiente fazer com que ele a soltasse? Por que, na verdade, recostava-se nele como se no pudesse sustentar o peso
do prprio corpo? Ela realmente se preocupava com o perigo de suas aes? No apenas o perigo do sexo casual com um estranho que podia supor estar se oferecendo,
mas tambm o efeito que a proximidade lhe causava, derrubando todas as justificativas que sempre dera a si mesma. Levava em conta no apenas o fato de ser uma mulher
sem necessidades sexuais, mas porque no era do tipo que podia ser subjugado pelo desejo por um homem s de olh-lo, e tambm sempre fora sensata o bastante para
no arriscar a sade sexual e emocional.
         Era o calor do sol que a deixava fraca, apressou-se em tranquilizar-se. Nada mais. Certamente no alimentava o tipo de fantasias que, ouvira dizer, algumas
mulheres ocidentais tinham com sheiks rabes sexies - mesmo se esse homem fosse exatamente tudo o que algum podia querer, incluindo a aura de perigo a rode-lo.
         - Isso  Zuran - ouviu-o dizer, frio, enquanto a afastava. - Aqui no  aceitvel um homem e uma mulher se abraarem em pblico, no importa o que voc
esteja acostumada a fazer em outros lugares!
         O que ela podia estar acostumada a fazer em outro lugar? Ele parecia supor que ela estava se oferecendo. Mortificada, afastou-se, recuando. Tinha razo
quanto a um ponto. Ficara exposta a sol abrasador mais tempo do que seria prudente, e seu sbito movimento tinha causado uma ligeira tonteira.
         A viso do rosto de repente plido, acompanhado pelo gemido de surpresa, tinha feito com que Drax reagisse com instintiva rapidez ao reconhecer os sintomas
de insolao. Colocou-a no carro com tanta pressa que Sadie no teve tempo de fazer nada alm de emitir um protesto incoerente. Percebeu quando ele se sentou ao
volante e ligou o motor. Ouviu o barulho das portas sendo trancadas quando o carro se ps em movimento e afastou-se do meio-fio.
         - Pare! - disse, histrica. - No pode fazer isso!
         - O que preferia que eu fizesse? Deixasse voc onde estava para ter uma insolao?
         - H muita sombra na cidade.
         - Voc nunca chegaria at l - disse, sem prembulos, antes de acrescentar: - E no precisa me olhar desse jeito. No tem nada a temer de mim.
         - Isso  fcil de dizer - retorquiu. - Voc praticamente me seqestrou e...
         - E agora voc est com medo de que eu possa lev-la para meu harm para abusar de voc - debochou, levantando uma sobrancelha escura. - Voc realmente
acredita que isso seja possvel? Com toda sinceridade, no mundo de hoje, se eu quisesse possuir uma parceira no seria necessrio seqestrar uma, certo?
         Os olhos dela eram cor de mel, percebeu Drax, o cabelo castanho-dourado to liso e brilhante quanto o plo de um de seus queridos cavalos puros-sangues
rabes. Ele sentia nela o mesmo orgulho de seus falces - um orgulho que ele tivera o poder e a habilidade de dobrar, para que viessem s suas mos, to mansos como
pombas.
         A pele era muito clara, embora, devido ao rigor do sol de meio-dia do deserto, ela estivesse pagando por sua tolice em ignorar o fato. A testa estava suada
e a cabea inclinada no pescoo fino. Drax concluiu que, alm de sua bvia apreenso por ter sido impelida a entrar no carro, ela se sentia provavelmente nauseada.
Era bem provvel estar desidratada.
         Ele abriu o console central que separava os dois assentos.
         - Voc vai encontrar uma garrafa de gua aqui dentro. Beba um pouco - avisou-a, com severidade.
gua! At ele dizer a palavra, ela no se dera conta do quanto estava sedenta. Passou a ponta da lngua nos lbios ressecados e salgados e procurou, ansiosa,
pela garrafa fechada.
         Abrindo-a, levou-a  boca.
         O trfego pesado permitiu a Drax diminuir a velocidade e observ-la. Os lbios eram macios e cheios e, ao fech-los em volta do gargalo da garrafa, tambm
cerrou os olhos, como se entregando a um prazer sensorial h muito sonhado. Bebeu rpido, os msculos da garganta contraindo e expandindo enquanto engolia o lquido.
         A excitao que tomara conta de Drax retornou, rompendo as barreiras da civilidade. Ser que ela se dava conta de quo intensamente erticos eram seus gestos?,
pensou enquanto, entre uma respirao e outra, foi aprisionado por uma urgncia sexual que exigia ser saciada, com base nas imagens criadas em seu crebro pelos
gestos de Sadie. Na mente, a boca carnuda e macia colava-se no  boca da garrafa, mas  sua ereo, provando-lhe a textura e o gosto. Um buraco na estrada fez com
que a gua derramasse e escorresse de seus lbios pelo pescoo, acomodando-se nas saboneteiras. Se ele lambesse a gua de sua pele agora, o gosto seria da pele misturada
ao suor, e iria estimular-lhe a lngua para experimentar a umidade ntima e...
         O barulho repentino de uma buzina afastou Drax da fantasia e o trouxe de volta  realidade. O corao palpitava com batidas lentas e erticas aumentando
ainda mais sua excitao. Pegou uma garrafa de gua e bebeu como se pudesse apagar o fogo que o consumia.
         O ar-condicionado estava ligado. Ento por que ela sentia de repente conscincia de um calor to intenso que no apenas enchia o interior do carro, mas
tambm dava a impresso de pressionar-lhe a pele como numa carcia? Porque queria ser acariciada? Por ele? Que tipo de loucura a possura? Era alguma espcie de
luxria induzida pelo calor, conseqncia do excesso de exposio ao sol? Os pensamentos de Sadie atropelavam-se. Lutou valentemente contra eles, obrigando-se a
prestar ateno na paisagem.
         - Estamos quase chegando  cidade - disse. - Foi muita gentileza pensar em me oferecer um emprego, mas, realmente, no h necessidade. Se me devolver o
passaporte e me deixar na...
         - Voc est recusando o emprego sem nem saber qual ?
         As palavras de Sadie tinham despertado nele duas reaes ao mesmo tempo diferentes e contraditrias: uma, que ele deveria parar o carro, entregar o passaporte
e esquecer t-la visto; outra, que no havia a menor chance de deix-la ir embora.
         Apertou o acelerador, mudando para a pista que conduzia a outro destino, bem diferente do da cidade.
        CAPTULO TRS
         - COMO MONARCAS de Dhurahn, meu irmo e eu procuramos h bastante tempo formas de dar ao nosso pas e ao nosso povo um futuro prspero quando as reservas
de petrleo esgotarem.
         Ele realmente esperava que ela acreditasse ser ele monarca de Dhurahn? Ouvira falar do pas que fazia fronteira com Zuran, mas tambm conhecia o protocolo
e a hierarquia a cada vez que o monarca de Zuran deixava o palcio.
         - Quanto a isso, como deve saber, desenvolvemos uma poltica agrcola que nos possibilita fornecer produtos perecveis a outros pases do Golfo. Tudo funciona
bem, mas meu irmo e eu acreditamos que precisamos de algo mais. Para poder realizar isso, estamos em negociaes h algum tempo com vrias organizaes do centro
financeiro de Londres, visando estabelecer um centro de excelncia de negcios e finanas em Dhurahn.
         Sadie comeou a gelar. Ela ouvira vagos rumores de algo nesse sentido. De como um governante de um pas do Golfo arquitetara um ambicioso plano e tambm
ouvira um colega, com quem trabalhara, afirmar que, se o plano desse certo, seria uma oportunidade de ouro para os ambiciosos.
         - Meu irmo e eu estamos no estgio de negociaes em que buscamos contratar um grupo de jovens com formao de MBA para trabalhar com os especialistas
que contrataremos para implementar nossos planos. O professor al Sawar, amigo de longa data de nosso falecido pai, falou to bem de voc que naturalmente me ocorreu
que seria uma candidata ideal para nosso grupo de trabalho.
         Drax deu de ombros.
         -  claro que compreendo que oferecer um emprego desse jeito no  uma maneira convencional de fazer negcio, mas os acontecimentos se sucederam com mais
rapidez do que tnhamos previsto. Entrevistar e selecionar um grande nmero de jovens graduados e formandos de MBA levar tempo. Portanto, decidimos montar um grupo
pequeno, cuidadosamente selecionado, a todo vapor. O fato de voc j estar em Zuran e precisar de um emprego a torna uma candidata ideal para um posto em nosso grupo.
         Prosseguiu:
         - O tempo conta muito. Meu irmo precisa partir para Londres para dar continuidade s negociaes e eu preciso voltar ao nosso pas para que ele possa partir,
j que um de ns precisa estar sempre presente em Dhurahn. Se puder lev-la comigo e comearmos a trabalhar, inicialmente voc seria minha assistente pessoal no
que se refere aos documentos preliminares e estabelecimento de procedimentos e negociaes, o que me permitiria dispor de mais tempo para dedicar-me a outros aspectos
desse projeto inovador. Seu salrio ser gratificante. Meu irmo e eu j concordamos com o salrio a ser pago para os jovens graduados...  quase o dobro do que
 pago em Londres, e posso lhe garantir que voc ser paga. Como monarcas de Dhurahn nossa palavra  nosso contrato e no temos nos negcios a mesma tica de Monika
al Sawar.
         - Voc no espera que eu acredite que voc  monarca de Dhurahn, espera? - desafiou-o Sadie. Por que tipo de idiota a tomava?
         - Est me acusando de mentir? Por que eu me daria ao trabalho?
         - Monarcas dos estados rabes no dirigem sozinhos, sem escolta ou...
         - Voc tem absoluta certeza disso, no ? Diga-me, quantos monarcas de estados rabes voc conhece pessoalmente? Tem idia de quo grosseira est sendo?
- perguntou com gentileza. - De acordo com a lei tradicional de Dhurahn, pessoas podem ser presas pelo resto da vida por dirigir um insulto a um membro da famlia
real. Nos tempos antigos, teriam a lngua cortada para que nunca mais pudessem dizer outra mentira. Isso quando no eram executadas.
         Sadie estremeceu, enojada com a imagem que ele lhe desenhava. Ele era com certeza um homem poderoso cuja palavra era lei, admitiu, desejando no ter sido
to imprudente.
         - Eu no minto, srta. Murray. No preciso. Podia voltar para a cidade de Zuran e lev-la ao monarca para que pudesse ter certeza de minha identidade. De
fato, poderia pedir a mesma coisa  sua prpria embaixada. Mas no tenho tempo. Preciso voltar a Dhurahn antes da partida de meu irmo.
         Sadie viu o olhar quando a boca curvou-se ignorando o que ela havia dito e soube que ele realmente estava sendo sincero.
         Ainda era difcil acreditar no que ele dizia, especialmente depois de ter sido to ingnua ao tratar com Monika.
         - Acho difcil aceitar que esteja disposto a me oferecer um emprego sem saber nada a meu respeito ou...
         - Aqui no Golfo, acreditamos sinceramente no destino.  verdade que quando deixei o Palcio Real hoje cedo com o professor al Sawar no tinha planejado
contratar voc ou qualquer outra pessoa. Entretanto, um homem inteligente no ignora as oportunidades que o destino lhe oferece. - Deu de ombros. Com certeza acreditava
no que dizia, mesmo que a oportunidade que julgava ser oferecida pelo "destino" , nesse caso especial, no fosse a que verbalizava para Sadie.
         - Um contrato ser redigido com uma clusula de perodo experimental, para avaliarmos as conseqncias do que supomos ser uma deciso precipitada. No tenho
inteno de mant-la em meu pas contra sua vontade. Um funcionrio insatisfeito no traz vantagens a Dhurahn. Como governantes, tanto eu quanto meu irmo estamos
cientes disso. Nenhum de ns toleraria nada que viesse a prejudicar o progresso ou a reputao de nosso pas. E, para sua informao, tambm no tenho inteno de
mant-la em minha cama, a contragosto, pelos mesmos princpios. No vejo prazer em ter uma mulher que no estivesse na minha cama de boa vontade e por desejo.
         Sadie tentava no fazer fantasias, no apenas pelo que ouvia, mas tambm pensando nas Mil e Uma Noites ao ouvir do monarca de um pas do Golfo que ele queria
lev-la para seu reino.
         Entretanto, a inteno de lev-la para seu reino no era para dar-lhe 1.001 noites de prazer, como Scherazade dera ao califa, com suas fabulosas histrias,
mas para usar sua experincia para ajud-lo a montar uma economia de nvel internacional, capaz de rivalizar com as bolsas de valores de Londres, Nova York e Hong
Kong. Se ele estivesse dizendo a verdade...
         Com certeza monarcas viajavam com escoltas de carros, seguranas e uma corte. No dirigiam um carro comum, embora caro. A facilidade com que Monika a havia
decepcionado deixara marcas. Esse homem - Drax, como se lembrava de ter ouvido o professor cham-lo - poderia ser dono do tipo de arrogncia tpico das classes superiores,
mas isso no significava que ele realmente fosse quem dizia ser.
         - Eu... tudo isso parece to exagerado - disse, em tom de dvida.
         Os olhos verdes lanaram-lhe um olhar, onde se misturavam fria selvagem e descrena arrogante.
         - Voc ousa insistir em tentar me acusar de mentiroso?
         - Tenho o direito de me proteger para evitar cair em outra situao na qual termine sem dinheiro - defendeu-se Sadie. - Tem um ditado que diz "Errar uma
vez  humano. Duas  burrice". Voc diz ser um dos monarcas de Dhurahn.
         - Digo porque sou - retorquiu. - No sou Monika al Sawar. Sou o co-monarca de Dhurahn, com responsabilidades morais em relao a meu irmo para agir de
forma que no manche nossa honra, assim como ele tem a mesma responsabilidade em relao a mim.
         Tudo acontecera num curto espao de tempo, as mudanas de sua situao tinham sido to repentinas que Sadie suspeitava no estar em condies de tomar nenhum
tipo de deciso - quanto mais uma potencialmente to destruidora quanto concordar em aceitar o emprego que lhe oferecia.
         Ainda assim, que outra alternativa lhe restava? Estava sem dinheiro e sem famlia, no real sentido de amor e apoio, na Inglaterra. Caso decidisse retornar,
no tinha emprego  sua espera nem passaporte para voltar, graas ao homem sentado a seu lado, lembrou assustada. E isso demonstrava que ele estava disposto a usar
esse mtodo sujo para for-la a agir como ele queria.
         - E se eu optar por recusar a oferta? - perguntou.
         Drax podia perceber a insegurana na voz e parecia ler seus pensamentos. Ela viera ao Golfo com o objetivo de mudar de vida, de uma forma ou de outra; o
desejo podia ainda existir, apesar da experincia com Monika al Sawar.
         - Por que faria isso? - perguntou, frio. - Dhurahn  superior a tudo que Zuran pode representar. Seria uma tola em recusar. E desde que lhe ofereci um trabalho,
e eu no ofereo emprego a tolas, voc no deve ser uma.
         Quanta arrogncia! Era de tirar o flego. Sua atitude a excitava? Ou era ele? Pensamentos que nunca imaginara possveis giravam em sua cabea como gros
de areia em meio a uma tempestade do deserto, criando uma fora hipntica que transformava o conhecido em desconhecido.
         Esse homem, poderoso sheik ou fanfarro mentiroso, era dono do mesmo poder das tempestades do deserto, e, na melhor das hipteses, estava sendo enrodilhada
pelo redemoinho de excitao e insegurana que ele criava.
         Se estivesse dizendo a verdade, seria uma tola em declinar da oportunidade. Especialmente agora, sem ter recebido o salrio do perodo em que trabalhara
para Monika e ainda com o dbito do crdito estudantil a ser pago.
         - Aceito o emprego sob duas condies - disse com firmeza.
         Ela estava tentando barganhar com ele? Uma mulher? Sem poder, sem emprego, presa no carro dele e totalmente  sua merc? Ou era muito tola ou muito valente.
Vere no apreciaria nenhuma dessas caractersticas. Era um homem correto, mas muito autoritrio. Enquanto ele...
         Ele, tinha de admitir, nem sempre era correto ou autoritrio. S quando lhe convinha. Com freqncia era tido como maquiavlico, mas preferia pensar que
compreendia as pessoas e suas fraquezas.
         - E que condies so essas?
         Sadie respirou fundo.
         - Voc devolver meu passaporte e me dar, antes de partirmos para Dhurahn, um adiantamento de salrio suficiente para pagar minha passagem de volta para
a Inglaterra.
         Ento ela aprendera algo da experincia com Monika.
         - Certamente.
         Sadie fitou-o incrdula, achando ter ouvido mal a resposta imediata e afirmativa.
         - Voc concorda?
         - Comeo a entender por que Monika achou to fcil manipular voc. Um bom negociante se comporta como se acreditasse estar numa posio superior, mesmo
quando sabe no estar.
         Seus instintos sobre ela estavam certos. Havia uma doura, uma vulnerabilidade que seriam perfeitas para seus planos. O fato de pedir apenas um adiantamento
do salrio confirmava essa intuio.
         - Sim, concordo, mas com uma condio. Estou disposto a adiantar o dinheiro necessrio, antes de deixarmos Zuran, mas apenas entregar-lhe o passaporte na
chegada a Dhurahn. Pelo menos voc mostrou alguma iniciativa e devo confessar estar impressionado por voc se acreditar em posio de estabelecer condies.
         - E eu estou surpresa por voc querer algum para trabalhar com voc que no tenha conscincia de seu valor - retrucou Sadie. Quando ele franziu a testa
e ela viu o cinismo nos olhos, acrescentou de pronto: - O fato de Monika no ter pago meu salrio no diminui o valor de minhas qualificaes.
         - Concordo, porm levanta questes sobre seu julgamento. Qualificaes acadmicas contam muito, mas os mais bem-sucedidos empreendedores admitiram que os
instintos  que criam a alquimia capaz de tornar o metal bsico de uma mera escolaridade no puro ouro de um gnio das finanas. E isso, com certeza,  verdadeiro
em toda esfera de realizao.
         - Foi voc quem me ofereceu o emprego, no eu que me ofereci para trabalhar com voc - lembrou-o.
         Mas em vez de responder  voz que demonstrava raiva, Drax mudou de assunto, perguntando:
         - As acusaes de Monika contra voc me interessam. O que exatamente ela queria dizer?
         No esperava essa pergunta. Desviou o olhar, evitando que ele visse sua expresso, que demonstrava preferir manter o assunto em segredo.
         - Ela queria que eu... persuadisse seus clientes de que certos investimentos eram mais promissores do que realmente eram.
         Uma resposta ttil e evasiva. Mas, conhecendo Monika, no era nada difcil interpret-la.
         - Ela queria que voc usasse seus atrativos para vender investimentos inseguros,  isso? - sugeriu. Podia concluir isso sem dificuldade, mas lhe interessava
testemunhar o bvio desconforto da moa em discutir o assunto. Por ter se sentido obrigada a ceder s insistncias de Monika?
         O bom humor evaporou. Uma mulher que vendia o corpo, mesmo tendo sido forada, no era o tipo de mulher que poderia se tornar esposa do monarca de Dhurahn,
mesmo sendo o casamento apenas temporrio e sem consumao.
         Quando Sadie no respondeu, ele contraiu os lbios. O tom de leve deboche desapareceu de sua voz ao perguntar, de maneira mais agressiva:
         - Era apenas sua aparncia fsica que ela queria que voc usasse, acredito. No algo mais ntimo...
         - Ela sugeriu que eu poderia seduzir alguns dos clientes mais do que eu acredito ser moralmente aceitvel - disse, relutante. Afinal ele era amigo do marido
de Monika, embora tivesse deixado claro no gostar dela.
         - Monika queria que voc fizesse sexo com seus clientes em troca de eles fazerem negcios com ela?  isso que voc quer dizer?
         - Ela nunca disse explicitamente, mas ficou bem claro o que esperava que eu fizesse.
         - E voc fez?
         Sadie se enraiveceu e deixou de lado a educao.
         - No. No fiz. No  assim que eu vivo - disse, furiosa. - E nunca ser. Ento se est pensando em sugerir que eu...
          Ele freou o carro to abruptamente que ela foi jogada para a frente.
         - O qu? Voc ousa sugerir que eu, o monarca de Dhurahn, iria mergulhar nessa sujeira?
         Sadie percebeu quanto o ofendera. Onde antes vira arrogncia, agora via um orgulho de ao.
         - No fiz acusaes, simplesmente afirmei o que no estou preparada a fazer - defendeu-se.
         Ela dizia a verdade, Drax percebeu. Tudo saa como desejara. Ela era perfeita para Vere e ele era um gnio por t-la descoberto e aproveitar a oportunidade,
congratulou-se.
         Voltou a ateno para a estrada e deu a partida.
         - Ento estamos de acordo que voc aceitar o emprego que lhe ofereci e viajar comigo para Dhurahn?
         Estavam de acordo? Sadie no concordara com nada, mas de alguma forma no estava em condies de falar isso para ele. E no podia culp-lo por interpretar
seu silncio como um sinal de que aceitara o que ele afirmara, pensou, quando vrios minutos depois ele disse:
         - Em menos de meia hora chegaremos ao aeroporto.
         - Ento preciso do passaporte - sentiu-se forada a assinalar.
         O olhar que lanou reduziu-a ao silncio.
         - Voltaremos para Dhurahn em meu jato particular. Naturalmente, como funcionria contratada pessoalmente por mim, no ser preciso passar pela alfndega
nem em Zuran nem em Dhurahn.
         Entretanto, ele teria de telefonar para o palcio e desculpar-se com o monarca de Zuran pela partida apressada.
         O avio particular. Sadie lutou para no demonstrar estupefao.
         - No tenho certeza... Quer dizer... Receio no saber seu ttulo correto e como devo me dirigir a voc - conseguiu dizer insegura.
         Ele deu de ombros.
         - Meu irmo e eu fomos criados de maneira liberal. Nossa me era irlandesa e nosso pai quis que segussemos seus passos e fssemos educados na Inglaterra
e em Paris. Embora os tradicionalistas em nosso pas ainda usem ttulos, j que estamos revitalizando a sociedade em linhas modernas nos tratamos pelo primeiro nome.
Portanto, pode me chamar de Drax.
         - Drax...
         Ela pronunciou o nome como se o saboreasse - um suave murmrio quando os lbios separaram-se e arredondaram-se ao dizer o "D" e depois se fecharam suavemente
no "x".
         -  meu primeiro nome - disse, irritado pelas imagens que lhe inundavam a mente. J vira mulheres mais bonitas e conhecera muitas bem mais explicitamente
sensuais e carnais. Ento o que tinha essa mulher que, s de ouvi-la pronunciar seu nome com essa sensualidade intensa, deixava seu corpo quase constantemente em
estado de excitao? Era uma reao que precisaria destruir, j que seria Vere quem teria direitos de reivindic-la sexualmente, se assim decidisse.
         A sbita exploso surgida da possessividade masculina fez com que ele franzisse o cenho. Estava envolvido num assunto de grande importncia diplomtica
- que no deveria ser prejudicado por uma luxria sexual indesejada. Tinha ficado muito tempo sem mulher alguma. Era isso que causava o desejo intenso por ela, tranquilizou-se.
Terminara o ltimo relacionamento havia mais de um ano e no era surpresa seu corpo lembr-lo de suas necessidades.
         Havia uma discreta e elegante danarina do ventre aposentada, de 30 anos e estonteante beleza, que voltara para Dhurahn aps a morte do falecido marido,
j idoso, que ficaria muito satisfeita em receb-lo na cama. E ela compreendia as regras que governariam o relacionamento sem que fosse preciso explic-las.
         Estavam no aeroporto. Sadie sentiu o corao pular. Estava fazendo a coisa certa? Seria tarde demais para mudar de idia?
         Mudar de idia? At o momento, todas as decises haviam sido tomadas para ela e no por ela, foi forada a admitir. Ainda assim, se fosse honesta consigo
mesma, um desafio profissional a excitava. Se ele, Drax, esse sheik rabe que adentrara sua vida como o vento quente do deserto e a envolvera, estivesse dizendo
a verdade.
        CAPTULO QUATRO
         O AEROPORTO de Zuran era conhecido mundialmente pela elegncia e pelo nmero de lojas isentas de taxas. Um estalar de dedos e poucas palavras garantiram-lhes
passar pelo sistema de segurana do aeroporto e sua mala foi gentil, mas firmemente, tirada de suas mos.
         Sem saber como acontecera, Sadie descobriu ser forada a andar atrs do novo chefe, seguindo-lhe os arrogantes passos atravs do shopping iluminado com
suas lojas de etiquetas famosas. Ele conversou no celular em rabe, com algum que o fez rir vrias vezes. Seria uma mulher? A mulher dele.
         A fria da sensao que a percorreu chocou-a de tal maneira que ela parou abruptamente. Foi preciso que a pessoa que esbarrara nela pedisse desculpas para
sair da paralisia que a possura. No foi assim to fcil paralisar os pensamentos. Por que cargas d'gua supor que um homem que mal conhecia tinha um relacionamento
sexual com outra mulher a fizera interromper os passos e a abatera com to cruel onda de inveja? Inveja? No, negou apressadamente, no era isso.
         Precisava encontrar algo em que focar a mente. Determinada, examinou o impressionante terminal.
         Imensas palmeiras chegavam ao topo dos trs andares do que era considerado como o maior e mais sofisticado shopping de aeroporto do mundo. Luzes midas
e brilhantes iluminavam os troncos e folhas e o cho de mrmore imaculadamente limpo. Para onde quer que olhasse, deparava com evidncias da riqueza e do status
de Zuran e dos viajantes. Lembrou-se de como planejara comprar algumas coisas novas antes de voltar para casa, acreditando que o salrio combinado com Monika lhe
permitiria presentear-se.
         Seu guarda-roupa precisava ser renovado com urgncia. As roupas baratas que comprara para usar no primeiro emprego agora estavam gastas e surradas e no
combinavam com o clima quente do Golfo. Monika prometera providenciar roupas de trabalho quando chegasse a Zwar, mas, como todo o resto, a promessa de roupas novas
nunca se materializou. No conseguiu reprimir um suspiro ao olhar as vitrines das lojas com etiquetas famosas e se ver cercada por mulheres bem-vestidas. No era
consumista, mas parou para olhar as vitrines, consciente de como saa perdendo na comparao com as atendentes das lojas e as mulheres ao redor.
         Sim, seria divertido comprar roupas novas. Divertido mas, graas a Monika, impossvel, disse a si mesma. Acelerou o passo para alcanar o novo chefe, o
co-monarca de Dhurahn. Ainda no tinha certeza se conseguiria se acostumar a dirigir-se a ele informalmente, chamando-o de Drax. S esperava estar tomando a deciso
acertada e no estar pulando de uma opo ruim para outra potencialmente pior - por que era bvio que no podia mais mudar de idia. Drax estava de posse de seu
passaporte e ela no tinha dinheiro.
         Adiante, pequenos carros eltricos aguardavam.
         - Eles nos levaro direto  pista de decolagem Kal - informou-a Drax, de forma casual, sendo conduzido no primeiro carro. Acompanhada pelos mesmos oficiais
que os escoltavam no aeroporto, Sadie foi forada a seguir em outro carro.
         Um grupo de oficiais uniformizados e trajando tis tradicionais os esperava quando os carrinhos pararam. Sadie os viu fazerem reverncias respeitosas a
Drax, que simplesmente inclinou a cabea, indicando sem sombra de dvida quem era a pessoa mais importante ali.
         Um lindo tapete imaculado ia da sada at o p das escadas de um jato resplandecente esperando na pista de decolagem, com uma cobertura para proteg-los
do sol. Essa experincia de viagem era nica.
         Os oficiais com trajes tpicos cercaram Drax, os mantos de seda escura flutuando ao vento, enquanto escoltavam at o avio. A escolta de Sadie consistia
num pequeno grupo de homens usando tnicas brancas, calas tradicionais largas e cintos ricamente bordados com a insgnia da famlia real de Zuran. Um deles carregava
sua mala surrada. Parecia ter entrado um mundo paralelo, desconhecido, e teve que admitir sentir-se completamente fascinada.
          Vrios homens elegantemente uniformizados, parecendo pilotos e membros da tripulao, esperavam ao p da aeronave. Como os oficiais, tambm se curvaram
respeitosamente e Sadie notou um indiscutvel sotaque australiano na voz de um deles ao ouvi-lo murmurar, respeitosamente, "Alteza".
         Quando Drax comeou a subir as escadas, Sadie retraiu-se. Era como se ela no existisse, como se ele tivesse esquecido sua presena. A garganta apertou
e de repente, sentiu-se muito sozinha e desprezada.
         Como se adivinhasse seus sentimentos, Drax voltou-se para olh-la. Embora no dissesse uma palavra, ela se pegou subindo as escadas a seu encontro, como
compelida pelo poder que dele emanava. Os olhos verdes tinham uma intensidade, um comando que exerciam um poder sobre ela como os dos mgicos dos contos rabes.
Um homem assim podia ser perigoso para uma mulher como ela, uma voz interior a avisou, mas Sadie recusou-se a prestar ateno. Esse era o sculo XXI e ela era uma
mulher muito moderna para mergulhar em fantasias tolas sobre homens do deserto, poderosos e sensuais e o efeito que causavam no sexo feminino.
         Assumindo uma expresso profissional, seguiu Drax. Dentro, o jato era totalmente diferente de qualquer aeronave em que j voara. No havia fileiras de cadeiras
e sim um grande espao, as paredes pintadas num tom suave cinza-azulado, o cho coberto com tapete bege, e vrias poltronas modernas de couro, artisticamente colocadas
em torno de uma grande mesa preta com um computador, onde Drax j trabalhava.
         Um comissrio uniformizado a conduziu a uma poltrona, informando-a da existncia de uma tela de TV camuflada na parede  frente e oferecendo-lhe um controle
remoto e fones de ouvido.
         - Do lado oposto, encontrar um quarto de hspedes e banheiro, caso prefira descansar. Entretanto, a durao do vo para Dhurahn  de apenas uma hora e
servirei champanhe e canaps antes de decolarmos, seguidos por uma refeio. Se tiver alguma preferncia...
         - No, nenhuma - respondeu, tentando manter-se ereta na borda da poltrona de couro, numa postura profissional, resistindo  tentao de aconchegar-se no
conforto luxuoso. A poltrona era desenhada de forma a convidar o corpo humano a abandonar-se numa pose sensual, langorosa, que no julgava apropriada para uma funcionria
em perodo de experincia.
         No telefone, Drax voltou-se para admir-la enquanto esperava Vere atender. Ela parecia insegura e levemente fascinada. timo! Queria ter certeza de mant-la
sob seu domnio e a ligeira apreenso por ela demonstrada reforava a confiana no que ele fazia. Tinha certeza de que ela no falava rabe, mas, por via das dvidas,
voltou-se novamente, mantendo a voz baixa ao responder ao irmo.
         - Vou deixar Zuran, Vere, e levo um presente muito especial para voc. Talvez voc adivinhe o que  quando eu disser que seu preo  maior que o de rubis.
- Quando o irmo no respondeu, Drax acrescentou: - Encontrei a esposa temporria perfeita para voc e estou levando-a comigo para Dhurahn.
         - O qu? Drax riu.
         -  verdade. Encontrei uma esposa para voc, perfeita para nosso objetivo. Espere at v-la.
         - S vou mesmo ter tempo de v-la. Parto para Londres assim que voc chegar.
         Vere parecia mais incrdulo que satisfeito com a novidade, admitiu Drax, desligando o telefone. Franziu o cenho ao olhar disfaradamente para Sadie, ainda
lutando por manter-se ereta numa poltrona desenhada para reclinar. Parecia insegura e ligeiramente estressada. O irmo era um homem que gostava de mulheres elegantes,
refinadas, e, no importa o quanto perfeita fosse em outros sentidos, em termos de aparncia pessoal, no estava vestida ou penteada de forma a atrair Vere.
         Ao notar que estava sendo observada, Sadie respondeu ao olhar, corando ao ver o jeito como ele a analisava. No era um olhar lisonjeiro - pelo contrrio
- e o rosto comeou a queimar.
         - Tenho alguns compromissos profissionais antes de decolarmos. Mas no levar mais de meia hora. H uma sute privada atrs do escritrio, que inclui um
quarto e um banheiro.
         - J sei. O comissrio me informou - interrompeu-o, apressada, sem saber se parecia to perturbada e desconfortvel quanto se sentia. A verdade  que no
estava acostumada a homens sexies e poderosos comentando, com voz sensual, sobre quartos e banheiros  disposio, caso necessitasse.
         O agora familiar gesto de levantar uma sobrancelha escura assinalava a reao desdenhosa  sua interrupo.
         - Excelente. Compreendo ter deixado a residncia dos al Sawar com pressa, portanto pode querer refrescar-se e mudar de roupas antes de nossa chegada em
Dhurahn, quando espero poder apresent-la a meu irmo antes de sua viagem a Londres. Ali vai mostrar-lhe os aposentos e levar sua mala, caso precise. E agora, se
me desculpar, preciso cuidar de um assunto que negligenciei.
         Ele a deixaria sozinha no avio? Precisou lutar para no saltar da poltrona e agarrar-se a ele, implorando para no abandon-la. Abandon-la? Um homem que
mal conhecia? Que comportamento ridculo!
         Mas ele assumira o controle de sua vida, reconheceu ao ver Ali fazer uma reverncia quando ele saiu da sala, recebendo como resposta outra daquelas inclinaes
de cabea. E, ao sair, deixou-a sozinha em meio a um estilo de vida no qual se sentia totalmente deslocada e insegura.
         Estava sendo supersensvel ou ele lhe indicara que ela precisava urgentemente mudar de roupa? Mencionara que ela encontraria o irmo dele. Encontraria ou
seria inspecionada e rejeitada devido  sua aparncia? E isso importava? O fato de sentir-se mortificada diante da idia de no ser considerada elegante o suficiente
para trabalhar para os monarcas de Dhurahn lhe disse que sim. Ainda assim, no desprezara sempre a atitude de homens como o padrasto, que julgavam os outros pela
aparncia e bens materiais?
         Havia uma enorme diferena entre ser julgada pela beleza ou ausncia de beleza e ser considerada desleixada e largada, disse a si mesma. Para ser honesta,
sabia que a maioria dos empregadores do setor financeiro preferia funcionrios elegantes e profissionais.
         Pegou a maleta de mo, com a inteno de procurar um espelho para checar se estava to horrvel quanto comeava a se sentir, mas os dedos ficaram imveis
na ala quando Ali se materializou ao seu lado, segurando uma bandeja contendo uma taa de champanhe borbulhante e um prato de canaps de dar gua na boca. Diante
da viso da comida o estmago roncou, mas Ali fingiu no ter notado.
         - Sua Alteza me informou que a senhorita pode querer usar a sute de hspede. Permita-me mostr-la. - Ele inclinou-se e pegou-lhe a maleta de mo antes
que ela pudesse impedi-lo, deixando-a sem outra opo exceto caminhar obediente ao seu lado. Ela foi guiada atravs da rea que fazia as vezes de escritrio e sala
de estar por um estreito corredor at um par de portas fechadas.
         - Essa  a sute de hspedes - informou, abrindo a porta ao mesmo tempo em que carregava a bandeja e a maleta. - A porta ao lado  da sute particular de
Suas Altezas.  mantida sempre fechada, a no ser que eles dem ordem para abri-la.
         Um aviso sutil para que no pensasse em espiar como era a sute real?, pensou, enquanto Ali mantinha a porta aberta para que ela entrasse.
         Para sua surpresa, havia no apenas uma grande cama de casal, mas uma parede de armrios, uma penteadeira, duas poltronas e uma mesinha. No banheiro, um
chuveiro e uma pia.
         Sadie olhou o chuveiro. A idia de tirar a poeira de Zuran dos cabelos e do corpo era tentadora - no apenas porque a pele estava suada, depois da caminhada
sob o sol. Mas, metaforicamente, seria benfico comear, limpa e fresca, uma nova vida e um novo emprego.
         Precisaria mudar de roupa. No fazia idia de onde estava a mala, mas como se lesse sua mente, Ali colocou a bandeja na mesa, a maleta debaixo e depois
abriu um armrio onde suas roupas estavam penduradas, evidenciando o deslocamento em ambiente to luxuoso. Um pouco como ela prpria?
         - Obrigada, Ali.
         - Gostaria que eu lhe preparasse o banho?
         - O qu? Ah, no... Cuido disso, obrigada.
         Era tolice sentir-se to fascinada. Os al Sawar tinham vrios empregados e a empregada pessoal de Monika fazia tudo para ela, inclusive preparar-lhe o banho.
         Era seguro tomar banho agora, enquanto ainda estavam no solo? O que aconteceria se decolassem enquanto tomava banho? Imaginou a gua espalhando-se por todo
lado, arruinando os tapetes e talvez inundando a sute real proibida. Olhou insegura para Ali
         - Algum problema se eu usar o chuveiro agora - perguntou pouco  vontade. - Quero dizer, antes de decolarmos?
         - Nenhum - assegurou-lhe, solene. - O avio no decola at Sua Alteza voltar a bordo. Informarei que a senhora est usando o chuveiro e ele avisar o comandante.
         Se fosse gil, teria tempo para tomar um banho e vestir-se antes de Drax retornar. Ficaria orgulhosa de apresentar-se banhada e penteada.
         - Obrigada, Ali - voltou a agradecer. - Ento vou me banhar e mudar de roupa.
         - Pode me chamar caso precise de algo mais. Talvez mais champanhe?
         No havia tranca na porta do quarto - mas, afinal, no tinha necessidade de se trancar. Sempre observara que os empregados de al Sawar eram respeitosos
e educados e Ali lhe dera a impresso de ser confivel.
         Cinco minutos depois, entrou debaixo do chuveiro, desfrutando a gua quente na pele. Ao ver os finos gros de areia escorrerem com a gua pelo ralo, mudou
de idia e resolveu lavar os cabelos, mesmo que isso significasse demorar mais tempo no banho do que planejara, e fazer uma trana.
         DRAX franziu o cenho ao ver a fileira de jovens bem vestidas entregando as sacolas a seus empregados.
         Comprou o que julgara mais apropriado - no apenas para uma jovem prestes a fazer parte do quadro de funcionrios da casa real de Dhurahn, mas tambm para
a futura noiva de um dos monarcas. Acertar o tamanho no fora um problema. Tinha experincia o bastante para calcular-lhe as medidas. Mas, como garantia, pedira
s lojas que fornecessem os sapatos que sugeriam combinar melhor com as roupas em dois nmeros diferentes. Agora ela teria um guarda- roupa adequado a uma jovem
bem-vestida o bastante para atrair o olhar do exigente irmo, bem como algumas jias discretas e um relgio Cartier.
         Drax entrou no jatinho e os comissrios fecharam as portas.
         - Onde est a srta. Murray? - perguntou a Ali quando ele lhe ofereceu uma taa de champanhe, que recusou.
         - Ela me perguntou se tinha tempo para tomar um banho antes da decolagem.
         Drax olhou o relgio.
         J devia ter sado do chuveiro. Levantou e dirigiu-se ao quarto de hspedes. No tinha inteno de avisar Sadie sobre seus planos, mas teria que inventar
uma desculpa aceitvel para as roupas novas que comprara e assegurar-se de que ela as usaria de agora em diante.
         Sadie estava curvada no cho, enrolada numa grande toalha de banho, examinando a mala quase vazia em crescente agonia, procurando por uma calcinha que deveria
estar ali, mas que no fora capaz de encontrar. No ouviu a breve batida na porta. Drax abriu e entrou.
         O choque de v-lo fez com que se levantasse. O p prendeu a barra da toalha que escorregou, deixando-a totalmente nua.
         Por uma frao de segundo, nenhum dos dois se mexeu. Sadie no conseguia respirar, quanto mais pegar a toalha. Mas os seios macios e redondos ergueram-se
ligeiramente, movidos pela respirao, enquanto os mamilos ainda midos, e quase dourados devido  discreta iluminao, intumesceram levemente. Mas no to levemente
a ponto de Drax no notar como ficaram duros to rpido, um enrijecimento recproco e bem mais sutil do que o de seu prprio corpo.
         Sem desviar os olhos, entrou e fechou a porta. O suave barulho, trancando-os na privacidade silenciosa do quarto, fez com que as veias do pescoo de Sadie
saltassem. Emitiu um som, um protesto que no era um protesto e sim um gemido de fmea, os olhos arregalando-se ao ver Drax dar um passo em sua direo.
         Parecia ter se transformado em duas pessoas diferentes. Uma delas, a Sadie que conhecia, forava-a a pegar a toalha e esconder a nudez e a vulnerabilidade.
Mas a outra Sadie, uma Sadie que a deixava atnita, no a ouvia, preferindo manter-se onde estava. Sentiu apenas a conscincia puramente feminina do poder do corpo
nu e o direito de aceitar a homenagem do homem que admirava cada curva e detalhe com um olhar crtico e experiente.
         Ela nunca parara para pensar no corpo como um objeto de beleza artstica antes, e a Sadie que conhecia horrorizou-se com o pensamento. Mas a outra Sadie
orgulhou-se de assumir o comando da ateno de tal homem. Bem poderia ser uma escrava, obrigada a ficar parada diante de um homem que a compraria para satisfaz-lo,
disse a si mesma, tentando reprimir esse lado novo e rebelde de si mesma que a envergonhava. Mas, em vez disso, aquela Sadie debochou de sua covardia e sussurrou
que uma escrava podia comandar seu mestre, se tivesse coragem. Poderia dar-lhe tanto prazer que ela seria quem o escravizaria - para que ele fosse comandado pelo
prazer e adorasse a sensualidade que ela despertava. Tal mulher saberia como tentar e atormentar um homem at que ele s pensasse em possu-la; at que a escravido
submetesse ambos; at que ele ficasse acorrentado a ela pelas invisveis cadeias do prprio desejo como ela estava acorrentada no mercado para sua inspeo.
         A cada pensamento, a outra Sadie transformava a antiga Sadie na nova, e a barriga moveu-se eroticamente, a respirao ofegante e os mamilos completamente
intumescidos.
         Ele tinha ido contar sobre as roupas que comprara, mas a verdade, decidiu, era que ela no precisava de roupas. Era perfeita nua. E a batida acelerada do
corao fez eco  potncia dos pensamentos.
         Apenas suas mos deveriam cobrir tal perfeio, explorando cada centmetro acetinado da pele macia; e seus lbios, rendendo-lhe a homenagem de sua fome
masculina. Ela deveria ter o gosto das frutas de seu pas, cerejas, mergulhadas num creme adocicado que se desmancharia na lngua, deixando a lembrana de sua maciez
de veludo e perfume quente. A pele era to alva quanto a areia do deserto  luz da lua, os mamilos rosados como as sombras da aurora nas montanhas e, abaixo, o sexo
entre suas pernas, to delicadamente escondido quanto os vales secretos nas montanhas, ocultos dos olhos dos homens.
         Se fosse sua, ordenaria que sempre viesse at ele nua. Construiria uma casa para ela com um ptio isolado, o cho coberto dos mais macios tapetes para que
ela pudesse caminhar sem danificar as solas macias dos ps. Plantaria rosas e flores perfumadas para que quando a possusse sentisse o odor das ptalas, esmagadas
sob seu corpo, inundando o ar. Ela seria dele quando e como ele quisesse.
         Mas no lhe pertenceria. Fora escolhida para o irmo.
         Com um movimento gil, pegou a toalha e estendeu-a.
         - Cubra-se.
         Ao ouvir a ordem, Sadie saiu do encantamento to pouco familiar, de volta  realidade e ao humilhante constrangimento da nudez.
         Pegou a toalha, segurando-a diante de si, o rosto em chamas.
         - Voc deveria ter batido - disse, zangada.
         - Bati. Quando no respondeu, presumi... erroneamente... - Os olhos estreitaram-se. - Ou talvez tenha presumido certo. Pelo menos no que lhe diz respeito.
         Levou vrios segundos at compreender o significado das palavras. Quando compreendeu, o rosado embaraado do rosto transformou-se em vermelho de raiva.
         - Se est tentando sugerir que eu queria que voc entrasse... Bem, eu no queria - foi direto ao ponto, quando ele nada disse. - E agora, por favor, gostaria
que sasse enquanto me visto. - No estava em condies de lhe dar ordens no avio dele, mas no havia como aceitar que ele a acusasse injustamente.
         - Precisa ser rpida. Vim avisar que vamos decolar. Voc precisa estar sentada e com o cinto de segurana.
         - Pode deixar. Estarei pronta em dois minutos.
         - Estava procurando algo quando entrei?
         - Nada importante. - Por nada no mundo diria que a empregada de Monika se esquecera de colocar a roupa ntima na mala. No apenas algumas, mas todas.
         - No podemos perder mais tempo. Tem um roupo no banheiro; vista-o.
         Era bvio que no sairia do quarto sem ela. Hesitou mas, ao ver o olhar irritado, enrolou-se na toalha e apressou-se em pegar o roupo que deveria ter colocado
antes.
         Enquanto estava no banheiro, Drax olhou a cama. Se tivesse seguido seus instintos, ela estaria deitada, os olhos fechados de prazer, o corao batendo na
pele delicada enquanto ele a beijava e acariciava at ela abrir-se para ele e implorar-lhe que a possusse. Mas ele no tinha o direito de possu-la. Esse prazer
pertenceria a Vere - se ele assim decidisse.
         Quando Sadie saiu do banheiro, vestida com o roupo, ele esperava com a porta aberta; o rosto fechado.
         Ele ia dizer que mudara de idia e no tinha emprego nenhum? Ficou assustada ao reconhecer que no queria ouvi-lo dizer isso.
        CAPITULO CINCO
         - CHAMPANHE? - ofereceu, seco.
         Que coisa mais absurda! Beber champanhe, usando um roupo, reclinada numa poltrona cara de couro na companhia de um homem muito rico e perigosamente bonito!
Era o oposto de sua vida normal.
         - No, obrigada - respondeu, lacnica. J tinha notado as sacolas ocupando quase metade do cho da cabine e os olhos entristeceram, com uma emoo que no
queria admitir, ao pensar na mulher a quem se destinavam e o papel que devia ocupar na vida de Drax. O papel que, sem dvida, seu novo e estranho "eu" ansiava por
ser seu!
         Sadie sentiu uma onda de culpa. E claro que ele devia ter uma amante. Talvez mais de uma, se considerasse a quantidade de sacolas na cabine. O que ele fazia?
Convocava cada uma delas a passar a noite com ele seguindo uma escala preestabelecida? Morariam todas juntas, num luxo opulento num harm ao estilo antigo, a beleza
admirada por um nico homem, o nico foco de sua vida sendo agrad-lo e s a ele? Como seria viver assim? Entregar-se to completamente ao prazer de um homem? Passar
cada hora do dia preparando o corpo para ser possuda de todas as formas? No estava preparada para o arrepio que a percorreu, convulsionando-a em pequenos espasmos
to ntimos que a fizeram gemer, chocada. Imediatamente Drax a fitou.
         - Tem medo de avio? - perguntou, srio. Bem, essa era uma maneira de colocar as coisas, pensou, mas meneou a cabea. "Medo" no era exatamente a palavra
para descrever a emoo que a possura. Cime era mais apropriado.
         Cime? Das mulheres do harm desse homem? Enlouquecera?
         - Ento, por favor, coloque o cinto de segurana. Vamos decolar.
         Antes que ela obedecesse, ouviu o barulho dos motores preparando-se para correr e erguer-se no cu do incio da tarde. Pde ver os prdios do aeroporto,
a cidade, depois fizeram uma curva rumo ao cu estrelado.
         - Agora pode tirar o cinto. Ali vai servir uma refeio leve em breve, mas primeiro preciso discutir um assunto com voc.
         Ento era isso. Iria dizer ter mudado de idia.
         - Ocorreu-me que Monika no apenas reteve seus salrios, mas tambm parte de seus bens pessoais, incluindo suas roupas. Por esse motivo, decidi ser no
apenas necessrio, mas adequado, substituir seu guarda-roupa como parte de seu salrio. Compreender, j que trabalhar diretamente comigo e com meu irmo, preparando
a documentao para o estabelecimento de nosso pas como um novo centro financeiro, que sua aparncia deve estar de acordo com a importncia do projeto. Em meu pas,
um homem vale pelo que , mas apesar disso, espera-se que sua aparncia imponha respeito aos que o cercam. O mendigo nunca ser ignorado ou lhe recusaro esmolas,
mas no ser convidado a sentar ao lado do monarca. Compreendo que em seu pas no  normal um empregador fornecer  funcionria um novo guarda-roupa, mas aqui seguimos
regras diferentes. Portanto, espero que entenda a necessidade de lhe dar algumas roupas que considero essenciais ao papel que desempenhar. - Ela no leria,  claro,
nas entrelinhas do que dizia, j que no fazia idia de seus reais planos.
         - Est dizendo que me fornecer roupas para o trabalho? - perguntou, insegura.
         - Sim. Embora as roupas que comprei sejam suas para usar sempre. Na verdade, quero deixar claro que voc ser solicitada a faz-lo.  importante passar
uma boa impresso, mesmo quando no estiver trabalhando.
         Sadie sabia que os clientes, nessa parte do mundo, podiam ser muito exigentes e muito rigorosos sobre suas exigncias, e sentiu alvio por ele no estar
dizendo, como temera, ter mudado de idia.
         - Presumo que o custo ser deduzido do meu salrio.
         - No  minha inteno. Enquanto jantamos, Ali vai desembrulhar tudo para voc, mas peo que selecione uma roupa para usar quando pousarmos e for apresentada
ao meu irmo. Sugiro o conjunto bege. Seria uma boa opo.
         Ao falar, Drax meneou a cabea na direo do amontoado de sacolas. Sadie olhou primeiro as sacolas e depois para ele, antes de perguntar, tmida:
         - Voc no est... Quero dizer, tudo? No pode estar dizendo que tudo isso  para mim! - Mas percebeu ser, pela expresso dele.
         Ele deu de ombros.
         - No sabemos a quantos eventos formais ser obrigada a comparecer. Naturalmente, exigiremos que esteja vestida de modo apropriado em todas as ocasies.
         No podia acreditar no que acontecia. Nem podia tirar os olhos das sacolas enquanto Ali os servia. Depois, enquanto comia uma refeio que poderia fazer
parte de um restaurante cinco estrelas, Ali comeou a levar as sacolas para o quarto.
         - Comprei algumas malas para caber tudo. Com certeza, voc no gostaria de chegar carregando um monte de sacolas de compras. Meu irmo  um homem extremamente
meticuloso que valoriza a eficincia e organizao acima de tudo.
         - Vou me lembrar disso - respondeu, obediente, mesmo com a mente muito longe. Um vestido de um estilista? Nunca possura nem um batom de uma marca famosa,
quanto mais um traje.
         Se outro homem lhe oferecesse um guarda-roupa de etiquetas famosas, a suspeita cresceria. Mas no apenas Drax demonstrara no estar interessado num relacionamento
fsico ntimo, mas ela tambm sabia, atravs de Monika, que homens ricos naqueles pases no achavam nada demais gastar quantias obscenas de um jeito que no acontecia
no Ocidente. Ouvira histrias de patres presenteando funcionrios com relgios de ouro ou comprando uniformes para os empregados e mudando-os num piscar de olhos
por terem visto outros de que tinham gostado mais.
         Apesar disso... Sadie olhou os logotipos das poucas sacolas restantes e engoliu em seco. Um conjunto bege no seria o nico item de etiqueta famosa em seu
novo guarda-roupa. S esperava que as roupas coubessem nela.
         ENQUANTO SADIE esperava para descer a escada do jato, alisou a delicada saia de seda bege. Caiu-lhe perfeitamente. E, do que vira de seu novo guarda-roupa,
todas as peas eram em cores que combinavam perfeitamente com ela - bege e cinza-claro, linho branco, sedas maravilhosas em tons de chocolate e, felizmente, nada
de rosa-choque e estampas que odiava.
         Esse conjunto com fios dourados e debruado em renda antiga tinha um corte simples e, no entanto, era de uma elegncia que a fazia caminhar num porte altivo.
Estava contente de ter tido tempo de colocar um pouco da maquilagem que encontrara guardada no ncessaire.
         S a nova bagagem devia ter custado uma pequena fortuna. Era bem mais sofisticada que qualquer coisa que poderia pagar. Olhou os sapatos de salto alto com
tiras e perguntou-se, apreensiva, se o irmo de Drax ia aprovar sua contratao. Olhou hesitante para Drax, parado a alguma distncia, conversando com o comandante.
         At ento ele no dissera uma palavra sobre sua transformao ou sobre o conjunto, embora a tivesse examinado quando entrou, encabulada, na cabine principal.
Isso significava estar satisfeito com sua aparncia ou no? No ia admitir nem para si mesma ter ficado desapontada com a ausncia de comentrio. Ele era seu chefe,
nada mais, e no havia motivo para comentar nem razo para ela desejar que ele o fizesse.
         - Pronta?
         Ocupou-se tanto em recusar-se a admitir desejar sua aprovao que no percebeu que ele terminara de falar com o comandante e caminhava em sua direo.
         - Estou. Eu... eu coloquei o conjunto bege, como sugeriu. Espero que seu irmo...
         - Est timo.
         Ela prendera os cabelos e vrios fios escapavam da nuca. A seda tocava-lhe o corpo, sensualmente, como um amante. O tecido em si j lhe dava vontade de
toc-lo - e toc-la. Tomara cincia dessa necessidade assim que ela entrara na cabine, olhando-o com olhos ao mesmo tempo inseguros e encabulados, como se esperasse
uma resposta. Que resposta? Que ele dissesse estar altamente desejvel? No poderia faz-lo, mas teve vontade. Queria dizer-lhe como a achava sexy.
         No! Ele a tinha escolhido para Vere. Mas aquela roupa talvez no fosse a melhor escolha para o primeiro encontro. O tecido macio delineava sua sexualidade
e isso no agradaria a Vere. Devia ter escolhido algo com corte mais conservador, disse a si mesmo, esperando Ali abrir a porta da cabine.
         - QUANDO ME disse ter comprado bagagem para as roupas, no me dei conta... Quer dizer...
         Sentados no banco de couro traseiro do Bentley, dirigido por um motorista, foram levados para o palcio atravs de uma avenida larga, tendo o mar de um
lado e as luzes da cidade do outro. A avenida era ladeada por palmeiras, os troncos decorados com minsculas luzes que revelavam os canteiros de flores imaculados.
No era o nico carro na estrada, mas a bandeirola real no capo garantia que os outros carros lhe dessem passagem, portanto seguiam em alta velocidade.
         Drax mal se dirigira a ela desde o desembarque e ela no superara ainda o choque de ver cerca de meia dzia de malas de couro bege, novas em folha, serem
colocadas no carro e saber conterem suas roupas novas.
         - J expliquei a situao quanto  minha deciso de fornecer-lhe um novo guarda-roupa. Assunto encerrado.
         Drax nem a olhou ao falar e era bvio que no pretendia conversar, mas apesar disso precisava lhe fazer algumas perguntas.
         - Gostaria de discutir o local onde vou morar enquanto trabalhar para vocs. Se for um apartamento do governo, o aluguel ser...
         - Voc vai ficar no palcio e no pagar aluguel.
         - No palcio? Quer dizer, com voc? - No momento em que as palavras escaparam, percebeu como soaram desajeitadas e teve vontade de apag-las, mas era tarde
demais. Drax virava-se para ela. No escuro do carro o rosto, iluminado pelas luzes da rua, era arrogante. Sentiu desejo de passar o dedo pelos seus traos. A pele
deveria ser quente, o formato sensual da boca macio ao toque...
         - Quero dizer que ser instalada na ala das mulheres, dentro do complexo do palcio.
         - Ala das mulheres? Quer dizer que ficarei num harm?
         Seria fruto de sua imaginao o olhar que parecia soltar fascas?
         - Os homens de minha famlia, por geraes, so monogmicos e fiis  nica esposa escolhida. Essas fantasias podem excitar sua imaginao, mas no se aplicam.
No h um harm dentro dos muros do palcio. Alm do mais, vivemos numa sociedade livre em Dhurahn. Nosso povo pode venerar o deus que quiser; respeitamos as crenas
religiosas. Contudo, preservamos a tradio de manter uma ala separada para as mulheres. Nossas hspedes femininas sentem-se mais  vontade sabendo que seus costumes
sero respeitados.
         - Mas no sou uma hspede e sim uma funcionria...
         - Voc trabalhou em Zuran, logo deve saber que o monarca conduz os negcios administrativos do palcio, ao mesmo tempo sua residncia e de sua famlia.
O mesmo ocorre em nossa famlia, bem como oficiais graduados e suas famlias moram e trabalham no palcio. No h nada de extraordinrio em voc residir dentro do
complexo. Na verdade, seria considerado estranho se no residisse. Aqui, s existe um motivo para um homem colocar uma mulher em seu prprio apartamento - e, embora
isso possa ser um arranjo profissional, eu no acredito que voc deseje ser associada a esse papel.
         O rosto de Sadie comeou a arder ao ouvi-lo. Ele conseguira faz-la sentir-se ao mesmo tempo ignorante e ingnua por desconhecer os costumes da regio.
         Enquanto conversavam, o carro parou do lado de fora de um par de portes de ferro enormes e lindamente decorados, exibindo um par de paves, as caudas abertas
e salpicadas com pedras coloridas. Seriam jias verdadeiras?, pensou, quando os portes se abriram e guardas uniformizados saudaram e fizeram reverncias.
         Vislumbrou um grande ptio, atrs do qual uma escadaria de mrmore bege conduzia a um prtico ladeado por colunas e um par de imensas portas de madeira.
         No momento em que o carro parou ao lado das escadas, as portas se abriram e uma fileira de empregados apareceu, todos usando o mesmo uniforme.
         Era como colocar os ps nas pginas de um livro de histria. O tipo de luxo que nunca imaginara experimentar. Isso teria, na pior das hipteses, a apavorado
e, na melhor, a deslumbrado, mas ao parar perto de Drax, ouvindo-o cumprimentar cada um dos homens e observar os sorrisos, reconheceu que havia grande respeito e
afeio entre o co-monarca de Dhurahn e aqueles que o serviam.
         - Meu irmo? - ouviu-o perguntar.
         - Alteza, Sua Alteza pede desculpas por no estar aqui para receb-lo. Est em seus aposentos particulares e pediu que o senhor fosse a seu encontro assim
que possvel.
         Drax franziu a testa. Seria uma grave quebra de protocolo levar Sadie aos aposentos privados de Vere e estava desapontado por Vere no vir saud-los, para
que pudesse presenciar o assombro do irmo ao v-la.
         - Por favor, conduza a srta. Murray  ala feminina e providenciem para que seja confortavelmente instalada enquanto converso com meu irmo - instruiu um
dos empregados, antes de voltar-se para Sadie. Ela parecia calma e  vontade, demonstrando ao mesmo tempo simpatia ao inclinar a cabea e sorrir para os empregados,
mas distanciamento suficiente para exigir respeito. Vere apreciaria essa qualidade, aprovou Drax e tocou-lhe de leve o brao.
         Sadie ficou surpresa com o toque viril atravs do tecido fino da jaqueta, o que afugentou o cansao e fez seu corpo inteiro contrair.
         - Preciso ver meu irmo. Nasim vai escolt-la at a ala feminina. Ser instalada confortavelmente. Sinta-se  vontade para pedir tudo de que precisar.
         Virou-se antes que ela pudesse responder, subindo a enorme escadaria de mrmore que conduzia a uma sacada, fechada por persianas que impediam a viso de
quem estava de fora. Quando olhou para cima, Sadie deu de ombros, sentindo-se de repente muito sozinha e desconfortvel, com a impresso de estar sendo espionada.
         - Por aqui, por favor, senhora. - Nasim curvou-se antes de gui-la rumo a uma porta do hall.
         Era tolo ao extremo desejar que Drax no a tivesse deixado, desejar sair correndo atrs dele e implorar que ficasse com ela. Tolo e perigoso. Fingiria no
ter pensado nada disso.
         - DRAX, SENTI sua falta.
         - Passei menos de uma semana fora. - Sorriu, abraando o irmo.
         - O palcio fica muito quieto quando voc no est, meu irmo - disse Vere com um sorrisinho. - Lamento no ter podido lhes dar as boas-vindas, mas estou
me preparando para partir para Londres. O principal encontro foi antecipado, e, nesse estgio das negociaes achei que no deveria fazer objees.
         - Fiquei desapontado por no poder presenciar sua reao  noiva que encontrei para voc.
         - Eu a vi no hall.
         A suspeita de que o irmo estivesse espiando confirmou-se.
         - Ela  bem adequada a nossa proposio, Vere. Educada, inteligente o suficiente, tem moral, carter e  ingnua tambm. S precisa persuadi-la a se apaixonar
por voc e...
         - Ela no  nem loura nem alta suficiente para o meu gosto, Drax. Voc sabe que eu prefiro a elegncia fria das louras.
         - Voc vai casar com ela. No lev-la para a cama.
         - Se eu tiver que persuadi-la a se apaixonar por mim, chegar um momento em que haver pelo menos alguma intimidade entre ns.
         Drax percebeu que Vere o examinava com ateno, mas ficou surpreso ao ouvir:
         - Talvez voc deva casar com ela.
         - No. Eu a trouxe para voc. Prometi que encontraria primeiro uma esposa para voc. Podemos discutir o assunto com mais detalhes na sua volta. Tem alguma
coisa que precise que eu faa? Um resumo das negociaes antes de sua partida?
         - Voc mencionou a oposio de Sir Edward Reeves a nossas propostas e sugeriu que a melhor maneira de lidar com ele seria atravs de um encontro pessoal?
         - Isso mesmo. Falei com o pessoal dele por ocasio de minha viagem a Londres e j tomei as providncias para que voc o encontre. Ele faz parte da velha
escola de diplomatas e teme que uma bolsa de valores aqui possa no operar com a probidade que considera essencial.
         - Colocarei todo meu empenho para convenc-lo do contrrio. E agora preciso ir.
         - Levarei voc at o carro.
         - Para me persuadir a reconsiderar o charme da srta. Murray? - brincou.
         - No. Quando voltar, ser testemunha do charme com seus prprios olhos e no precisar de persuaso.
         SADIE ESTAVA to cansada que quase caiu dormindo, sentada na desconfortvel cadeira baixa - obviamente desenhada para mulheres que estavam mais acostumadas
a sentar-se elegantemente de pernas cruzadas.
         Nasim a entregara a uma mulher gorducha e sorridente vestindo uma verso feminina do uniforme. Apresentara-se como Alama e a conduzira a um salo grande
e luxuosamente atapetado e mobiliado, antes de desaparecer. Vrios minutos depois, uma jovenzinha encabulada que se apresentou como Hakeem apareceu, para perguntar
num ingls inseguro se gostaria de tomar caf. Sadie recusou, sabendo que beber o forte caf local a manteria acordada. Agora, entretanto, comeava a lamentar a
recusa e desejava um copo de gua.
         Quanto tempo teria de ficar ali? At Drax e o irmo a chamarem para ser examinada?
         A porta do salo abriu e Alama entrou, acompanhada de Nasim.
         - Sua Alteza deseja falar com a senhora - informou Alama. Nasim vai escolt-la e, quando voltar, Hakeem estar  sua espera para acompanh-la a seus aposentos.
         Nasim a escoltou pelo caminho antes percorrido, conduzindo-a atravs do hall a uma espcie de escritrio. Drax, sentado atrs de uma larga mesa, o cenho
franzido, estudava a tela do computador.
         - Infelizmente meu irmo precisou partir sem encontr-la - disse, indicando uma cadeira  sua frente. - Demorar vrios dias para retornar de Londres, e
at l...
         Sadie mal podia acreditar no que ouvia. Estava cansada, a cabea doa. Nas ltimas 24 horas perdera um emprego, o salrio a que tinha direito e fora colocada
porta afora. Tinha sido ameaada e virtualmente chantageada para aceitar um emprego noutro pas; depois informada de que seria necessrio vestir-se com roupas de
costureiros famosos a fim de ganhar a aprovao de um homem que aparentemente desaparecera e provavelmente no voltaria to cedo. Isso se de existisse.
         J aturara o suficiente. Na verdade, mais do que suficiente! Empurrou a cadeira e levantou, erguendo-se altiva e dizendo a Drax:
         - At l eu j devo ter retornado a Londres. Voc virtualmente me sequestrou e me chantageou para vir para c. Disse que tinha um emprego e que as razes
de querer me contratar eram estritamente profissionais. Depois exigiu que eu usasse as roupas que comprou para mim para que eu recebesse a aprovao de seu irmo
- embora, quando me ofereceu o emprego, no tenha mencionado a necessidade da aprovao dele. E agora me diz que esse seu irmo no est aqui. Bem, sabe o que eu
acho? - desafiou-o, furiosa. - Acho que esse seu irmo e o emprego que me ofereceu tm muito em comum. Em resumo, nenhum deles existe, exceto em sua imaginao.
- Meneou a cabea, amarga. -  minha culpa, eu sei. Tornei tudo fcil demais, no foi? Depois de minha experincia com Monika al Sawar, eu deveria ter mais juzo
e no ter acreditado em voc.
         Enquanto falava, deixando as palavras iradas interromperem o silncio, Drax tambm empurrou a cadeira e levantou, a expresso revelando o homem autoritrio
e arrogante que controlava o poder de vida e morte sobre seus sditos. Mas era tarde demais para desejar ter sido mais circunspecta. Alm disso, por que no deveria
dizer o que pensava?
         - Se est tentando dizer que acredita que menti para voc...
         - No estou tentando dizer. Estou dizendo - respondeu, mantendo-se firme.
         Ento os joelhos tremeram quando ele cerrou os dentes, reprimindo a fria.
         - No h emprego nenhum, no ? Assim como no h nenhum irmo. E voc me trouxe aqui...
         - Com que finalidade? - Drax interrompeu-a, refletindo ter sido bem melhor Vere no estar presente para presenciar a exploso da jovem. Vere era emocionalmente
controlado, com freqncia distante e muito consciente de sua posio e do respeito que lhe era devido. A fria emocional de Sadie apenas seria mais um indicativo
de que no era a candidata adequada para se tornar sua esposa temporria. Por outro lado, Sadie, obviamente, pensou que Drax tinha um papel bem diferente em mente
para ela.
         Quando ela no respondeu e comprimiu os lbios, abanando a cabea em silncio, ele falou suavemente, deliberadamente pronunciando cada palavra com lentido:
         - Achei j ter deixado claro minha falta de interesse sexual em voc. Todos sabem existir certo tipo de mulher estrangeira altamente excitvel que parece
partir do princpio de que os homens de meu pas so incapazes de resistir a seus encantos.  um tema que muito nos diverte. - Deu de ombros. -  fcil ler nos olhos
delas. H fome e estupidez... No  preciso ser muito inteligente para saber que esse tipo de mulher vem para c fantasiando fazer sexo com um amante rabe.
         Deu novamente de ombros.
         - Existem,  claro, alguns jovens que se divertem em estimular as fantasias dessas mulheres enquanto as ridicularizam pelas costas. Ocorre-me que ao me
acusar repetidas vezes de ter desejos sexuais por voc, pode estar camuflando sua prpria curiosidade sexual.
         Sadie respirou horrorizada.
         - No  verdade! S existe uma razo para eu ter vindo com voc. E a razo  voc ter virtualmente me forado.
         - Eu lhe ofereci um emprego que voc aceitou.
         - Porque me chantageou! Recusou-se a me devolver o passaporte e ainda est com ele.
         -  verdade e pretendo guard-lo at voc ter completado o perodo de experincia como combinado. E deixe-me avis-la: esta  a segunda vez que lana um
tipo de acusao contra mim do qual nenhum homem se safa sem punio. Lembre-se disso, caso se sinta tentada a repeti-la uma terceira vez. Meu irmo, como disse,
foi convocado para uma reunio de negcios urgente. Entretanto, j falei com ele sobre voc e ele concorda comigo que voc ser perfeita para a posio que temos
em mente.
         Era verdade, afinal de contas - mesmo Vere a tendo rejeitado e proposto que Drax  quem deveria ficar com ela. Em parte sentia-se tentado a assumir o desafio
e domar a gata selvagem que ela acabara de provar ser - na cama, onde se certificaria de que ela ronronasse de prazer em vez de ficar mostrando os dentes e as unhas
como fazia agora. Ela certamente o deixara zangado e excitado o suficiente para desejar puni-la pela audcia. Havia uma inesperada rebeldia por trs da mansa e branda
fachada de suas maneiras, percebeu. E que homem digno desse nome no ficaria tentado a explorar esse lado e domar tanto a rebeldia quanto ela?
         Mentalmente ps de lado o pensamento que se insinuara em sua mente. Podia encontrar uma esposa temporria para si sem o menor problema, mas Vere no era
como ele. Tinha a tendncia de recolher-se fechar-se, o que significava no ter facilidade para estabelecer relacionamentos com as pessoas fora da rarefeita atmosfera
em que viviam. A verdade  que o tipo de casamento arranjado entre famlias reais que os monarcas dos pases vizinhos propunham era, provavelmente, o tipo de casamento
que melhor se adaptaria ao temperamento do irmo - embora Vere no quisesse admitir. Nenhum deles gostava de ser forado - ambos tinham uma forte determinao de
ser donos do prprio destino - mas Vere, quando cismava com uma coisa, no podia ser contrariado.
         Ele dissera no querer ser induzido a um casamento diplomtico, o que lhe convinha porque no momento no queria casar de verdade. Embora soubesse que seu
tipo de vida e o mtodo de fazer as coisas parecessem pouco ortodoxos, comparados com a rgida obedincia ao protocolo de Vere, Drax tambm tinha perfeita conscincia
de suas obrigaes e enquanto Vere era o primognito e portava certo rigor e ar de disciplina, como se fosse seu dever assumir o peso das responsabilidades, Drax
com freqncia se considerava o mais velho. Era ele quem entendia melhor as alteraes da vida moderna e tinha experincia. Ele tambm sabia que por vezes protegia
o irmo. Mas para Drax isso fazia parte da relao de gmeos, cuidar do irmo sem jamais mencionar isso.
         Ao decidir que Sadie seria a esposa temporria ideal para Vere, Drax agira como sempre - percebera a necessidade e a potencial vulnerabilidade de Vere e
entrara em campo para garantir a proteo do irmo. Ele no queria reconhecer, quanto mais admitir, que algo em Sadie o atraa fisicamente. No apenas atraa, mas
o enlouquecia! Sadie era simplesmente uma mulher que se encaixava num objetivo especfico e seria recompensada quando tudo chegasse ao fim. Drax julgava haver pouca
diferena em pagar uma amante indesejada e uma esposa temporria indesejada. Ambas deveriam ser afastadas da vida de algum com rapidez, eficincia e o mnimo de
confuso. Outros homens poderiam se entregar  tolice de "se apaixonarem", mas Drax nunca permitiria que isso lhe acontecesse.
         A morte dos pais, principalmente a da me, deixara Vere e Drax expostos  viso antiquada e tradicional, embora bem-intencionada, dos conselheiros reais.
Nenhuma mulher desempenhara um papel proeminente no governo do pas na ltima dcada e eles haviam sido encorajados a desenvolver uma atitude de desprezo em relao
ao amor romntico.
         Drax lanou outro olhar avaliador para Sadie, franzindo a testa ao v-la tentar esconder um bocejo.
         - Foi um dia longo para voc e j  tarde. Vou chamar Nasim e instru-lo a acompanh-la  ala das mulheres. Amanh teremos tempo para discutir, em mais
detalhes, os planos referentes ao meu novo empreendimento.
         SADIE SAIU do sono pesado devagar e relutante ao ouvir o rudo de passos e tilintar da loua. Ao abrir os olhos, ficou a princpio confusa ao no se deparar
com o pequeno quarto desconfortvel no sto da casa de al Sawar.
         E depois lembrou. No estava mais em Zuran e sim no Palcio Real de Dhurahn.
         Sentou-se de pronto na confortvel cama larga, agradecida por ter se dado ao trabalho de vestir uma camiseta limpa antes de ir para a cama. Teria sido por
temer ter o sono interrompido no pela tmida e sorridente Hakeem, que acabava de trazer-lhe a bandeja do caf da manh, mas pelo homem que a trouxera para l?
         Drax. Prncipe Drac'ar ai Karim bin Hakar. S de pensar nele a temperatura do corpo aumentava, e a tornava sensualmente consciente do toque frio da roupa
de cama, sem dvida carssima, contra sua pele de repente to sensvel. Sentia a pulsao irradiar-se por todo o corpo, fazendo com que seus mamilos intumescessem
e os dedos do p se retesassem.
         No devia pensar assim, avisou a si mesma, chocada pela impertinncia de seus pensamentos. Forou-se a prestar ateno a Hakeem, que lhe dizia baixinho:
         - Trouxe seu caf da manh, sheika. Poderia lhe ser til em mais alguma coisa?
         Sheika ? Com certeza no tinha direito a ser tratada com tamanha reverncia. Ou a garota estaria simplesmente tentando ser gentil? Ficou frustrada pelo
fato de seus conhecimentos sobre os costumes do pas serem to limitados. Isso era algo que precisava aprender se fosse morar e trabalhar ali.
         Com os pensamentos de repente agitados, Sadie recusou-se a admitir que os mantinha assim de forma a resistir a cair na tentao de pensar sobre o novo chefe.
         Sorriu para a moa e meneou a cabea.
         - No. Isso est timo. Obrigada.
         - Devo retornar em uma hora para escolt-la aos aposentos pblicos do palcio, onde a senhora est sendo aguardada por um dos assistentes de Sua Alteza
- disse a Sadie cuidadosamente, como se tivesse ensaiado as palavras.
         Sadie deu-lhe outro sorriso. Estava contente por ter algum para lhe mostrar o caminho ao longo dos corredores. Estava cansada demais na noite anterior
para prestar ateno e poderia se perder.
         Tendo Hakeem sado, pulou da cama, atrada pelos raios da luz do sol atravessando as persianas abertas das janelas e curiosa por ver a paisagem do lado
de fora. Tambm se sentira cansada demais para explorar a sucesso de aposentos que lhe foram destinados, mas nesta manh podia ver como o quarto era luxuoso. Sua
decorao era uma mistura de tradicional e
         moderno. A cama era larga e baixa. Um lindo tapete de seda fora pendurado na parede do lado oposto  cama e vrios outros, tambm lindos, espalhados pelo
cho de lajotas. Dois pares de portas duplas abriam-se em paredes opostas adjacentes s janelas. Uma levava para uma espcie de escritrio e sala de estar elegantemente
mobiliado e a outra para uma sala de vestir que dava para um banheiro espaoso e moderno com cho de pedra calcria e uma imensa banheira.
         Pegando o roupo atoalhado que deixara ao p da cama, na noite anterior, Sadie foi at as janelas. Os olhos arregalaram-se de encantamento ao ver o jardim
anexo. Janelas francesas abriam-se para uma rea com piso em lajotas, protegida do sol por uma imensa varanda. Alm, caminhos em mosaico e canteiros contendo uma
grande variedade de plantas da espcie hosta bem como arranjos artisticamente elaborados e rosas brancas. Os canteiros eram rodeados por uma borda de flores brancas
que no reconheceu. No meio do ptio, um chafariz despejava gua numa bacia escorrendo para um lago ornamental de pedra. Enquanto olhava, um peixe de lindas cores,
grande e liso, saltou da gua para pegar uma mosca antes de voltar a mergulhar.
         Mesmo do lado de dentro do quarto, Sadie podia sentir o perfume das rosas. Alm dessa rea fechada, havia uma cerca viva miraculosamente verde, sem dvida
regada por um sistema de irrigao debaixo do solo. Na cerca viva havia uma " passagem" que levava a outros jardins - sendo esse, pelo que podia ver da janela, o
que continha mais rosas e arranjos.
         Sadie nunca estivera em lugar to luxuoso - e ainda mais sensual por ser to discretamente mantido. Pegou a xcara de caf oferecida por Hakeem e bebeu
o caf rpido. Estava quente e doce, embora um pouco forte para seu gosto. Encontrou tambm uma cesta com bolinhos, doces, pes, uma seleo de frutas e uma garrafa
de gua. Mas Sadie no tinha fome. Na verdade, o estmago estava contrado de apreenso ao lembrar-se da conversa que tivera com Drax na noite anterior.
         Dizendo a si mesma que no seria aconselhvel atrasar-se para a reunio com ele, serviu-se de outra xcara de caf, antes de correr para o banheiro.
         Agora, esse era o tipo de luxo com o qual poderia facilmente se acostumar, admitiu ao parar para admirar a banheira espaosa. Contudo, no havia tempo para
relaxar esta manh. Um banho de chuveiro seria mais rpido e provavelmente bem mais teraputica pois no a encorajaria a ceder ao desejo de pensar em Drax.
         Meia hora depois estava pronta: lavara os cabelos. secara-os com um secador e os prendera; vestira o que parecia a mais simples de suas novas roupas - uma
saia de cor neutra de linho com uma camisa branca de mangas curtas, em tecido fino, enfeitado com botes de "pedra" em tom natural nos ombros e no decote "V" pouco
cavado. Sua Alteza, parecia comprara tudo - inclusive, o que acabara de descobrir, dois pares de culos escuros de marcas famosas.
         Ela no tinha idia do que faria com todas essas coisas quando voltasse  Inglaterra. Certamente ele no esperava que ela ficasse com as roupas e as pagasse
com o salrio. Teria de pagar por elas o resto de sua vida til, a julgar pelas etiquetas. Mas talvez, para um homem obviamente to rico quanto Drax, o custo de
fornecer a uma funcionria um extenso guarda-roupa com etiquetas de luxo fosse um bnus insignificante. E as roupas no eram para ela e sim para uma funcionria.
Ela era um adendo visual para um importantssimo empreendimento e, como tal, tinha de projetar a imagem correta.
         Sadie ouviu a porta da sute ser aberta. Era Hakeem, para busc-la. Calando um par de sandlias de vero enfeitadas com conchas, saiu apressada do quarto
de vestir, sorrindo para a jovem que esperava pacientemente por ela.
         - Cus, nunca vou me acostumar com todos esses corredores - disse a Hakeem dez minutos depois, invejando-lhe o andar elegante e ereto enquanto a seguia
atravs de uma srie de corredores pintados de branco que se interconectavam. Adoraria ter tempo para parar e examinar as pinturas e trabalhos de arte, com suas
cores ricas e vivas e as linhas esculpidas, mas Hakeem obviamente no queria que ela se demorasse. Como a equipe domstica contratada pelos ricos em Zuran, Hakeem
era indiana e to linda e delicada que Sadie sentiu-se desajeitada e deselegante a seu lado, apesar das roupas novas.
         - Foi muito gentil trazer meu caf da manh hoje Hakeem-disse Sadie, agradecendo-a.
         - A senhora gostou? - Hakeem deu outro sorriso encabulado. - E gostou do quarto da Princesa Real?  muito bonito, no ? - perguntou, orgulhosa. - S as
damas da Casa Real de Zuran hospedaram-se nela antes, quando a sheika, me de nossos monarcas, estava viva. Mas isso foi h muito tempo... bem antes de eu vir para
c. Foi antes de eu chegar tambm que a me e o pai de Suas Altezas morreram e todo o pas ficou de luto pela perda. Foi muito triste. Uma coisa to horrvel de
acontecer.
         - Os pais foram mortos?
         - Foi num carro - prosseguiu Hakeem, solene. - Mas no aqui - apressou-se em dizer. - E foi h muito tempo.
         - Que terrvel! - Sadie no pde evitar estremecer ao pensar como devia ter sido terrvel para Drax e Vere saber que algo assim to terrvel acontecera
com os pais.
         - Foi muito triste - repetiu Hakeem. - Todo mundo adorava a sheika, mesmo que ela no fosse de Dhurahn e, como a senhora, viesse de uma terra distante,
a Irlanda.
         Em outra ocasio Sadie teria sorrido ao ver o jeito cuidadoso com que Hakeem pronunciara a palavra nada familiar. Mas como poderia sorrir ao ouvir tamanha
tragdia?
         -  raro ouvir sobre um prncipe rabe casar com uma garota europia - disse a Hakeem, supondo que deveria fazer algum comentrio ao ouvir a histria.
         - Aqui no. Aqui  a tradio - corrigiu-a Hakeem com firmeza.
         Antes que Sadie pudesse question-la, ela indicou um par de portas pesadas e envernizadas  frente e disse:
         - Ahmed estar  sua espera do lado de fora das portas para escolt-la at a presena de Sua Alteza, sheika. - Depois fez uma graciosa reverncia e afastou-se.
         - Hakeem - comeou Sadie, disposta a perguntar o motivo de a empregada dirigir-se a ela daquela forma. Mas era tarde demais. As portas duplas foram abertas
e agora era Ahmed quem lhe fazia uma reverncia.
         Ele a conduziu no para o aposento onde encontrara Drax na noite anterior, mas atravs de um corredor e depois por um vasto aposento decorado de forma excessivamente
luxuosa. A moblia era enfeitada com detalhes dourados e os sofs baixos com vrias almofadas de seda, suntuosamente bordadas.
         No fundo, o piso elevado ostentava dois tronos e Sadie sups tratar-se da sala de audincias onde deveria ter lugar o divan formal - um evento no qual o
povo podia apresentar suas queixas e solicitaes aos monarcas pessoalmente.
         Entretanto, ainda cruzaram outro longo corredor at Ahmed conduzi-la a um saguo quadrado to desprovido de detalhes na arquitetura quanto na moblia e
cujo contraste com os aposentos que vira a fazia pensar em dois copos: um com gua e outro com vinho.
         O piso do hall era ornado com ladrilhos pretos foscos. Uma escada levava a uma galeria superior, o corrimo de madeira cor de bano, a simetria das curvas
to perfeitas e simples que a deixou boquiaberta.
         Aps bater de leve nas portas duplas fechadas e abri-las, indicando que ela deveria transp-las, Ahmed saudou-a e fechou as portas quando ela, hesitante,
entrou. O aposento era to moderno e extraordinrio quanto o hall, s que com o triplo do tamanho. Era uma combinao de sala de estar e escritrio, a moblia feita
da mesma madeira escura das escadas, os sofs e cadeiras abundantes e cheios de estilo.
         Uma imensa janela de vidro dava para o ptio, cercado nas laterais pela moderna arquitetura do prdio, com uma imensa piscina no fundo.
         Assombrada, ficou olhando para a piscina, e s ento percebeu que tinha algum dentro. O corao palpitou com fora ao ver Drax colocar as mos na borda
e pular fora da gua, completamente nu, a pele bronzeada, a gua escorrendo-lhe dos ombros e peito antes de virar as costas para ela, pegando um roupo numa espreguiadeira.
O corao batia com tanta fora que ela precisou respirar mais rpido para acertar o compasso. Ele estava nu? Ou teria sido sua imaginao? Ver de relance a nudez
masculina, antes de ele virar de costas, teria a capacidade de faz-la imaginar coisas? Com certeza ele no nadaria nu sabendo que poderia ser visto. E por que no?,
desafiou-a ama vozinha interior. Ele era um dos prncipes monarcas de um prspero reino rabe e to arrogante que provavelmente fazia exatamente tudo o que tivesse
vontade e na hora que bem entendesse. Quem iria impedi-lo ou question-lo?
         Ele desaparecera de seu campo de viso, mas o ritmo do corao ainda no voltara ao normal.
         - Estava admirando a vista?
         O som da voz s suas costas fez com que girasse, o rosto vermelho. Enquanto estivera espiando o ptio como uma virgem aterrorizada, ele entrara e caminhava
em sua direo, ainda usando o roupo e fazendo uma referncia sutil e debochada ao fato de ela t-lo visto sair da piscina.
         Bem, se ele queria brincar, ela toparia, resolveu, zangada.
         - O efeito  muito bem pensado - respondeu, fria. - Muito clean e espaoso. Gosto das linhas simples e das propores de espao... embora,  claro, todos
saibamos tratar-se apenas de um truque do arquiteto para fazer com que o menos parea mais.
         - E, como a maioria das pessoas de seu sexo, voc sempre opta por mais... no  isso?
         Ele estava pegando pesado, admitiu constrangida, consciente do duplo sentido das palavras debochadas.
         - Fiquei surpresa ao ver uma arquitetura to moderna... - Ela pretendia trazer o sutil duplo sentido da conversa ao fim com a resposta, mas ao ver como
ele a fitava, a expresso denunciou-a. - Quero dizer, tudo isso... - emendou, apresada, meneando a mo na direo do aposento inteiro. -  adorvel, mas... no o
que eu esperava.
         - Ento duas vezes esta manh voc presenciou algo que no estava esperando? - Sadie ficou pasma. O corpo inteiro ardia de desejo. - Quanto embarao! E
tudo por ter visto de relance um corpo masculino desnudo - zombou. - Voc me surpreende. Sadie. Pensei que fosse mais experiente. - Ele deu de ombros. - Peo desculpas
se a deixei constrangida, mas s percebi ter sido conduzida aqui por Ahmed quando j era tarde demais.
         No ntimo, Drax pensava que Vere ficaria satisfeito por ela ficar to facilmente encabulada. Isso demonstrava uma genuna falta de experincia que agradaria
ao exigente irmo. Como lhe agradava? Franziu a testa. Por que ele deveria ter alguma opinio pessoal no que dizia respeito  experincia ou falta de experincia
dela?
         - Ahmed bateu na porta. - Sadie no quis que ele pensasse ter entrado por vontade prpria ou que ela desejara v-lo sair da piscina.
         Drax deu novamente de ombros.
         - No tem importncia. Como j disse, lamento t-la deixado constrangida. Agora vou chamar Ahmed para que traga caf e vou me vestir. Quero lhe mostrar
o prdio que pretendemos usar como sede de nosso complexo financeiro. Selecionamos um terreno de cem acres a ser usado exclusivamente para o setor financeiro. O
prdio principal j foi construdo e est pronto para uso. - E como Vere j dissera, ficariam com ele, sem uso, se as reunies fracassassem e no recebessem o aval
para prosseguir com o empreendimento.
         Embora Drax estivesse coberto do pescoo aos joelhos pelo roupo, Sadie no conseguia esquecer que ele estava nu e que era um homem. Muito macho, por sinal,
se a breve espiadela no a tivesse iludido. No que ela tivesse visto homens nus ao vivo em nmero suficiente para servirem de comparao. Mas ficara bvio que Drax
era "bem dotado", como diziam.
         Drax sabia que a estava deixando embaraada, reconheceu Sadie.
         - No esperava que esse palcio fosse to moderno - confessou, determinada a mudar de assunto antes que a situao lhe fugisse ao controle.
         Ele estava realmente dando um sorrisinho, muito debochado e sagaz para seu gosto, ou seria apenas sua imaginao?
         - No  todo o palcio. Apenas essa nova ala que adicionei e constru para meus aposentos particulares. Meu irmo  um tradicionalista e prefere o estilo
e decorao de nossos ascendentes. Inicialmente, ele no aprovou quando lhe contei o que planejava fazer.
         - Mas ficou maravilhoso! - opinou rapidamente e depois, temendo parecer bajuladora, acrescentou: - Sempre preferi a arquitetura e design modernos.
         - Tem suas vantagens - concordou Drax.
         Por algum motivo, pensava na piscina e no corpo nu novamente. Sentindo-se culpada, apressou-se a perguntar:
         - Como no vou encontrar seu irmo, presumo que no ser preciso vestir o conjunto Chanel hoje.
         - No. Enquanto estiver sozinha comigo, no - concordou Drax.
         O que havia naquelas palavras "sozinha comigo" que fez com que seu corao parecesse prestes a saltar-lhe pela boca? Ela realmente precisava fazer essa
pergunta? A resposta no era bvia? Bastava ver como seu corpo reagia. E aquele sorrisinho de Drax significava que ele adivinhara seus pensamentos? Ah, no, por
favor, rezou. A ltima coisa que queria era que aquele homem arrogante e sexualmente potente soubesse que ela inconscientemente arquivara a imagem do poder fsico
de macho para rev-lo quando estivesse sozinha. Cus, ela ficava chocada s de admitir isso para si mesma, quanto mais para ele.
         - Entretanto - continuou Drax, forando-a a abandonar seus pensamentos delirantes - Dhurahn  um pas bem pequeno. Em breve chegar aos ouvidos do povo
o motivo de voc estar aqui. Existem muitas pessoas independentes, ligadas a servios financeiros europeus, residindo na cidade. Eles se intitulam empresrios...
embora eu esteja ciente de que a imprensa financeira com freqncia prefere referir-se a eles como predadores.
         - Foram convidados pelo seu governo? - perguntou Sadie.
         - No, no esto aqui atendendo um convite nosso. No so o tipo de pessoas que gostaramos de ter aqui. - A boca curvou-se demonstrando desdm. - So urubus.
Como os de sua espcie, possuem um sistema de despertador que os alerta sobre o cheiro de sangue fresco. Entretanto, pode ter certeza de que no vamos lhes permitir
ficarem ricos  custa dos cidados de nosso pas. Devo avis-la de que tudo o que discutirmos  confidencial e deve permanecer em absoluto sigilo.
         - Voc est dizendo que meu contrato de trabalho conter clusulas de penalidade por quebra de confidencialidade?
         Drax fitou-a pensativo. Ela no tinha,  claro, idia do que seu "emprego" seria, nem de quo adequada era sua pergunta. Certamente, quando se casasse com
Vere, ela deveria assinar um acordo pr-nupcial. Era uma pena Vere no poder v-la agora. A blusa que usava marcava sutilmente a maciez e forma de seus seios, a
pele mostrando um ligeiro bronzeado, e Drax ficou satisfeito ao constatar que ela usava pouca maquiagem. Havia ficado encantado com a expresso chocada de seu rosto
quando ele saiu nu da piscina, mas o encantamento o surpreendera quando o corpo reagiu ao saber que ela o olhava. Precisou virar-se de costas rapidamente para esconder
o efeito que ela lhe causava. No deveria,  claro, ter deixado que essa situao ocorresse. Porque com certeza ele tinha ficado excitado. Extremamente excitado.
Tanto que at agora...
         Ela ia casar com seu irmo, lembrou. Estava determinado a cumprir a promessa. To determinado que j dera aos empregados do palcio uma indicao sutil
de seu futuro papel como esposa real ao instal-la na sute real da rea das mulheres.
         - Seus aposentos so satisfatrios? - perguntou-lhe, lembrando-se de seus deveres como anfitrio. - Tem tudo de que necessita?
         - A sute  magnfica - respondeu, com sinceridade. - Mas...
         - Mas?
         - Hakeem, a empregada, insiste em me chamar de sheika, embora eu tenha tentado explicar-lhe que no fao jus a esse ttulo.
         Drax ficou momentaneamente tenso. No seria conveniente que Sadie desconfiasse do que ele planejava antes de ter a oportunidade de ser apresentada a Vere
e ele tinha posto o plano em ao para encoraj-la a se apaixonar por ele.
         Deu de ombros, indiferente.
         -  apenas uma maneira formal de tratamento. Sem dvida ela simplesmente pretende ser gentil. Entretanto, se preferir ter outra pessoa a seu servio...
         - No, no. Ela  encantadora. Ela... ela estava me contando sobre o palcio, sobre sua famlia e... - Sadie percebeu que ele ficou tenso e preocupado,
mas era tarde demais.
         - E?
         - Ela tambm me falou sobre seus pais - admitiu, acrescentando baixinho: - Que tragdia!
         - Sim, de fato. - A resposta de Drax foi to seca que Sadie lamentou ter tocado no assunto. Teria ela, inadvertidamente, tocado numa ferida ainda aberta?
Mas no era bvio que a perda dos pais num acidente horrvel sempre deixaria uma ferida aberta?
         No tivera tato, decidiu-se, culpada.
         - Lamento. No deveria ter mencionado isso.
         Tanto a sensao de culpa quanto o pedido de desculpas foram to sinceros que Drax franziu a testa. No estava acostumado a ser tratado como um ser vulnervel
que pudesse ser ferido emocionalmente. Tomar conscincia da compaixo tocou-lhe um nervo que produziu um eco trazendo  tona a dor antiga e profunda.
         - Minha me no precisava acompanh-lo naquele dia. Mas ela queria estar sempre ao lado do meu pai. Eles eram um casal apaixonado. Ela costumava dizer que
eu herdara as caractersticas de personalidade do seu lado da famlia... era irlandesa.
         - Hakeem me disse. Isso explica por que voc tem olhos verdes,  claro! - Sadie parou abruptamente de falar e colocou a mo nos lbios, consternada.
         - Sim, eu e Vere herdamos os olhos de nossa me. Mas Vere herdou as preferncias de nossos ancestrais paternos. Faz parte de nossa tradio os homens eruditos
demonstrarem interesse em literatura e escreverem poesia clssica. Isso  uma das caractersticas de um prncipe, assim como o amor pela falcoaria e pelo deserto,
e Vere j ganhou renome por sua habilidade como poeta. Eu, por outro lado, embora ame o deserto e respeite as tradies, herdei do meu bisav materno a paixo pela
arquitetura e o design. Nossos pais valorizavam os duplos aspectos de nossa herana por refletirem o que cada um via e amava no outro.
         O que estava acontecendo com ele?, perguntou-se. irritado. No podia acreditar ter falado de forma to ntima a Sadie. Nunca falara sobre os pais, a no
ser com Vere. Confortou-se, pois pelo menos a conversa lhe dera a oportunidade de enaltecer as virtudes de Vere. Se o irmo no estava ali para encorajar Sadie a
se apaixonar por ele, ento ele faria o possvel para que ela se apaixonasse por Vere durante sua ausncia. O fato de ela t-lo deixado excitado no significava
nada, menos do que nada, tranqiiilizou-se, e se acontecesse novamente... E se acontecesse? No aconteceria. Ele pretendia fazer o possvel para tal.
         - Perder ambos deve ter sido quase insuportvel - ouviu Sadie dizer.
         Ser que estava certa em pensar que suas palavras de elogio para o irmo mascaravam um sentimento oculto de que seu irmo tinha sido o favorito por ser
o mais velho?, pensou, penalizada.
         Sadie sentiu-se zangada e imbuda de um sentimento protetor. Seria a arrogncia apenas uma forma de proteo? Como esses aposentos, absolutamente clean
e clinicamente desprovidos de qualquer objeto pessoal? A compaixo cresceu, atordoando-a ao perceber que isso a imbua de um sentimento protetor. O que diabos estava
acontecendo com ela? Ele era seu chefe. S isso. No precisava ter sentimentos protetores e ele provavelmente no os aprovaria.
         Sem Vere, a perda dos pais teria sido insuportvel, Drax admitiu a si mesmo. Mas no tinha inteno de contar a Sadie. Em vez disso, falou distante:
         - Tinha de suportar. Era nosso dever tanto em relao a eles quanto ao nosso pas.
         A frieza dissipou a preocupao de Sadie. Era uma tola por ter pena dele - uma tola por nutrir qualquer sentimento por ele, avisou a si mesma, com firmeza,
quando Ahmed entrou com o caf.
         Para seu alvio, se o empregado julgou muito ntima a atitude do patro, conversando com a nova funcionria trajando apenas um roupo atoalhado, foi discreto
demais para demonstr-lo. Simplesmente obedeceu s ordens de servir uma xcara de caf a Sadie enquanto Drax iria se vestir.
         Assim que Sadie terminou de tomar o caf, Ahmed preparou-se para encher novamente a xcara, mas ela meneou a cabea negativamente e cobriu a xcara vazia
com a mo, para indicar que estava satisfeita. Se continuasse tomando essa bebida to forte ficaria ligada, graas  cafena, o resto do dia. Bem, pelo menos enquanto
pensava em como devia ter sido difcil para Drax e o irmo lidarem com a morte dos pais, foi capaz de desviar a ateno da lembrana da nudez de Drax. Ela no era
o tipo de mulher que perdia tempo mentalmente sonhando com homens nus. Ou era? No seria mais honesto admitir no ser anteriormente desse tipo?
         Estava consciente, consciente demais, dos calafrios, do sangue latejando perigosamente em suas veias - como uma chaleira prestes a ferver, apenas acumulando
o calor para depois... Podia sentir gotas de suor pingando de sua testa.
         Isso era loucura. No podia estar obcecada sexualmente por um homem que acabara de conhecer. Um homem que falava to animado com ela sobre seu irmo que
ela poderia ser levada a crer que ele tentava encoraj-la a se apaixonar por ele, se isso no fosse totalmente absurdo. Mais absurdo seria imaginar um homem desses
transformar-se em seu amante.
         Seu amante? Ela enlouquecera. S podia. Quem tinha dito algo sobre ela querer um amante? Ela no tinha amantes. Nunca tivera. E certamente no ficava fantasiando
sobre prncipes arrogantes levando-a para a cama e fazendo amor com ela. Mas s em pensar no corpo nu e bronzeado de Drax deitado na brancura de seus lenis j
deixava sua mente a mil. Qual seria a sensao de deitar-se em cima dele e mant-lo aprisionado na cama enquanto ela lentamente explorava os contornos musculosos
dos ombros e torso? Ele lhe permitiria domin-lo? Aceitaria que ela usufrusse do prazer de v-lo sem tentar domin-la? Permitiria que ela lentamente o acariciasse
e percorresse seu corpo com as mos?
         Emitiu um som de rejeio e descrena ao tentar apagar os pensamentos.
         - Gostaria de um copo de gua?-ofereceu Ahmed, solcito.
         - O qu? No. Quer dizer, sim, por favor - respondeu com um sorriso. Talvez um copo de gua esfriasse seus pensamentos acalorados enquanto lhe aliviava
a sede.
         CAMINHANDO EM seu quarto, elegantemente minimalista como o resto de seus aposentos, Drax parou no quarto de vestir para pegar roupas limpas e depois caminhou
at o banheiro, jogando o roupo no cho.
         Tomou um banho rpido, recusando-se a concentrar-se no seu corpo enquanto montava uma barreira mental para impedir-se de pensar em Sadie e no efeito que
ela lhe causara. Mas, embora pudesse controlar os pensamentos, no podia esconder de si mesmo a certeza de que tanto o desejo quanto a ereo ainda estavam presentes.
Se ela viesse agora ao seu encontro...
         Se ela o qu. Enraivecido pegou a toalha, arrancando-a do suporte de toalhas aquecido. Por que diabos pensava nisso? Ela no representava nada para ele
- menos do que nada. Era apenas algum que poderia usar para solucionar o atual problema do irmo.
         No entanto, no se importaria quando Vere a levasse para a cama? Vere provavelmente no a levaria para a cama. Tudo de que o irmo precisava era persuadi-la
a casar com ele. No tinha que consumar o casamento. Na verdade, seria melhor no faz-lo.
         Melhor para quem? Para ele? Por que ele no conseguia controlar a exploso incandescente de possessividade masculina que o consumia s em pensar no irmo
tocando Sadie? Por que devia pensar em algo assim? Largou a toalha e caminhou at o vestbulo, pegando roupas limpas - no a camiseta branca e a cala cinza que
originalmente pensara em usar, mas uma roupa tradicional rabe. Porque assim reforaria a barreira que precisava criar entre ele e Sadie?
         CAPITULO SETE
         - E ESSE, como deve se lembrar das plantas que lhe mostrei,  o prdio principal do complexo.
         Sadie meneou a cabea, feliz por estar de culos escuros e ter coberto a cabea para se proteger do sol forte, enquanto ficava parada perto de Drax, olhando
o prdio reluzente, envidraado que se erguia  frente, to alto que parecia tentar alcanar o cu.
         Apesar de ser capaz de reconhecer o prdio central j totalmente pronto, Sadie no podia distinguir nenhum dos outros detalhes que vira nas plantas na vasta
construo a seu redor.
         O prprio Drax dirigira o carro, surpreendendo-a com a preferncia pela informalidade - ou ao menos com o que ele julgava ser informal. No passara despercebido
a Sadie o modo como as pessoas se viravam para olh-lo, reconhecendo-o, obviamente.
         - Essa nova estrada de quatro pistas ali adiante vai do complexo at o aeroporto. Aquela bifurcao, na qual esto no momento trabalhando, vai at a cidade
de Dhurahn. Com efeito, o Centro Financeiro de Dhurahn, como pretendo chamar o novo projeto, ser uma cidade dentro da cidade. Vai operar segundo as leis mercantis
inglesas e ter seu prprio sistema judicirio e prdios. Os que trabalharem aqui tero a opo de morar em apartamentos nas redondezas ou na costa. Achamos que
muitos estrangeiros preferem morar perto do mar, logo, planejamos construir outra estrada de quatro pistas para uma cidade-dormitrio na costa. O idioma oficial
no Centro Financeiro de Dhurahn ser o ingls, mas naturalmente servios de traduo sero fornecidos, basicamente como os existentes em Bruxelas, embora o nosso
sistema seja bem mais moderno. A nova cidade est sendo construda em plano circular. O prdio central ser cercado por estradas e rodeado de prdios residenciais
adicionais, divididos em segmentos distintos, conforme os crculos se alargam. Cada segmento ter seu prprio sabor nacional no que se refere s facilidades e lojas
de alimentao, j que temos a inteno de nos tornar um ponto globalizado do setor financeiro.
         Sadie ouvia assombrada. A escala do plano era de tirar o flego agora que estava ali no centro.
         - Ningum nunca viu nada parecido - disse ela.
         - No - concordou Drax, calmo. - Esse  nosso plano: que seja e permanea nico. De forma a manter a segurana, todos que trabalham aqui sero munidos de
um sistema de passe. Ningum poder entrar no Centro Financeiro de Dhurahn sem autorizao. Agora, deixe-me mostrar-lhe o interior do prdio principal.
         Enquanto caminhavam, Sadie viu uma frota de minivans imaculadas estacionadas do lado de fora da entrada principal.
         - Temos convidado algumas pessoas da rea econmica a vir a Dhurahn para visitas de inspeo - explicou Drax.
         - O plano est bastante adiantado e voc j fez muito! No posso entender por que precisaria contratar algum como eu - disse Sadie impetuosa, voltando-se
para ele enquanto falava e soltando um gritinho quando escorregou.
         Drax imediatamente reagiu, segurando-lhe o brao desnudo para que ela no perdesse o equilbrio.
         Sadie ficou to prxima que se convenceu de que ele poderia ouvir a batida frentica de seu corao, bem como o subir e descer dos seios ao respirar. De
sbito, tomou conscincia de que seus dedos agarravam-lhe o antebrao. O tecido de algodo branco do traje de Drax era macio e leve ao passo que sua mo suava. Ela
sentia o perfume sutil e sensual da pele masculina e do sol bem como um agradvel e discreto aroma de colnia, o que a estimulou a aproximar-se ainda mais para poder
cheir-lo. Deu um passo  frente antes que pudesse se impedir.
         A mo que ele colocara em seu brao moveu-se para o ombro, para facilitar a aproximao. Podia sentir o calor das palmas segurando-lhe os ombros onde a
pele nua encontrava o debrum da camisa de manga curta - s que a mo dele no estava no tecido, mas em sua pele, como se ele tivesse enfiado os dedos dentro da manga.
Estremeceu s em pensar nesse tipo de intimidade, como se um fino fio dentro dela, unindo cada uma de suas zonas de prazer, houvesse sido puxado. Podia ver a base
do pescoo, a pele lisa e dourada. Se levantasse um pouco mais o olhar, seria capaz de ver-lhe a boca.
         O corao bateu descompassado ao erguer o olhar. No se lembrava de ter jamais estudado a boca de um homem to de perto, ou de desejar faz-lo. Se isso
ocorrera, o momento havia sido completamente apagado, ao experimentar a sensao de absorver cada mnimo detalhe da boca de Drax. O lbio inferior era cheio e curvado,
parecendo esculpido nos cantos. Queria toc-lo, passar a ponta do dedo suavemente. Queria... Queria encostar-se nele e colar os lbios aos seus. Queria...
         Ela sabia o que fazia, olhando para ele daquele jeito? Examinando-lhe a boca com aqueles olhos enormes, o olhar tomado por uma atrao explcita? Os dedos
de Drax apertaram-se na carne nua e quente, onde tinha enfiado a mo por baixo da manga, massageando e acariciando-lhe a curva dos ombros. Desceu o olhar para o
corpo e viu como seus mamilos pressionavam o tecido, assinalando sua excitao. Seria a coisa mais fcil do mundo erguer a mo livre e cobrir-lhe o seio e depois
puxar eroticamente o mamilo intumescido, sussurrar como gostaria de beijar e acariciar-lhe a nudez antes de lev-lo  boca para uni-los num feroz prazer fsico.
         A coisa mais fcil e a mais perigosa. A ereo que controlara antes assumia o comando pulsando com ardor. Ele podia lev-la de volta para o carro agora.
Poderiam estar de volta ao palcio, na privacidade de seus aposentos, em meia hora, e depois ele poderia deliciar-se em seu corpo de todas as maneiras que o prprio
corpo exigia.
         O nico seno era ter jurado que ela seria de Vere. De Vere, no sua!
         Soltou-a to de repente que Sadie no tinha certeza se experimentava alvio ou desapontamento. O que a possura para ficar parada daquele jeito?, pensou,
desconfortvel, tentando acompanhar o passo apressado de Drax. Seria possvel que dentro de cada mulher sensata houvesse algum gene, oriundo de uma poca mais primitiva,
contendo o desejo secreto de ser domada por um homem forte o suficiente, ousado o suficiente, poderoso o suficiente para arrebat-la e torn-la sua?
         -  uma pena que meu irmo no esteja aqui para mostrar-lhe o prdio. Estou certo de que quando voltar gostar de faz-lo. Esse empreendimento lhe  muito
querido.
         - Mas o conceito do design para a planta geral  seu - adivinhou intuitivamente, ao chegarem  entrada do prdio.
         Ela no queria que ele mencionasse o irmo. De alguma forma isso quebrava a intimidade entre eles, quase como se o irmo estivesse fisicamente parado entre
eles. A punhalada de cime que sentiu deixou-a chocada. Que tipo de tolice era essa? Com certeza s uma mulher  beira de uma paixo arrebatadora podia sentir cimes
de um irmo que ela ainda no conhecera.
         Drax segurava a porta do prdio para ela entrar. Aliviada por encontrar uma desculpa para no seguir a indesejada linha de pensamento, Sadie entrou, arrepiando-se
com o frio do ar-condicionado.
         Quando olhou o espaoso andar trreo com seu trio interno, Sadie no pde deixar de impressionar-se. Atravs das plantas que Drax lhe mostrara antes, sabia
que o prdio tinha uma academia bem equipada, com salas de ginstica e de tratamento, piscina e um restaurante. Tambm era dotado de um anfiteatro a ser usado para
conferncias bem como para assistir filmes recm-lanados, vrios bares e restaurantes e salas de reunio para uso daqueles que ali trabalhassem. E isso era apenas
um dos prdios que formariam o complexo.
         - O que acha?
         Sadie surpreendeu-se por Drax perguntar sua opinio.
         - Com instalaes desse porte, voc est apto a atrair pessoal do mais alto nvel - respondeu com honestidade. - No posso imaginar algum dispensando a
oportunidade de trabalhar aqui e tornar-se parte de um empreendimento de tamanha importncia.
         - Tentamos planej-lo para atender toda e qualquer eventualidade. Alguns dos principais executivos sero mais velhos, com famlia. Ento, planejamos abrir
escolas no novo complexo na costa. Dhurahn j tem uma universidade, originalmente doada e fundada por nosso av, mas meu irmo encarregou-se de sua expanso como
um projeto pessoal.  um filantropo, enquanto eu sou um homem de negcios. Acho que quando o conhecer descobrir que voc tem mais em comum com Vere do que comigo.
         Sadie retesou-se. Por alguma razo, comeava a hostilizar as freqentes referncias de Drax s virtudes do irmo, embora soubesse no haver uma razo lgica
para tal raiva.
         Ao se encaminharem para o elevador que os levaria aos andares superiores, o celular de Drax tocou. Voltou-se para o lado ao mesmo tempo em que as portas
do elevador se abriram. Um grupo de homens europeus de terno, todos jovens, saiu. Para Sadie enquadravam-se na categoria que chamava de "mauricinhos". Exalavam autoconfiana,
arrogncia e prepotncia masculina que sintetizam o comportamento dos homens que trabalham no mercado de aes, e Sadie no se surpreendeu em sentir-se abertamente
inspecionada.
         Isso no a incomodou particularmente, mas se sentiu bem menos confiante quando um deles distanciou-se dos outros e veio em sua direo, dizendo em voz alta,
num tom para l de ntimo que a enfureceu:
         - Bem, se essa no  Sadie! A delicada e pequenina Sadie que no faz sexo. O que a traz aqui? No pode estar pleiteando um emprego. Eles s contratam os
profissionais mais eficientes... embora Deus saiba quanto deve estar precisando de dinheiro desde que foi dispensada do banco.
         Para alvio de Sadie, Drax, ainda no celular, mantinha-se afastado e no podia ouvir a conversa, embora tivesse se voltado para observ-los.
         - Na verdade, j tenho um emprego, obrigada - respondeu o mais calma possvel.
          Jack Logan, Jack, o Garanho, como os colegas do escritrio o apelidaram. Sadie antipatizara com ele logo que foram apresentados, e terminara por antipatizar
ainda mais depois que ele a tinha encurralado num escritrio vazio e tentado convenc-la a fazer sexo com ele. Felizmente, conseguira escapar antes que ele tentasse
for-la, mas sabia que no a perdoara por rejeit-lo. Seus comentrios eram, como reconheceu, um jeito de dar o troco.
         Drax terminara a conversa e olhava interrogativamente para ela. Sadie desvencilhou-se do antigo e desagradvel colega e apressou-se a reunir-se a ele.
         - Um amigo antigo? - perguntou, frio.
         - Costumvamos trabalhar juntos - respondeu, sucinta, pensando na atitude que Jack, o Garanho, tomaria ao ver o guia mostrar deferncia a Drax atravs
de uma profunda reverncia, respondida por ele com leve inclinao de cabea.
         - E ESSA,  claro,  a principal sala de negociaes do mercado de aes.
         Sadie meneou a cabea quando completaram a visita ao prdio. O vasto aposento ainda no fedia a hormnios masculinos e ao cheiro forte de competio agressiva,
como as outras salas destinadas ao mercado de aes s quais estava acostumada. Mas, to logo entrasse em funcionamento, seria igual a todas as outras.
         - Aquele jovem com quem estava conversando h pouco - perguntou, abrupto. - Qual  exatamente seu relacionamento com ele?
         Se a pergunta tivesse vindo de outra pessoa, teria se recusado a responder. Mas estava se acostumando com a crena autoritria de Drax de ter direito a
receber respostas s perguntas mais ntimas. Ou isso ou suas emoes estavam se tornando to enredadas por ele que desejava que ele soubesse tudo sobre ela e seu
passado. Embora,  claro, no fosse boba o suficiente para se deixar enredar emocionalmente por um homem que demonstrara no querer envolvimento, certo?
         - Como lhe disse, trabalhamos juntos.
         - A linguagem corporal dele sugeria que o relacionamento entre vocs era maior que o de meros colegas de trabalho.
         Sadie meneou a cabea.
         - Os jovens que trabalham na bolsa sempre se comportam assim. Faz parte da imagem de macho e no significa nada.
         - Ento voc no teve um envolvimento sexual com ele? - insistiu.
         Ele no estava fazendo essas perguntas em interesse prprio, assegurou-se. Por que o faria? Afinal, que lhe importava saber com quantos homens ela fora
para a cama? No, pensava no irmo. Sabia que Vere jamais aceitaria como esposa uma mulher cujo ex-amante fosse o tipo de homem que vira conversando com Sadie -
mesmo como esposa temporria. Era irreal,  claro, imaginar que ela no tivesse tido um parceiro sexual, ou at mais de um, mas o povo de Dhurahn tinha certas expectativas
sobre as esposas de seus monarcas que precisariam ser atendidas -mesmo os monarcas sabendo ser o casamento apenas temporrio.
         - No, no tive - reafirmou Sadie, quase agressiva. O rosto estaria to ruborizado quanto imaginava, revelando como se sentia constrangida? No que ela
tivesse algo a esconder, ou pelo menos no o tipo de coisa que seu chefe parecia achar, mas era extremamente sensvel ao fato de uma mulher de sua idade e situao
no ter experincia sexual. No passado, uma mulher de 20 anos podia se orgulhar de dizer abertamente ainda ser virgem, pois a virgindade feminina era valorizada
e as garotas se casavam antes dos 20. Mas hoje virgens solteiras com mais de 20 anos, provavelmente, seriam olhadas com piedade - rejeitadas, incapazes de encontrar
um marido, motivo de vergonha para a famlia.
         Nos tempos atuais, embora fosse motivo de riso uma mulher se sentir rejeitada por no ser casada, ainda havia certo estigma, e especialmente os homens faziam
piadas grosseiras, quanto a mulheres que permaneciam virgens.
         Sadie podia bem imaginar como Jack Logan reagiria se soubesse a verdade a seu respeito. O que,  claro, era motivo para no deixar que ningum desconfiasse
e mantivesse segredo.
         No que tivesse feito voto de castidade. Longe disso! Apenas o homem certo no aparecera e, quando percebeu ter esperado mais que o normal para perder a
virgindade, passou a se preocupar com a reao de um parceiro em potencial ao saber ser seu primeiro amante. Isso causara um distanciamento maior com os homens com
quem saa, ento a situao se tornara mais incmoda. Uma espcie de juros acumulados, disse a si mesma com ironia.
         Drax a olhou, pensando no que poderia causar esse olhar defensivo e quase codificado e no que ela obviamente escondia dele. S podia ser uma coisa. Estava
mentindo sobre o relacionamento com o homem com quem a vira conversando. De hbito, a certeza de que uma mulher mentia para ele sobre seu passado sexual lhe causava
apenas um divertimento cnico. Mas, como lentamente era forado a reconhecer, nada do que lhe acontecera desde que colocara os olhos em Sadie chegava perto de suas
reaes "normais". Se s isso bastava para enfurec-lo, imagine a idia de ver Sadie com outro homem! Podia v-la agora, entregando-se quele homem, em total abandono,
incitando-o com os lbios carnudos e o corpo curvilneo para lev-lo aos picos erticos que ele queria tanto mostrar-lhe.
         Drax lutou desesperadamente para ignorar o que sentia e pensava. Mas era tarde. Como um gnio libertado da lmpada, a realidade de seu desejo por ela fora
exposta.
         - Precisamos voltar ao palcio - disse, seco. - Tenho uma reunio.
         No havia reunio alguma, mas se permanecesse sozinho com ela no estado atual no responderia por si mesmo. Se retornassem ao palcio, podia distanciar-se
dela.
         Sadie ficou to aliviada por ele ter parado de question-la sobre sua no-existente vida sexual que nem se importou com a atitude brusca.
         Estavam esperando o elevador quando o homem que acompanhava o grupo de Jack Logan apressou-se na direo deles, fazendo uma reverncia para Drax e dizendo
algo rpido em rabe.
         - Desa e me espere no vestbulo - disse Drax, depois de ter ouvido o homem mais velho. - H um assunto que preciso resolver. No vou demorar.
         Acenando, Sadie entrou no elevador.
         O vestbulo era realmente magnfico, reconheceu ao saltar do elevador no andar trreo. Drax e o irmo sem dvida obteriam sucesso no empreendimento e Sadie
admitiu ter esperanas de tambm poder alcanar sucesso ali.
         Embora Dhurahn, como Zuran, fosse uma cidade moderna, ainda guardava o fascnio da proximidade do deserto e seus mistrios, e Sadie aprendera, enquanto
vivera em Zuran, que havia nisso algo que a cativava. Tinha feito umas viagens em grupo nos wadis e ficara maravilhada com tudo o que vira, ganhando respeito pela
fora e orgulho daqueles que viveram tantos sculos nesse hostil mas estranhamente lindo ambiente. Se pudesse, teria explorado um pouco mais o deserto, obtido mais
informaes a respeito, disse a si mesma, deixando os pensamentos vagarem enquanto esperava Drax, pacientemente.
         Quando finalmente ouviu o som do elevador descendo esperou, ansiosa, que as portas abrissem - e ficou tensa ao ver Jack Logan e no Drax. Ele sorria para
ela de um jeito quase obsceno, o que sempre julgava ameaador.
         - Vi voc entrar no elevador, ento decidi descer para lhe fazer companhia - disse, debochado. - Como conseguiu se envolver com o homem mais importante
do pas, por falar nisso? No pela cama, aposto... Voc no ficaria nem dois segundos na cama dele se ele suspeitasse de sua falta de aptido para ela...
         Sadie voltou-se, virando-lhe as costas, rezando para que Drax aparecesse e a resgatasse de seu algoz.
         - Sadie, Sadie... - cantarolava Jack Logan. - Que no se entrega para ningum. Como  ser to tensa? Vou dizer o que vou fazer. J que me sinto generoso,
vou lhe mostrar o que  ter um homem...
         Se ela simplesmente o ignorasse, ele se cansaria de molest-la e a deixaria em paz, raciocinou Sadie. Se ficasse parada e evitasse o contato visual... Soltou
um grito de protesto quando Jack de repente a segurou e a virou para ele. Era considerado bonito, sabia, mas tinha olhos maldosos e uma expresso cruel que a fazia
arrepiar-se.
         - Voc achou que era muito esperta, me fazendo de bobo em Londres, no ? Bem, agora chegou a minha vez. Hora de eu dar o troco, Sadie.
         Isso no podia estar acontecendo com ela. No em plena luz do dia, nesse prdio lindo. Mas estava. Jack Logan ria quando a segurou e, esticando a mo, apertou-lhe
o seio. Quando ela estremeceu de desprezo e fechou os olhos, ele riu ainda mais alto. Sadie no ouviu a porta do elevador se abrir. Nem viu a expresso no rosto
de Drax ao contempl-la de costas para ele, nos braos de outro homem, que a tocava. Mas Jack o viu e percebeu-lhe o olhar, ento abaixou a cabea e beijou Sadie
de maneira cruel nos lbios fechados, dizendo baixinho antes de solt-la:
         - Como disse, hora do troco. - Depois afastou-se despreocupado, enquanto ela ofegava e limpava a boca com a mo numa tentativa de livrar-se do gosto e da
lembrana dele na memria.
         A frieza da voz de Drax a fez voltar-se em sua direo, os olhos ainda repletos de agonia.
         - Se estiver pronta.
         Sentia-se mal demais para dizer algo, muito menos tentar explicar o que acontecera, enquanto caminhava a seu lado, tentando acompanhar os passos impacientes
e compridos em direo ao carro.
         No era por causa dela que se sentia tomado por tamanha ferocidade e raiva consumidora, assegurou-se. No, era por causa de seu comportamento. Como pudera
testemunhar, ela era uma mentirosa, uma aventureira sexual - e, portanto, totalmente inadequada para tornar-se a esposa de Vere. Isso significava que traz-la para
Dhurahn tinha sido perda de tempo, e tempo era algo que Drax no gostava de perder.
         Foi andando na frente, sem se preocupar se ela seria capaz de andar pelos pedregulhos com segurana. No porque a raiva havia varrido suas boas maneiras,
mas porque simplesmente no confiava em si mesmo ao falar com ela, quanto mais toc-la. Como ela podia ter permitido quele imbecil trat-la daquele jeito? E em
pblico! Onde ele poderia v-los. Em seu pas, onde tais demonstraes de intimidade sexual eram uma ofensa aos olhos da populao mais devota! Ela se comportara
com total falta de respeito. Por seu pas, por ele e por si mesma. Normalmente isso seria suficiente para enoj-lo. Normalmente?
         Estava enojado, assegurou-se ao abrir a porta do carro. Enojado e amargurado, perigosamente irritado. To irritado na verdade que... que o qu?, desafiou
a si mesmo quando Sadie sentou no banco do carona. Podia sentir o cheiro de sua pele, o cheiro de medo. Medo ? Com certeza devia trazer o cheiro do namorado e da
intimidade compartilhada.
         Drax no confiava nas prprias reaes. Porque sentia cimes de ela ter se entregado a outro homem?
         No!
         Sadie sentava-se rgida, evitando pensar nas prprias emoes e tentando se concentrar na paisagem. Por dentro sentia nusea e fragilidade, tremia de desprezo
e horror ao recordar o toque de Jack. E sentia-se mal ao lembrar-se de como ele a humilhara.
         Graas a Deus Drax tinha chegado naquele momento - porque se no tivesse... Tentou dizer a si mesmo que estava dramatizando o que acontecera e que Jack
apenas a atormentara. Com certeza no chegaria a ponto de... estupr-la? Tremeu com violncia, trincando os dentes contra a onda de horror que a dominava.
         Drax a viu arrepiar-se e desligou o ar-condicionado. Podia ver os plos dos braos arrepiados. Ela olhava, distante, sem dvida desejando ainda estar com
o amante, imaginando o que estariam fazendo. Xingou por entre os dentes. No podia acreditar na extenso de seu erro de julgamento. Ele, que sempre se orgulhara
da avaliao acurada do verdadeiro carter de uma pessoa. Ela no tivera nem a gentileza de tentar encontrar uma desculpa para si mesma, quanto mais desculpar-se
pelas mentiras que contara.
         Chegaram ao palcio, e os guardas abriram os pesados portes. O que ela devia estar pensando? Por acaso imaginava que ele simplesmente ignoraria sua conduta
e suas mentiras? Se fosse assim, logo descobriria seu erro.
         Parou o carro e, desligando o motor, disse, seco:
         - Venha comigo. Preciso discutir um assunto com voc.
         Entorpecida, meneou afirmativamente a cabea. No fazia idia do que Drax queria lhe dizer, mas esperava que, fosse o que fosse, tivesse o poder de ajud-la
a parar de remoer o que acontecera com Jack Logan. O seio na verdade doa um pouco onde ele o apartara. Doa e sentia-o sujo.... Tudo parecia sujo... Cada pedacinho
dela, dentro e fora, e no apenas seu corpo, mas tambm seus pensamentos, como se, de um jeito ou de outro, ele a tivesse contaminado com seu comportamento repelente.
        CAPTULO OITO
         PARECIA QUE dias e no horas tinham transcorrido desde que ela estivera naquele aposento pela ltima vez, refletiu enquanto, parada no meio da sala de estar
particular de Drax, olhava a piscina.
         Drax a conduzira at ali e lhe dissera para esperar, desaparecendo na direo do que supunha ser seu quarto.
         Dessa vez ele no perguntou se ela queria algo para comer ou beber, e a verdade era que ela sentia uma necessidade desesperada de cafena. Em vez disso,
teve de se contentar com o resto de gua que levara consigo mais cedo. Agora morna, tinha um gosto ligeiramente salgado.
         DRAX TERIA que dizer a Sadie que ela estava dispensada. No tinha outra opo, sabendo que tivera contato com um homem que obviamente devia ter sido seu
amante. No havia chance de Vere vir a casar com ela. Impensvel. Sua nica opo era pag-la e coloc-la no primeiro avio para Londres, junto com o amante.
         O banho frio que tomara, esperando acalmar-se, em nada aplacara o calor fervente das emoes. Pegou uma toalha para se secar mas mudou de idia, pegando
em seu lugar um robe atoalhado limpo que o empregado deixara pronto para ele. Encaminhou-se descalo para o aposento onde Sadie permanecera.
         Parada diante da janela, ela segurava a garrafa vazia de gua. Drax no queria que o corpo reagisse daquele jeito ao olh-la, mas parecia impotente para
control-lo. Soltou um som rouco de autodesprezo por entre os dentes, que fez com que Sadie se virasse e o encarasse, os olhos sombrios, o rosto ruborizado ao lembrar-se
dele nu, e embaraada por ele poder desconfiar. Drax podia sentir o gosto amargo das prprias emoes primitivas.
         - Voc realmente me enganou - comentou, com suposta calma, ao se dirigir a ela. - Quando fez aquele teatrinho, fingindo chocar-se com a sugesto de Monika
para que seduzisse os clientes dela, eu acreditei piamente. Quando me contou que aquele macaco risonho que voc estava encorajando era meramente um conhecido de
trabalho, eu acreditei.
         - Eu disse a verdade. - No era isso que esperava ouvir dele e no conseguiu esconder o choque.
         - Mentirosa! Eu vi o jeito com que deixou que ele a tocasse.
         Seu radar emocional registrou a fria reprimida, mas no pde compreender a causa.
         - Vi a intimidade entre vocs - continuou, de modo grosseiro, acrescentando ao segur-la: - Esse tipo de intimidade.
         Drax a segurou como fizera antes, as mos escorregando por baixo das mangas curtas da blusa para agarrar-lhe a curva dos ombros. Mas dessa vez no apenas
a segurou, mas a beijou tambm - tomando posse de sua boca, forando os lbios a se separarem para permitir-lhe a entrada da lngua.
         Ela sabia que deveria impedi-lo, empurr-lo e insistir para que a ouvisse, exigir um pedido de desculpas e uma retratao da acusao. Mas a necessidade
dentro dela a dominava, obliterando razo e conscincia, brutalmente silenciando cada aviso que a teria feito opor-se, at que no havia mais nada. Nada alm daquele
beijo e ningum mais, exceto ele. O que estava acontecendo com ele ? De alguma forma, Sadie aceitou o beijo que comeara como uma selvagem acusao de sua duplicidade,
permitindo um escape para sua raiva e transformando-a em algo diferente. Algo to sensualmente doce e mgico que seu desejo por ela afogava-o como a um nadador preso
em poderosa ressaca. Drax no conseguia resistir ou escapar. Sentia-se seduzido como por um canto de sereia que o atraa em guas traioeiras. Ele estava perdido.
         Quando a soltou, ela puxou-o, envolvendo-lhe o pescoo com os braos, enroscando a lngua na sua numa dana lenta da qual emergiriam no como duas pessoas
distintas, mas como uma s. Ele enfiou a mo por baixo da blusa, arranhando-lhe as costas para em seguida passar os dedos no pescoo fino. Ela se sentiu to frgil...
Como se ele pudesse esmag-la com as mos. Ainda assim, era to forte - forte o suficiente para domin-lo com sua sensualidade. Tocou-lhe a boca com a ponta da lngua,
rpida e delicadamente, retirando-a como que chocada com a prpria audcia, e depois voltou a sabore-lo, quase compulsivamente. As mos dele escorregaram em direo
aos seios, j antecipando o toque enquanto ela arqueava, a garganta tensa de desejo, as mos puxando-lhe os ombros. Mais um minuto e ele lhe tiraria a blusa para
provar a carne ardente...
         Sadie estremeceu de excitao quando as mos de Drax apertaram-lhe os seios. Era to bom senti-lo apertando-a desse jeito, o contato apagando a lembrana
detestvel de Jack Logan. Teve vontade de implorar que derrubasse as barreiras entre eles e a possusse. Assim, quando fechasse os olhos e pensasse no dia de hoje,
s se lembraria dele. No sabia como tinham atingido esse grau de intimidade e nem queria saber. Tudo o que queria era ser renovada, purificada pelo fogo da paixo
mtua. Sua habilidade de pensar logicamente fora suprimida, repelida pelas exigncias de um novo centro de comando. Tudo o que desejava era ser levada para a cama...
No, tudo o que queria era que ele simplesmente a possusse, emendou atordoada. Possusse completamente. Ali, naquele momento, j. vida, aproximou os seios ainda
mais de suas mos e de seu corpo, segurando-lhe a cabea enquanto o beijava uma, duas, infinitas vezes, sussurrando quanto o desejava.
         Drax sabia que isso era loucura. Mas por que no deveria possu-la? Ela se oferecia, ele a desejava, e pelo que agora sabia dela, jamais poderia casar com
Vere. Por que ento no possu-la? Por que no possu-la se ela implorava que o fizesse?
         Havia mil motivos para no faz-lo, mas no suficientes para suplantar a razo, para l de convincente, de faz-lo. Ento, retirou as mos dos seios, pegou-a
no colo e levou-a para o quarto. Sadie abraou-o, beijou-lhe o pescoo, a mandbula, afastou a gola do robe para beijar-lhe a base do pescoo, de forma que quando
chegaram  cama ela j estava to inebriada pelo seu cheiro e sabor que nenhum poder na terra poderia comparar-se  intensidade do desejo que sentia por ele.
         Drax deitou-a na cama, tirou o roupo e Sadie admirou-o, encantada com a beleza masculina quando ele se inclinou sobre ela. Com as pontas dos dedos, alisou
os tendes dos braos, maravilhada com a fora masculina por baixo da pele acetinada. Plos escuros cobriam-lhe o peito, afinando-se at a parte inferior, fazendo
com que seu corao batesse forte, acelerado, descompassado ao lembrar-se de como se sentira naquela manh ao v-lo emergir da piscina. A gua escorrera pelo peito
acompanhando a linha escura, e, ao seguir o percurso vira, como podia ver agora, a evidncia ereta de seu apetite por ela. Sadie tremeu ao inclinar-se  frente e
beijar-lhe o pescoo.
         Drax arrepiou-se com a carcia da boca, sem saber por que esse beijo e essa mulher o afetavam to violentamente que ele ficava excitado da cabea aos ps.
         Enquanto Sadie o beijava, ele comeou a despi-la e ela o ajudou, apressada, a desvencilhar-se das roupas. Mesmo ento a boca ainda pressionava-lhe a pele.
Fantasiara sobre isso, reconheceu, tonta. Sem saber como, Drax estava deitado de costas e ela em cima dele, instintivamente sentada em cima dele. A realidade era
cem... no, mil vezes mais ertica que sua imaginao. Se fechasse os olhos, quo mais intensa seria a sensao de ter as mos de Drax em seu corpo? Mas no podia
deixar de olh-lo enquanto se tocavam. E ela queria tanto toc-lo... Necessitava desesperadamente toc-lo.
         Curvou-se at os cabelos cobrirem-lhe o rosto e cavalgou em cima de seu corpo. Mas ele ainda podia ver-lhe a expresso. Ela tocou-o de um jeito como nenhuma
mulher tocara antes, vida e, ainda assim, sem experincia, como se tudo fosse novo para ela, como se fosse fruto de seus instintos e no de qualquer tcnica. Quando
os dedos o tocaram e se fecharam em torno dele, ela pareceu hesitar. Olhou-o como se precisasse de estmulo e, ao receb-lo, ele pde observar a confiana crescer,
e, com isso, seu desejo. Era como se ela estivesse faminta, como se toc-lo a enchesse de uma delcia intensa e aumentasse ainda mais o apetite por ele.
         Nos olhos, uma expresso de surpresa e deleite, fazendo com que a boca se curvasse e preenchesse o espao entre os dois, como se ele quase pudesse sentir
o prprio gosto. Nunca fizera nada antes parecido. Ningum tinha sido como ela... Ela possua um feitio mgico que o aprisionava, admitiu ao pegar-lhe a mo livre
e lev-la  boca, beijando cada um dos dedos e lambendo-lhe a palma macia. Viu os mamilos enrijecerem, a barriga vibrar e lgrimas de intensa excitao escorrer
pelos clios.
         Ele colocou-lhe as mos na cintura, levantou-a e, paralisando-a, os dedos mergulharam na carne quando a sentiu hesitar.
         Ela umedeceu os lbios com a ponta da lngua e, com voz rouca e titubeante, disse:
         - Eu no sou... Eu no... No devamos?
         Ele estava tenso, quente e ereto, com um desejo carnal que no suportava mais espera.
         - No devamos o qu?
         - Voc sabe... usar algo. Para... fazer sexo seguro e... - Ela corou. Podia sentir o calor queimar-lhe a pele. - E nos asseguramos que eu no... quero dizer...
desculpe - disse, simplesmente -, mas nunca fiz isso antes.
         Como ele podia sentir tanta raiva e ainda assim desej-la? Afastou-a e sentou na espaosa cama.
         - O que est dizendo? Ambos sabemos ser mentira - disse, irritado. - Nenhuma mulher da sua idade "nunca fez isso antes" - falou irnico, imitando-lhe a
voz trmula. - Eu no acreditaria mesmo que no tivesse visto, com meus prprios olhos, voc deixar seu amante bolin-la.
         - Eu no o estava deixando fazer nada! - exclamou, sem acreditar que ele se dirigisse a ela desse jeito, depois da intimidade compartilhada. - Para sua
informao, mesmo que no acredite, e  bvio que no quer acreditar em mim... - A voz comeou a tremer, aguda, e ela precisou lutar para control-la. - Ele me agarrou
e no me deixou escapar. E ele no  meu amante. Nunca foi. Por isso agiu assim. Por vingana. Ele confessou.
         Mesmo agora, ao ouvir e ver repulsa e repugnncia na voz e no olhar de Drax, ela ainda no podia compreender direito o que estava acontecendo. Sentiu as
lgrimas ameaando escorrer quando tentou lidar com o ataque verbal de Drax. Como tudo podia ter mudado to rpido? Era isso que os homens faziam quando levavam
uma mulher para a cama e depois perdiam o interesse? Inventavam uma desculpa em vez de serem honestos? Ele deixara para trs a intimidade, abandonando-a to velozmente
quanto a aceitara, e ela ainda fazia um terrvel esforo para livrar-se da sensao. A mente e as emoes podiam tentar lidar com a dor que Drax lhe causara, mas
seu corpo ainda exigia satisfao. O sofrimento era atroz com tamanha brutalidade. Ela sabia que mais tarde sentiria muita dor, mas o choque era to imenso que a
deixava anestesiada.
         Sadie no podia ser o que alegava ser. Era simplesmente impossvel. Mas algo em seu olhar deixou-o envergonhado. E o corpo o lembrava dos toques inocentes
e inexperientes.
         Inocentes?, zombou de si mesmo. Depois da intimidade que demonstrara? Intimidade, sim, repleta de desejo e tentao, o tipo de intimidade desprovida de
habilidade, mas que amolecia o corao dos homens. E no era por esse motivo que ele se sentia daquele jeito? Dividido entre uma mistura txica de raiva, rejeio
do que seu corao lhe dizia e o medo de ter ido longe demais, numa direo que sabia no podia seguir?
         Por que Drax no falava nada? Qualquer coisa para provar que a ouvia, realmente ouvia e compreendia o que ela dizia?
         Desesperada, Sadie falou com violncia:
         - Jack Logan  o tipo de homem que julga que toda mulher que conhece deve ach-lo atraente. Quando deixei claro que no o achava sedutor, ele comeou a
me encarar como uma espcie de desafio.
         Ela puxou o lenol e se cobriu, escondendo-se. A vergonha dentro de Drax tornou-se maior. Por alguma razo, a necessidade de cobrir-se tocou algo bem no
fundo de si. Queria se aproximar, abra-la, tirar aquela expresso de dor e mgoa dos olhos. Queria voltar a tom-la nos braos e dizer-lhe o quanto era precioso
e raro o que haviam compartilhado.
         Queria terminar o que tinham comeado. Mas como poderia faz-lo agora? Seu aviso sobre a necessidade de praticarem sexo seguro o trouxera de volta  realidade.
Se ela no estivesse mentindo, se fosse to intocada quanto alegava, isso significava...
         Isso significava que ela era de Vere.
         Era sua a escolha. Podia retomar o que haviam comeado, descobrir por si mesmo se ela dizia a verdade e depois enfrentar as conseqncias. Ou podia interrogar
o homem antes que ele deixasse o pas. A boca tinha um gosto amargo, azedo. O orgulho rebelou-se contra a humilhao de tomar tal atitude. Mas tinha de faz-lo.
Precisava saber. No para sua satisfao, nem mesmo para a dela, mas por Vere. A lealdade ao irmo vinha acima de tudo e de todos.
         - Vista-se e volte para seus aposentos - disse, seco. - Discutiremos isso mais tarde.
        CAPTULO NOVE
         SERIA TO fraca a ponto de permitir ser tratada assim?, Sadie ridicularizou-se, zangada, uma hora depois, sentada sozinha no ambiente aparentemente tranqilo
dos jardins particulares da ala feminina. Por que ela no o contestara quando ele lhe ordenara que sasse? Por que no se recusara e dissera que queria deixar Dhurahn
imediatamente? O que estava errado com ela?
         Precisava realmente fazer tal pergunta? O que estava errado era a mesma coisa que afligia toda mulher que se apaixonara pelo homem errado, pelos motivos
errados.
         Apaixonara-se? De onde vieram essas palavras? Ela no tinha se apaixonado por Drax! No? Ento qual seria a motivao atrs do compulsivo desejo de estar
com ele, abra-lo e toc-lo, conversar com ele, saber tudo a seu respeito, abrir-lhe o corao e a mente, pegar-lhe a mo e segur-la enquanto percorriam as sombras
de seu passado, invadir sua intimidade e esperar o mesmo dele? O que poderia ser isso se no amor? Como podia negar a si mesma o que sentia? Mas como poderia am-lo
sabendo que ele no sentia o mesmo por ela? E como ia lidar com isso e proteger-se da dor?
         TINHA SIDO fcil atrasar o vo que levaria os jovens banqueiros e graduados em MBA, to vidos por terem a chance de visitar Dhurahn, de volta a Heathrow.
Estava no terminal quando o avio que trazia o irmo, com um dia de antecedncia, pousou - embora ele no estivesse ciente da chegada de Vere.
         Jack Logan no estava nem um pouco preocupado com o atraso na partida do vo, a nica coisa no prevista na viagem soberbamente organizada. Estava at feliz
em passar o tempo pedindo mais champanhe  bonita comissria de bordo, ao mesmo tempo em que flertava explicitamente com ela. Nem ficou preocupado quando um oficial
de meia-idade, imaculadamente vestido, conduziu-o para fora do avio. Para a farra, gritaria e torcida dos colegas, o homem explicou que havia um pequeno inconveniente
a ser resolvido.
         - Pequeno, , Jack? - um dos amigos berrou, grosseiro. - E voc que vive se vangloriando de ter 15 cm sempre eretos.
         - N-n-n... 15 cm sem estar ereto - disse irnico, por cima do ombro, sorrindo para a bonita comissria na porta de sada.
         Quando finalmente foi levado  presena de Drax, dez minutos depois, demonstrava prepotncia, perguntando arrogante que diabos estava acontecendo.
         - Perdoe o inconveniente - desculpou-se Drax, calmo. - Posso garantir que em breve estar liberado para voltar ao avio. Voc conhece a srta. Sadie Murray?
         Uma vez que Drax usava roupas ocidentais e falava em tom calmo, Jack no se sentiu em perigo. Nem associou o homem em trajes tradicionais que vira com Sadie
com a autoridade urbana desse homem sentado  sua frente. Imediatamente deduziu que Sadie dera queixa dele. Quase uma garrafa inteira de champanhe embotara a sagacidade
natural de como proteger os prprios interesses e o levou a rir e dizer, de maneira grosseira:
         - Sim, conheo. E o tipo que se deleita em usar um cinto de castidade... completamente assexuada.
         - Voc a viu hoje, certo? - continuou, fingindo ignorar o modo fanfarro enquanto, por dentro, registrava cada palavra e olhar revelador.
         - Sim, eu vi a srta. No-me-toque - disse debochado para depois soltar um palavro antes de continuar: - Cus, odeio sua pretenso. Se existe algum presunoso
nesse mundo  ela. Sempre se comportou como se fosse boa demais pra mim.
         Havia um olhar perverso nos olhos e Drax precisou digerir o gosto amargo na boca ao perceber o perigo que Sadie correra.
         - Voc queria lhe mostrar quem manda? Assust-la um pouco? Puni-la? - sugeriu.
         - Isso mesmo! - Jack se mostrava cada vez mais solto, como se o interrogatrio fosse uma conversa entre amigos. - Ela merecia. Quem pensa que  para me
dispensar? Eu seria um tolo se no aproveitasse a oportunidade para me vingar.
         - Ento voc se desvencilhou dos outros e a seguiu?
         - Isso. Ela se queixou de mim, ? Tpico dela. S porque lhe dei um susto. Se estivesse to a perigo, procuraria uma mulher que sabe das coisas, no uma
virgem inocente e boba como ela. - Encolheu os ombros com desdm. - Cara, ela  desestimulante. Ela me devia essa e teve o troco.
         Como pudera no acreditar em Sadie? Estava dividido entre a necessidade de sair... no, sair no, correndo daquela sala e ir direto ao encontro dela e uma
vontade brutal de pegar Jack pelo pescoo e dizer-lhe que pensava dele. Em vez disso, precisou camuflar que pensava e disse em tom divertido:
         - O que quer dizer com "ela teve o troco" ? Jack Logan riu.
         - Ela me dispensou e me fez de bobo, ento chegou a hora de me vingar. Vamos l, camarada, voc tem que saber como a gente se sente quando uma mulher se
comporta desse jeito.
         - A que jeito se refere?
         - Voc sabe. Ela deduziu que eu era pervertido s porque tentei brincar com ela e ainda ameaou me denunciar se eu repetisse. Ento achei que precisava
dar o troco.
         - Assust-la,  isso? - Drax precisou se esforar para manter a emoo ausente da voz e oferecer a ele um sorriso conspiratrio, de homem para homem.
         Jack comeava a relaxar. Aquele era o tipo de homem que compreendia o que era a vida.
         -  isso a. Ok, eu a agarrei e a toquei. Se ela  tola o suficiente para fazer disso um escndalo, problema dela. Por acaso voc no tem uma lei aqui estabelecendo
que as mulheres so culpadas por serem estupradas?
         Drax decidiu que adoraria esquartejar Jack Logan e atirar o corpo no deserto para os urubus. Mas  claro que no podia agir assim.
         - Obrigado pelo seu tempo, sr. Logan - disse, distante. - Ser escoltado de volta ao avio.
         Jack levantou e deu-lhe um sorriso.
         - Fantstico. J estou de olho numa daquelas bonequinhas que empurram o carrinho no avio. Ela que me aguarde!
         Drax disse a si mesmo que precisava avisar os membros da tripulao para no desgrudarem o olho dele durante o vo, mas seus pensamentos estavam voltados
para Sadie e em quanto tempo poderia voltar e pedir desculpas.
         SADIE NO tinha percebido existir outra entrada para o jardim at ver Drax caminhando em sua direo do lado oposto ao da ala feminina. Usava roupas tradicionais,
a luz do sol iluminando o rosto bonito e arrogante.
         O corao disparou, parou de bater, para depois retomar o ritmo normal. Apesar de Drax estar a poucos passos, olhando-a com aquele sorrisinho que normalmente
acelerava seu corao a nveis inimaginveis e a deixava mole de desejo, no o desejava. Beliscou-se, para se certificar de poder sentir algo e no ter ficado totalmente
catatnica. Como podia no sentir nada? Mas no sentia. Nem um simples pulsar de desejo ou vontade de se entregar, nem uma simples inclinao de correr a seu encontro,
nem mesmo a raiva  qual tinha todo direito, depois do jeito como ele a tratara. O que significava... O que significava que, afinal, no o amava. Estava a salvo,
no precisava mais se preocupar. E mesmo assim...
         - Se veio pedir desculpas - disse, altiva.
         - Eu realmente lhe devo um pedido de desculpas. - Inclinou levemente a cabea, a voz fria e distante, quase como se...
         - Voc no  Drax - afirmou, sem saber como podia ter tanta certeza, mas ao mesmo tempo absolutamente convencida de estar certa.
         - No - concordou. - No sou Drax. Sou o irmo dele, Vere. E voc, claro,  a srta. Sadie Murray.
         - Sim - afirmou, segura.
         - Devo congratul-la, srta. Murray. Poucas pessoas podem nos distinguir, embora nos conheam h anos. Voc, por outro lado, percebeu quase instantaneamente
que eu no era meu irmo.
         - No sei por que disse isso - admitiu. - Voc se parece com ele.
         - Na verdade, ele se parece comigo, j que sou o mais velho. Mas somos idnticos. - Sorriu. - Espero que me perdoe se eu lhe pedir desculpas depois de me
apresentar e dar as boas-vindas a nosso pas e nossa casa.
         - Sim,  claro.
         O surpreendente no era ter reconhecido que ele no era Drax, mas ter imaginado que ele poderia ser, refletiu Sadie ao v-lo partir. Eles podiam ser idnticos,
mas o temperamento e os modos eram muito diferentes. Vere era bem mais formal, reservado e fechado. To arrogante quanto Drax, sem dvida, mas mais rgido, cauteloso
e "com pinta de governante". E,  claro, nem de longe to desejvel. Mas j avisara a si mesma que no deveria am-lo.
         Como sua vida seria mais fcil se Drax fosse parecido com o irmo e ela no o desejasse, refletiu Sadie, melanclica, observando o peixe dourado nadar despreocupado
entre os nenfares do lago.
         No CAMINHO de volta ao palcio, Drax no parava de pensar em Sadie. Tinha errado recusando-se a acreditar nela, mas agira certo ao reconhecer que o motivo
real da raiva no era tanto a crena de que ela mentira, mas o fato de ter comeado a perceber os verdadeiros sentimentos em relao a ela.
         Vere, sem dvida, acharia engraado quando Drax lhe informasse ter seguido seu conselho e decidido casar com Sadie. Mas, em vez de esposa temporria, queria
que fosse permanente: sua nica esposa, a mulher de seu corao.
         Guiou o carro mais rpido que de hbito, ansioso por encontrar Sadie, e a primeira coisa que fez ao alcanar o palcio foi se dirigir  ala das mulheres.
         Sadie tinha entrado, fugindo do sol quente, para tomar um banho refrescante e um copo de ch de menta que Hakeem lhe trouxera. Ao ouvir a batida suave na
porta, acreditou ser a empregada - at a porta se abrir e Drax entrar, fechando-a.
         Dessa vez o corao sabia exatamente quem ele era. Queria atirar-se em seus braos, mas no esquecera as palavras cruis que ele lhe dissera, ento ficou
parada, tensa, olhando-o aproximar-se.
         - Vim pedir desculpas.
         S o perfume da pele era suficiente para deix-la atordoada e reativar o anseio insatisfeito latejando-lhe no corpo.
         - Falei com Jack Logan... - Sadie viu a boca apertar-se e os olhos faiscarem de raiva. - Ele  um cafajeste.
         - Mas voc estava propenso a acreditar nele, a partir do momento em que no confiou em mim - constatou.
         - Eu estava com cimes - disse Drax, em tom baixo. - No estou tentando me desculpar, Sadie, mas fiquei louco de raiva ao v-la nos braos dele e pensar...
Homens enciumados fazem coisas estpidas e pensam coisas estpidas tambm. Eu estava errado e deveria ter acreditado em voc. Pode me desculpar?
         Podia? J sabia a resposta e pelo jeito que ele a olhava sabia que Drax tambm sabia.
         - Gostaria - Drax respondeu. Depois, pegou-a no colo, quase a esmagando contra si enquanto a beijava com toda a paixo com a qual ela sonhara.
         O tempo de flertar e provocar chegara ao fim.
         Podia haver algo mais sensacional e significativo do que isso?, maravilhou-se, deitada em sua cama nos braos de Drax, enquanto ele a beijava, acariciava
e lhe sussurrava o quanto a amava e como lamentava ter duvidado dela.
         - Eu amo tanto voc - sussurrou Sadie. - Quero tanto voc! Tire as roupas, Drax, para que eu possa v-lo e toc-lo.
         - Voc tira - encorajou-a, pegando-lhe as mos e colocando-as em seu corpo. - Enquanto eu fao isso...
         Como poderia se concentrar em tecidos e botes enquanto Drax beijava-lhe o pescoo, descendo at a curva de seu seio e depois roando o mamilo escuro e
excitado a ponto de despertar um prazer to malicioso e insuportvel que a fez gritar-lhe o nome? Selvagem, Sadie arqueou-se em direo  boca de Drax, os dedos
enterrando-se nos msculos dos braos dele enquanto estremecia no turbilho das ondas de erotismo induzidas pela sensao dos lbios fechando-se em torno de seu
seio. Estava perdida, possuda, tomada pela intensidade do violento desejo. Queria apertar-lhe a cabea contra o seio; colar seu corpo nu ao de Drax, enroscar as
pernas em torno dele e pux-lo para dentro de si, possu-lo, mergulh-lo cada vez mais fundo na parte de si que mais ansiava por ele.
         Mas Drax no respondia a seus apaixonados pedidos silenciosos. Em vez disso, beijava-lhe o corpo, segurando-lhe os quadris, a lngua contornando-lhe o umbigo.
Arrepios de excitao e erotismo irradiavam de onde Drax a acariciava. Ele passou de leve os dedos no interior de suas coxas, afagando to delicadamente a pele que
imediatamente ela pediu mais, ansiando por um toque mais ntimo. Por conta prpria, as pernas amoleceram e se abriram, convidando-o a segurar-lhe o sexo enquanto
fechou os olhos para absorver a intimidade do toque.
         A pulsao do prprio desejo era pesada e to rpida e urgente que a consumia, fazendo-a mover-se contra a mo, soltando gemidos at Drax tapar-lhe a boca
com um beijo possessivo. A ponta da lngua brincava entre seus lbios, quase em unssono com o movimento do dedo, separando os lbios suaves inchados que lhe protegiam
o sexo. Primeiro um lbio depois o outro abriram-se num convite  maior intimidade. Enquanto as lnguas uniam-se e mexiam-se, num jogo de ertica seduo, o dedo
enviava-lhe a mesma mensagem, prometendo delcias na umidade de seu sexo, at atingir o centro de seu prazer.
         Ela gritou, um som abafado, quase surpreso, alcanando o rtmico topo do prazer que a possuiu, deixando-a trmula de satisfao, no abrigo dos braos dele.
         - Quero voc, Drax - sussurrou apaixonada. - Quero voc dentro de mim. Agora...
         Ele apertou-a ainda mais nos braos. Ela sentia a ereo do membro e os dedos o seguraram, acariciando-o, manipulando-o. Mas embora ainda o sentisse crescer
com seu toque, embora se movesse convidativa, ele no montou em cima dela e a possuiu. Em vez disso, beijou-a suavemente e murmurou:
         - Ainda no. Eu amo voc e quero que nossa primeira vez seja especial. Quero casar com voc, Sadie.
         - Ah, Drax.
         - Isso  um sim?
         Quando Sadie meneou afirmativamente a cabea, Drax beijou-a carinhosamente.
         - Voc nunca me disse que seu irmo era gmeo - acusou-o, quando ele a soltou, de repente lembrando-se de no ter contado sobre o encontro. - Primeiro,
quando ele entrou no jardim, pensei que fosse voc. Ele  muito parecido, mas eu sabia que no era voc... mesmo antes de falar.
         - A maioria das pessoas no consegue nos identificar, mesmo as que nos conhecem h muito tempo.
         - Talvez seja porque eu amo voc - sugeriu Sadie. - No que eu no tenha ficado chocada ao descobrir que voc no me avisara existirem dois de voc.
         - Vere faz parte de mim de um jeito, que em geral eu no penso no assunto, imagino.
         - Ento vocs so muito amigos?
         Sadie culpava-se por, no fundo, desejar que Drax no tivesse um irmo gmeo? Por qu? Seria por saber que ele tinha uma amizade to slida com algum durante
toda a vida o que, de certa forma, ameaava sua relao com ele? Mas como poderia? Estava procurando problemas onde no existiam. Afinal, Drax no acabara de confessar
seu amor e pedi-la em casamento?
         - No quero deixar voc, mas devo ir ao encontro de Vere.
         - Para lhe contar a nosso respeito? A meu respeito? - Por que perguntava isso? Sentia necessidade de testar Drax?
         - Sim, para contar sobre voc - concordou Drax. Afinal, era verdade.
        CAPITULO DEZ
         - VERE! NO sabia que voc tinha voltado at Sadie me contar t-lo encontrado. S o esperava amanh.
         Drax abraou o irmo afetuosamente. Vere ficaria surpreso quando lhe contasse que aceitara seu conselho e se casaria com Sadie. No que ele pretendesse
contar-lhe a novidade agora. Pela primeira vez na vida, Drax experimentava uma necessidade emocional de separar-se do irmo e manter em segredo a descoberta do amor
por Sadie s entre os dois, como costumam fazer os apaixonados. Sim, no fundo, queria contar no apenas a Vere, mas a todo o reino como se sentia, a felicidade por
ter encontrado a mulher com quem queria passar o resto dos dias. Mas, outra parte de si queria manter o segredo entre ele e Sadie, enquanto se acostumavam com a
sensao do mundo girando a seus ps, buscando a cumplicidade mtua do mistrio de amar e ser amado. A verdade  que uma parte dele tinha tanto cime de Sadie e
do amor compartilhado pelos dois que, nesse momento, no queria dividir a nova emoo com ningum, exceto com a prpria Sadie.
         No estaria cem por cento seguro desse amor? No. No tinha a menor sombra de dvida sobre os prprios sentimentos. E os de Sadie? Ela o amava, sabia.
         - Drax, eu j ia procur-lo. Quero conversar sobre Sadie e pedir-lhe desculpas por no t-lo ouvido quando a mencionou. Ela  encantadora. Irresistvel.
Deliciosa - enfatizou, com um brilho no olhar que revirou o estmago de Drax e o deixou furiosamente ciumento.
         Vere achara Sadie atraente? Desejava-a? Ele no imaginara que isso pudesse acontecer, que Vere viesse a desejar Sadie. Mas por que no? Por que Vere no
reconheceria como ela era maravilhosa, assim como ele o fizera?
         - Uma jovem linda - continuou Vere em tom de aprovao. - Voc estava certo em traz-la para Dhurahn, e eu, errado. Ela  sem dvida um material de primeira
classe como esposa.
         Vere sorria ansioso, mas a ltima coisa que Drax se sentia tentado a fazer era sorrir. Assassinar, provavelmente, chegaria mais perto para descrever seus
sentimentos, admitiu amargo. Mas no podia culpar o gmeo por reconhecer, agora que havia falado com Sadie, como ela era adorvel, maravilhosa e por querer reivindic-la
para si. Afinal, ele  que fora estpido o suficiente para sugerir a Vere casar com ela. E fora ele quem se recusara a aceitar o que ela lhe despertara minutos aps
t-la chantageado para entrar no carro. Ele deveria ter agido naquela ocasio, em vez de ser orgulhoso e no admitir ter ficado de quatro por ela. Deveria ter contado
a Vere. No que havia encontrado a perfeita esposa temporria para ele, mas que havia encontrado o perfeito, o nico amor permanente para si mesmo.
         - Drax?
         Percebeu a preocupao na voz do irmo, viu-a em seus olhos.
         - O que est errado?
         - Nada. Como disse, ela dar uma esposa perfeita.
         - Voc no parece muito contente por eu concordar com voc. Esperava um pouco mais de entusiasmo - disse Vere, em tom casual.
         Havia um aviso subentendido nas palavras de Vere? Uma dica, talvez, de ter adivinhado seus sentimentos? Um lembrete de que Vere, como o gmeo mais velho,
tinha direito  "primeira opo"? Drax sentia o gosto cido do cime. Sentia uma dor lancinante e uma ameaa cruel. Nunca imaginara alimentar tais sentimentos em
relao ao irmo, nem imaginara chegar o dia em que seu amor por uma mulher fosse to intenso e total a ponto de eclipsar o lao que o unia a Vere.
         Mas ele era, lembrou, um homem de princpios. No era culpa de Vere tambm ter se encantado com Sadie. Eles tinham os mesmos genes, ento por que no podiam
amar a mesma mulher? Mas s um deles poderia t-la. E ele a prometera a Vere.
         Por que no disse ao irmo ter mudado de idia? Por que no contara j ter confessado os sentimentos a Sadie e que ela lhe correspondia? Uma voz interna
o compelia a faz-lo. Ficou tentado a ouvir a voz e seguir seu conselho. Mas como poderia? Era um homem honrado, um homem de palavra, e j prometera a Vere que ele
teria Sadie. Como poderia contar ter mudado de idia e que agora a queria para si? Como poderia forar o gmeo a sofrer a desiluso que o atormentava?
         Ento, estaria preparado a sacrificar seu amor pelo irmo e a sacrificar Sadie tambm? Depois de ela ter confessado seu amor? Isso era justo com ela? No,
Sadie poderia acreditar am-lo, mas Vere era mais merecedor de seu amor, decidiu Drax, desolado. Sobre os ombros de Vere repousava a maior responsabilidade como
regente do pas. Como poderia ele, seu gmeo, que o conhecia melhor que qualquer outra pessoa, for-lo a recusar o amor e o companheirismo de uma mulher to especial
quanto Sadie? E ela aprenderia a amar Vere. Como no o faria? Ela o amaria, teria seus filhos, e um dia ele...
         A brutalidade da dor quase o fez gritar. Esses eram pensamentos de um futuro que ele no podia e no iria agentar. Sadie era sua! H menos de uma hora
ele quase a tornara sua. Se o tivesse feito, nesse momento ela poderia estar carregando uma vida que geraria o filho deles...
         Um pensamento sombrio dominou-lhe a mente, ameaando a lealdade ao gmeo. O Drax loucamente apaixonado por Sadie queria destruir tudo e todos que pudessem
interpor-se entre eles e tom-la de Vere. Mas o Drax gmeo de Vere lutava contra o lado negro desses sentimentos.            Enquanto lutava por super-los, Vere
observava-o preocupado. A reao de Drax era demasiado estranha.
         - Drax, gostaria de discutir algum problema comigo?
         Essa era a oportunidade para confiar no irmo, pedir-lhe que cedesse Sadie para ele, mas um misto de lealdade e orgulho o impediu de aproveitar a chance.
Mesmo se Vere concordasse que ele deveria ficar com Sadie, como poderia ter certeza de que Vere no se arrependeria da deciso e... e o qu? O culpasse por tirar
Sadie dele? Tentasse roub-la dele? Como poderia manter a mesma amizade pelo irmo e com ele conviver? Como poderia conservar um lao de absoluta confiana e lealdade
entre eles, como sempre acontecera? Como confiar em si mesmo em no trair isso?, pensou Drax, amargurado. Ainda assim, essa conscincia no poderia fazer com que
ele no sentisse saudade do que ele e Sadie j tinham compartilhado. Carregaria, em segredo, a lembrana daquela doura at o fim de seus dias.
         - No, nenhum problema. Por que haveria?
         Drax estava escondendo algo dele, percebeu Vere, mas seu orgulho no lhe permitiria insistir numa explicao. Eram adultos, afinal, no crianas, e cada
um tinha direito  sua privacidade.
         Como sempre, quando magoado, Vere recolhia-se numa indiferena austera, motivo de, no passado, Drax tentar persuadi-lo a abrir-se.
         Pela primeira vez, Drax estava muito envolvido com os prprios sentimentos para perceber o distanciamento emocional deliberado de Vere.
         - O ministro de Estado deseja nos lembrar que na prxima semana comemoraremos o aniversrio da criao de nosso pas como estado independente. - A voz grave
de Vere quebrou a tenso pesada do silncio. - J tomou providncias para a visita ao Osis das Duas Pombas? Imagino que voc vai comparecer.
         - Claro. - A voz de Drax soava to inflexvel quanto a de Vere.
         - E Sadie tambm vai participar, espero. Ouvir o gmeo pronunciar o nome de Sadie era como receber uma punhalada.
         - Se for seu desejo - respondeu Drax, rude.
         - Dadas as circunstncias, me parece apropriado que ela comparea - disse Vere, baixinho. Ser que Drax no percebia quanto o magoava em p-lo a distncia
desse jeito? Ou ele simplesmente no se importava? Vere nunca se sentira mais isolado e sozinho. - De fato, no acho simplesmente apropriado; considero necessrio
que ela faa parte da comitiva real - acrescentou.
         - Se voc acha.
         - Acho.
         Ambos estavam  beira de uma briga... e por uma mulher! No apenas uma mulher, disse a si mesmo Drax, mas a mulher... sua mulher. A mulher de quem ele deveria
abrir mo. Como conseguiria suportar?
          E Sadie? E os sentimentos dela? Ela havia, afinal, dado seu amor a ele. Era sexualmente inocente, ansiando por ser amada e retribuir o amor. Se ela pudesse
am-lo depois do jeito com que inicialmente se comportara em relao a ela, ento com certeza poderia e iria amar Vere. Fecharia os olhos na cama de Vere pensando
nele? As imagens torturantes que tomaram vida em sua cabea o chocaram. No poderia permitir que se enraizassem. Deveria colocar Vere em primeiro lugar. Deveria!
         SADIE OLHOU insegura para Drax. S ao amanhecer perdera a esperana de que ele viria a seu encontro e fora para a cama. Como conseqncia, embora j fosse
tarde, os olhos pesavam pela falta de sono e a fora da crescente certeza de que algo estava errado.
         Para comear, Drax ignorava todas suas desesperadas tentativas de fazer contato visual com ele. Alm disso, o nico contato que tivera com ele, desde que
ele lhe confessara seu amor, tinha sido a chegada da empregada naquela manh com um recado dele informando que ela seria formalmente apresentada a Vere e deveria
se vestir de acordo. Nada mais. Nenhuma palavra ou gesto. Nada.
         No podia se lembrar de outra ocasio em que se sentira mais insegura e abandonada, admitiu. Na verdade, estava pior do que quando seus pais se divorciaram.
No espao de poucas horas tinha ido da felicidade e amor, certa de que a vida no podia ser mais perfeita, ao estgio de sentir-se ansiosa e insegura, achando difcil
acreditar que Drax tinha realmente dito que a amava. Pior, comeava a achar bem possvel que Drax, tendo-a quase levado para a cama, arrependia-se do impulso. Se
ele a amasse, como alegara, seria natural fazer algum esforo para demonstrar o que dissera. Se ele a amasse, certamente ia se empenhar para que ela soubesse como
desejava estar em sua companhia, em vez de literalmente ignor-la.
         Estaria se comportando assim com receio de que o irmo gmeo no aprovasse o relacionamento?  Sadie ficou preocupada. No queria imaginar o homem que amava
como algum que precisava da aprovao de outrem para validar seu amor. Entretanto, tentava ser racional e aceitar que Drax e Vere eram gmeos e que, como tal, tinham
um relacionamento especial. Motivo pelo qual estava ali naquele momento, usando o conjunto bege que Drax sugerira usar no primeiro encontro com o irmo dele. Olhava
ansiosa para Drax, mas ele no lhe retribua o olhar. Deliberadamente?
         O gmeo, por outro lado, no parava de olh-la. Estudando-a em silncio, a expresso austera e fechada.
         Ser tratada assim por Drax no era apenas humilhante, mas doloroso. Quando ele a deixara, no dia anterior, ela estava no auge emocional e sexual. Ento
fora fcil acreditar que ele realmente estava sendo sincero - que a amava. Afinal, ela o amava. Tinha chegado a ponto de ficar imaginando os nomes do primeiro filho
antes de comear a sentir o calafrio da ansiedade e do medo. Depois, sentou-se no quarto, contando os minutos, ansiosa por ver Drax e ouvir que ela no imaginara
o que havia acontecido entre eles. Mas Drax no aparecera. Ento, ela acabara indo dormir, agarrando-se  lembrana dos momentos preciosos que haviam compartilhado
em vez de abraar Drax.
         Agora,  claro, era evidente o que acontecera. Drax tinha se empolgado com o desejo sexual e dito coisas das quais mais tarde se arrependera. A distncia
que, propositadamente, criava entre eles agora era a maneira de deixar claro para ela como se sentia, ou melhor, como no se sentia.
         Sadie estava sentindo dor e raiva ao mesmo tempo. Estaria ele virando as costas para ela porque tinha medo de que ela se comportasse como uma perfeita idiota
e se atirasse em seus braos, implorando-lhe para dizer que a amava, se ele simplesmente a olhasse? Bem, ela podia ter vontade de agir assim, mas tinha orgulho.
Orgulho suficiente para deixar claro para ele que no tinha motivos para temer qualquer reao por parte dela.
         Determinada, manteve-se de costas para ele ao passo que respondia s perguntas de Vere. Ele era to diferente de Drax. Estar com ele, olh-lo, ouvi-lo,
conversar com ele, no fazia com que seu corao pulsasse com a fora da adrenalina correndo-lhe pelas veias. Havia uma sensao de conforto, serenidade, no uma
tenso de revirar o estmago, nenhum desejo fervoroso e atormentado de arrancar as roupas de Vere e satisfazer seu desejo de possu-lo. Vere era apenas um homem
muito agradvel, com um sorriso gentil, parecido com o homem que ela amava. No havia qumica entre eles. Nada alm da curiosidade originada por ser irmo de Drax.
         J sabia, sem precisar se voltar, que Drax tinha se movido e estava parado perto. Podia sentir o calor invadindo-a e ela teve vontade de dar um passo atrs,
virar-se para poder toc-lo, beij-lo. A dor de no poder agir assim era tamanha que lhe contorceu as entranhas e parou sua respirao.
         Drax deu um passo aproximando-se de Sadie. Ela no o estava olhando. Estava muito ocupada sorrindo para Vere. Ele sabia que ela o tinha olhado ao ser escoltada
 Sala de Audincias, mas no se permitira retribuir o olhar, sabendo que se o fizesse no seria capaz de impedir-se de reivindic-la para si. No podia suportar
a idia de abrir mo dela, mas ao mesmo tempo no podia se permitir quebrar o voto de total lealdade ao irmo. A culpa era sua. Se no tivesse se vangloriado para
Vere de que seria capaz de lhe encontrar uma esposa, se no tivesse oferecido Sadie ao irmo... Mas ele havia feito as duas coisas e no era culpa de Vere ter reconhecido
como ela era especial. S de ouvir a suave cordialidade de sua voz ao responder s perguntas de Vere, Drax era invadido por um cime doentio que, ao aplacar-se,
o deixava fisicamente doente de autodesprezo. Ele a amava. Como suportaria um futuro sem ela, vendo-a feliz com o irmo gmeo?
        CAPTULO ONZE
         - ENTO O ACORDO ser assinado no osis? - Sadie forava-se a sorrir e aparentar leveza, enquanto esperava a resposta de Vere.
         Hakeem tinha vindo ao seu encontro, dois dias aps Drax ter dito que a amava e depois lhe virado as costas, para contar-lhe, excitada, que ela deveria se
unir  comitiva real na celebrao anual tradicional. A festividade comemorava a data original de assinatura do contrato, estabelecendo Dhurahn como parte de um
novo grupo de pases rabes independentes no Osis das Duas Pombas, s margens do deserto inabitado.
         Haviam chegado no final do dia anterior ao osis, onde encontraram um pequeno, mas muito luxuoso acampamento, constitudo de pavilhes pretos tradicionais
erigidos prximo ao osis e um pessoal sorridente  disposio para servi-los no que fosse preciso.
         Ao entrar no largo pavilho que lhe fora designado, Sadie ficou deslumbrada com o luxo e conforto, j que era provido de um banheiro privativo com chuveiro.
         Mas no tinha Drax. O osis era lindo, mas sua tristeza tornava-lhe impossvel apreci-lo. No conseguira tomar o desjejum que lhe serviram e fora at aquele
local tranqilo do osis, distante das tendas, para esconder de todos o desconforto e a tristeza e tentar decidir que atitude tomar.
         E ali estava Vere, que vinha se mostrando to charmoso e to gentil, mas que no era o homem que ela queria e amava. Enquanto Drax, a quem amava e desejava,
se comportava como se ela no existisse.
         No era de estranhar que se sentisse to mal.
         - Drax lhe contou que vamos precisar encurtar nossa estada no osis? - perguntou Vere.
         Sadie meneou negativamente a cabea, incapaz de admitir que Drax no lhe dissera uma palavra desde sua chegada na tarde anterior.
         - Fomos informados de que uma tempestade de areia est a caminho, bem mais forte do que a esperado originalmente, ento, infelizmente, no poderemos permanecer
aqui.
         - O osis  encantador - disse Sadie, com indiferena. J notara como Vere amava o deserto e seu bvio desapontamento a fez supor que deveria dar alguma
resposta simptica.
         - De fato, mas o deserto pode ser fatalmente cruel queles que o tratam com negligncia. Voc gostou da cerimnia de ontem  noite?
         - Sim.  uma tradio comovente. - Sadie tentou parecer entusiasmada.
         - Assim pensamos - respondeu Vere. - Nossa famlia sempre governou Dhurahn,  claro, mas celebramos a assinatura do acordo porque isso significou uma nova
era de paz em Dhurahn entre as antigas tribos de guerreiros. Quando o acordo foi selado, duas pombas foram libertadas como smbolo de paz e esperana para o futuro.
Drax e eu sempre celebramos a data no osis. Quando garotos, era uma ocasio pela qual ansivamos. Para os nascidos no deserto, h sempre essa sensao de voltar
para casa e de viver como nossos ancestrais viveram, em harmonia com o deserto, respeitando o poder que exerce sobre ns. - Voc parece infeliz - acrescentou, de
repente, num tom de voz baixo, pegando-a desprevenida.
         Podia sentir as emoes apertando-lhe a garganta. Inclinou a cabea, envergonhada de Vere ver-lhe as lgrimas. No obstante, para sua surpresa, Vere ergueu
seu rosto e tomou-lhe a mo, levando-a aos lbios. O beijo era gentil, mas nada significava para ela, admitiu Sadie, exausta. Como o beijo de qualquer outro homem
seria a partir de agora. Porque ele no era Drax.
         Vere olhou Sadie em silncio. Podia perceber como ela estava chateada e no queria aborrec-la ainda mais. Para sua surpresa, Vere descobrira que, quanto
mais conhecia Sadie, mais profundos seus sentimentos se tornavam. Ela poderia ser uma perfeita consorte real em sua opinio. Mas agora Drax, com seu comportamento
em relao a ela, dava a impresso de no mais compartilhar essa opinio. Era chegada a hora de conversar com ele e descobrir exatamente o que estava acontecendo,
decidiu. Ele evitara inquirir o irmo diretamente na esperana de que Drax viesse a seu encontro e falasse abertamente, mas ficara triste e magoado por ele no ter
agido assim.
         DRAX FRANZIU O cenho enquanto olhava Vere e Sadie. Tinha a sensao familiar de agonia insuportvel. Queria aproximar-se deles e empurrar o irmo; depois,
pegar Sadie para que Vere no pudesse toc-la. Sabia que Sadie no compreendia o que estava acontecendo. Podia ver em seus olhos. Mas como poderia lhe explicar que
Vere a reivindicava como esposa?
         VERE ACABARA de deix-la quando o sexto sentido fez com que Sadie virasse a cabea a tempo de ver Drax desaparecer dentro de seu pavilho... Seu corao
despedaou. No podia mais suportar essa tortura. Precisava saber a verdade: saber se Drax a amara ou simplesmente mentira descaradamente. Nesse caso, por qu? No
com o objetivo de lev-la para a cama, obviamente! Ela iria procur-lo agora, antes de perder a coragem, decidiu. E exigiria que lhe devolvesse o passaporte para
poder deixar Dhurahn. Tendo tomado a deciso, Sadie passou pelos vrios homens que trabalhavam para desmontar o acampamento e preparar a viagem de volta.
         O sol quente j comeava a sumir, o cu assumindo um matiz sinistro e sulfreo. Mas era a tempestade dentro de si que a preocupava mais que a tempestade
de areia ameaando o osis quando se dirigiu  tenda preta que sabia ser a de Drax.
         As tendas j estavam montadas quando eles chegaram e Sadie ficara surpresa ao descobrir quo luxuosas as estruturas pretas e de aparncia desleixada, montadas
na areia, eram por dentro. A dela era coberta com tapetes persas lindos e dividida em quarto e sala de estar, ambos com tecidos luxuosos, sedas valiosas e divs
baixos forrados de veludo e uma cama espaosa na qual no conseguira dormir imaginando Drax deitado na cama dele. Como ansiara por compartilhar a escurido do pavilho
de Drax com ele. Imaginava-se indo ao encontro dele, to silenciosamente como uma escrava convocada pelo seu senhor, encolhida ao p da cama, esperando permisso
para lentamente acariciar-lhe e beijar-lhe o corpo nu. Mas Drax no queria seus beijos. No a queria. Tinha deixado isso bem claro.
         Um grupo de homens trabalhava na parte externa do pavilho de Drax, o que a fez hesitar, receosa de entrar  vista de todos, conhecendo as rigorosas convenes
morais. Entretanto, como em sua prpria tenda, havia outra pequenina entrada, para a qual se encaminhou.
         DRAX TRABALHAVA no computador quando Vere entrou. Franziu o cenho, afastando a cadeira e levantando-se.
         - A tempestade piorou - comentou Vere.
         Drax o fitou com raiva. Vere no tinha ido ali para contar-lhe isso.
         - Quero conversar com voc sobre Sadie - disse Vere, baixinho. - Voc est apaixonado por ela, no est?
         Drax no poderia negar.
         - E se estiver? Isso no o afeta em nada.
         -  claro que afeta. Nunca tivemos segredo entre ns, Drax.
         Sadie havia conseguido entrar despercebida na tenda de Drax, mas, ao ouvir as vozes dos irmos, entrou em pnico e preparou-se para sair. Nesse instante,
percebeu que a sada tinha sido bloqueada pelos homens trabalhando l fora, a caminhonete estacionada pertinho. O que deveria fazer? No tinha como sair, mas certamente
no poderia ir ao encontro dos gmeos. Teria de ficar ali at Vere ou os dois sarem.
         Ouviu Vere dizendo algo, mas, como sempre, foi a voz de Drax que ela registrou com mais clareza, atenta ao som, com todo o desespero da amante que no 
amada. Era pattica, pensou com desprezo. Mas ao ouvir seu nome, Sadie se retesou e colou-se  parede de tecido que a separava dos gmeos.
         - Ento ns a dividimos,  isso? Como? Na cama? - Drax no conseguia controlar a emoo que surgia na voz. - Cada vez um? At que ela fique to tonta que
no possa mais saber a diferena entre ns dois?
         Sadie ficou gelada com o choque e depois ardeu de calor, de tanto medo. A nusea subiu do estmago at a garganta.
         Na semi-obscuridade da tenda ricamente mobiliada, Vere esperou at a amargura e raiva aplacar-se no irmo, antes de falar. Mas Sadie no podia mais esperar.
Impulsionada pelo horror revoltante, foi cambaleando at a estreita sada que usara para entrar na tenda e passou pelos trabalhadores, sem se importar com o que
podiam pensar.
         J estava longe quando Vere aproximou-se de Drax colocando-lhe as mos nos ombros, ignorando as tentativas do irmo de empurr-lo.
         - Por que est dizendo essas coisas? - perguntou. - Eu gosto de Sadie. Mas no a desejo. Quando penso nela, penso como a mulher que voc ama.
         Do lado de fora, o vento se tornara forte, fazendo Sadie cambalear ao sentir-lhe a fora. Em breve retornariam  cidade, mas ela no podia esperar tanto
tempo para escapar ou para cair no esquecimento.
         Um Land Rover parara quase  sua frente e o motorista saltou, deixando o motor ligado ao apressar-se para ajudar dois outros homens curvados devido ao excesso
de peso que carregavam. Sem se dar tempo para racionalizar o que fazia, Sadie correu para o carro, ignorando os gros de areia a ferir-lhe a pele exposta e queimar-lhe
os olhos e a boca quando entrou no veculo e fechou a porta. A sua frente havia uma trilha apenas discernvel. Ela soltou o freio de mo e colocou o p no acelerador.
         Imediatamente o potente carro feito para percorrer estradas difceis saiu em disparada na tempestade ameaadora. Sadie no se importava em estar colocando
a prpria vida em perigo. O que era um perigo fsico para ela agora, depois do que acabara de escutar? O corao parecia romper-lhe as costelas. Ela julgara que
no poderia enfrentar dor pior que saber no ser amada por Drax. Mas tinha se enganado, fora ingnua. To estupidamente ingnua... Quantas outras mulheres haviam
sido usadas por Drax e o irmo como planejavam us-la? Sabia que algumas poderiam gabar-se de encontrar prazer em viver tal experincia, mas no era uma delas. A
idia de dois homens tocando-a intimamente, usando seu corpo para o prazer deles, excitados por saber que a estavam dividindo, enchia-a de nojo e desprezo.
         VERE MANTEVE-SE firme, enfrentando o olhar de amargura de Drax enquanto esperava pela resposta do irmo. O silncio parecia no ter fim, mas finalmente
Drax exalou e disse em tom pesado:
         - Vere, voc s est dizendo isso para no me magoar, porque eu sei que tambm a ama. Voc se esquece de j ter me dito que ela daria uma esposa perfeita.
         - Sim - concordou Vere. - Mas para voc, meu irmo, no para mim. Eu esperava que minhas palavras fossem encoraj-lo a confiar em mim e confirmar o que
eu j adivinhara... que apesar do fato de insistir estar trazendo Sadie a Dhurahn para mim, voc havia se apaixonado por ela. Voc realmente me considera to cego,
to insensvel que eu no saberia imediatamente o que sentia por ela? Embora precise admitir que depois da maneira como voc a vem tratando nesses ltimos dias,
eu no culparia Sadie por duvidar de seus sentimentos por ela. Voc praticamente a ignorou e...
         - Fiz isso para o seu bem! Porque pensei que voc tambm tinha se apaixonado por ela.
         - E foi tambm para o seu bem que no perguntei o que estava acontecendo. - Havia uma ponta de reprovao bem como de compaixo na voz de Vere. - Eu deveria
ter falado abertamente com voc. Mas sabe que no lido to bem com as emoes quanto voc. Disse a mim mesmo que, se estivesse em seu lugar, ia preferir escolher
o momento certo para lhe contar sobre os meus sentimentos, em vez de ser confrontado com eles por mim. Eu sabia que algo estava errado, mas no fazia idia do que
voc estava pensando. Deveria ter imaginado.
         - Como poderia? - perguntou Drax, percebendo que seu gmeo estava se culpando pelo que acontecera. -  fato notrio que, quando um homem se apaixona perdidamente,
ele perde a razo. Imaginei que, por amar Sadie, voc tambm a amaria. Fiquei enciumado, muito enciumado, mas achei que devia manter minha palavra de trazer Sadie
para Dhurahn para voc.
         - Voc discutiu o assunto com Sadie?
         - No. Eu no conseguiria.
         - Ela est muito angustiada com seu comportamento - disse Vere, gentil.
         - Ela lhe contou?
         Agora Vere podia rir, ao ouvir e reconhecer a razo da hostilidade na voz do irmo.
         - No. Mas ficou bvio para mim que ela est infeliz.
         Enquanto conversavam, o barulho do vento aumentara a ponto de precisarem falar alto para serem ouvidos.
         - Precisamos voltar  cidade - disse Vere. - No queremos ser pegos aqui pela tempestade.
         - Eu levo Sadie comigo - disse Drax. - E a primeira coisa que vou fazer ao voltar  tomar as providncias para o meu casamento... depois de pedir desculpas
a ela.
         De repente, ambos estavam rindo e se abraando numa atitude de genuna compreenso e felicidade mtua.
         Quando se preparavam para sair, um dos trabalhadores irrompeu na tenda exclamando:
         - Alteza! A garota inglesa acaba de sair do acampamento em um dos Land Rovers.
         Drax soltou Vere e voltou-se para olhar o homem nervoso que adentrara s pressas a tenda.
         - O qu?
         No era possvel que Sadie tivesse feito algo to perigoso. Mas o olhar no rosto do trabalhador confirmou que ela fizera.
         Os dois irmos correram para a sada.
         Do lado de fora, homens lutavam contra os ventos fortes para embrulhar tudo, alguns deles quase curvados para si equilibrarem. Um pesado vu de areia transformava
a paisagem num nevoeiro amarelo.
         - Para que lado ela foi? - gritou Drax para o trabalhador acima do rugido ensurdecedor do vento.
         O homem apontou na direo do olho da tempestade. Drax e Vere trocaram olhares preocupados.
         - Vou atrs dela - afirmou Drax.
         - Voc no pode, no vai! - comeou Vere e depois parou ao ver a expresso nos olhos do irmo. - Vou com voc.
         Drax meneou a cabea, mas o olhar que lanou ao irmo demonstrava amor e gratido.
         - No, Vere - disse com a voz rouca. - Ambos sabemos que eu tenho de ir atrs dela, embora conheamos o perigo. Minha vida no vale nada sem ela.
         - Assim como a minha no vale nada sem voc - confessou Vere, com toda simplicidade.
         Lgrimas brotaram nos cantos dos olhos de Drax.
         - Voc vai embora porque voc deve partir. Porque nosso povo e nosso pas precisam de voc. Mas eu no posso ir sem Sadie. Antes de encontr-la, eu teria
jurado no haver nenhum lao, nenhum amor mais forte do que o que sinto por voc. Mas Sadie me mostrou que eu estava enganado. Preciso encontr-la.
         - E se no conseguir?
         - No vou sossegar at encontr-la. No vou voltar at ach-la. Mesmo que eu precise percorrer todo o deserto no s nessa vida, mas por toda a eternidade.
         Vere abanou lentamente a cabea.
         - Ento v, meu irmo. E que minhas bnos o acompanhem. Vamos deixar o gerador e uma das tendas, caso vocs precisem.
         Drax meneou a cabea. Voltaram a se abraar e Vere ficou parado olhando Drax curvar-se debaixo da ferocidade do vento e subir na caminhonete.
         - Excelncia, precisamos partir em breve - um dos trabalhadores implorou.
         Vere fez que sim com a cabea, mas no se moveu at  areia, formando redemoinhos, engolir o carro de Drax e no poder mais v-lo.
         Do LADO de fora das janelas, a areia batia e o vento uivava, aoitando o veculo de todas as direes. Sadie h muito no conseguia vislumbrar a trilha
que seguia, mas no se importava. No se importava com nada. Apenas queria esquecer.
         Um soluo escapou-lhe da garganta, as emoes a sacudir-lhe o corpo de forma semelhante  tempestade sacudindo o veculo. Tanto ela quanto o carro estavam
possudos por uma fora to poderosa que no poderiam escapar dela. A tempestade ameaava derrubar o carro pesado e sem piedade destru-lo, mas no era isso que
causava os soluos brotando de sua garganta. Drax! Como ele podia ter planejado submet-la a tamanha degradao? No conseguia pensar no destino que ele desejara
infligir-lhe e no podia suportar a idia de saber que o amava. Queria destruir as lembranas do corao e da mente.
         O motor do veculo comeou a falhar ao tentar uma subida invisvel e ngreme - to ngreme que devia ser perpendicular, percebeu Sadie, quando as rodas
giraram e o veculo balanou. Sem aviso, comeou de repente a descer em alta velocidade.
         Sadie tentou frear, sem xito. O carro fugira ao seu controle. Gritou, segundos antes de o carro se inclinar numa parada abrupta. Bateu com a cabea na
janela e, em meio  dor, gritou o nome de Drax. E a dor de ter conscincia disso era bem maior que o ferimento em sua cabea. A testa estava mida e viscosa e, ao
passar a mo, constatou estar sangrando. A essa altura, mal conseguia enxergar por causa da areia. Sabia que deveria sentir medo, mas estranhamente no sentia. Para
qu? No momento, morrer era melhor que viver sabendo da crueldade de Drax.
         SADIE NO podia ter ido muito longe, tentava se convencer Drax. Ela seguira uma trilha bastante usada, de acordo com o motorista do carro que pegara. Mas
ela tambm dirigira rumo  tempestade a se aproximar, motivo pelo qual recusara a oferta de Vere de acompanh-lo.
         No tinha dvida de que encontraria Sadie. Agora, se sobreviveriam  fria da tempestade, era outra histria. Como todos os veculos modernos em uso em
Dhurahn para as viagens no deserto, ambos eram dotados de um sistema especial de rastreamento que garantia ao motorista no se perder no deserto. Seu celular podia
no funcionar devido  ferocidade da tempestade, mas o rastreamento funcionaria. O que era perfeito, pensou, consciente de como uma tempestade de areia podia facilmente
mudar a paisagem, apagando as marcas existentes e criando novas. Era-lhe impossvel enxergar muito bem pelo vidro dianteiro, mas, diferente de Sadie, sabia exatamente
o que fazer I quando de repente comeou a subir uma ngreme montanha de areia.
         Embora soubesse aproximadamente onde estava o outro veculo, Drax ainda levou preciosos minutos para localiz-lo, quase afundado na areia. Quando escancarou
a porta e viu Sadie tombada no volante, sentiu como se seu corao estivesse sendo arrancado do peito. Mas, no momento em que a tocou ela saltou, abrindo os olhos
e fitando-o com terror.
         - No! Voc no... No... - Chorava semi-histrica, tentando empurr-lo e impedi-lo de tir-la do carro, mas Drax perseverou, retirando-a quando ela desmaiou.
Curvado com o peso do corpo dela, lutou para conseguir chegar ao carro. A areia j se acumulava, levada pelo vento incessante. Drax sabia no haver chance de voltarem
para Dhurahn antes da chegada da tempestade, mas se permanecessem ali ela os venceria. O osis era a melhor chance de sobreviverem. Se conseguissem chegar l. De
alguma forma, conseguiu pr Sadie no banco do passageiro. Deixara o motor ligado e, ao colocar o veculo em movimento, Sadie comeou a despertar. Estava com Drax.
Estremeceu. Por que ele tinha vindo atrs dela? Por que no a deixava em paz? Seria to pervertido que preferia arriscar a vida a abrir mo de seu prazer doentio?
Lgrimas encheram-lhe os olhos e escorreram por seu rosto.
         Drax estendeu a mo para toc-la e ela imediatamente se encolheu, afastando-se, os olhos glidos de sofrimento.
         - O que est fazendo aqui? Por que veio atrs de mim?
         - Porque no tinha escolha. Eu amo voc, Sadie. Voc  minha vida e...
         - No. - Como ousava mentir desse jeito quando ela sabia a verdade? Como ousava olhar para ela com um olhar sofrido que lhe dizia ser ela mais preciosa
para ele do que a prpria vida?
         Comeou a rir, quase histrica.
         - Sim - insistiu ele.
         Mas Sadie meneou negativamente a cabea.
         - Voc est mentindo. Voc no me ama. Eu ouvi voc, Drax. Ouvi tudo o que disse sobre mim para Vere. Sobre vocs dois me dividirem... - Ela se forou a
dizer as palavras horrveis e suportar o gosto de veneno. - No vou deixar que faa isso comigo, Drax. Prefiro morrer - disse, agitada. - No vou deixar que abuse
de mim desse jeito.
         - Foi por esse motivo que deixou o acampamento?
         - Voc no acha que eu ia ficar depois de ouvir uma coisa dessas, acha?
         Sadie arfou quando o vento uivou e rugiu, esmurrando a caminhonete e fazendo com que ela sacudisse de um lado a outro.
         - Sadie, no  o que est pensando.
         - Como pode no ser? Eu ouvi.
         - Eu sei que ouviu, mas... - Drax blasfemou por entre os dentes, lutando por manter o controle do veculo. - Eu amo voc, Sadie.
         - No diga isso! Voc est mentindo.
         - No, no estou. O que voc me ouviu dizer a Vere foi...
         A explicao teria que esperar at voltarem ao osis, percebeu Drax, quando o vento parou abruptamente e de repente reinou um silncio absoluto.
         - O qu? - comeou Sadie, surpresa ao perceber que a calma anormal era um perigoso indcio.
          - O olho da tempestade - disse Drax, de modo amedrontante. - Se tivermos sorte, muita sorte mesmo, chegaremos ao osis antes que o inferno se instale.
Ali est ele, l na frente, est vendo?
         Sadie podia ver. O acampamento tinha um ar vazio, abandonado, vrias das palmeiras tinham sido arrancadas, uma delas desabada no osis. Drax parou o veculo
ao longo de uma das tendas remanescentes - a tenda dele, Sadie sabia.
         - Onde esto os outros? Onde est Vere? - perguntou Sadie, gaguejando ao pronunciar o nome do gmeo ao lembrar-se do que o ouvira dizer.
         - A essa altura, devem estar de volta a Dhurahn. Voc dirigiu direto para a rota da tempestade. Rpido - ordenou, soltando o cinto de segurana e virando-se
para soltar o dela.
         Sadie sacudiu a cabea. Queria recusar-se a sair do Land Rover, mas o silncio misterioso conseguia assust-la mais do que a idia de estar com ele. Pelo
menos s ele estava ali.
         No o deixaria toc-la, mesmo que fosse forada a lutar com esforo para vencer a areia e cruzar os poucos passos que separavam o veculo da entrada da
tenda.
         - Temos sorte de o gerador ainda estar funcionando - disse Drax quando ambos entraram. - Pelo menos por enquanto.
         - Talvez a tempestade termine e no precisemos ficar aqui. Talvez devssemos tentar voltar  cidade - Sadie sugeriu. - E quando chegarmos l, quero meu
passaporte de volta, Drax. No vou ficar e ser... violentada. - Levantou o queixo e disse, orgulhosa:
         - Se voc e Vere esto dispostos a algum tipo de jogo pervertido, vo precisar encontrar outra para brincar com vocs. - O rosto era uma mscara de vergonha
e desprezo.
         - Sadie - suspirou Drax, mas parou de falar abruptamente quando de repente, do nada, o silncio foi quebrado por um som sobrenatural quando o vento voltou
a rugir e uivar em fria, rasgando o tecido do pavilho como se fosse uma fora viva do alm.
         Era impossvel conversar em meio a tal fria, mas Sadie podia ver pela expresso de Drax o perigo que corriam.
         - Ns vamos morrer, no vamos? - sussurrou.
         Drax deve ter lido seus lbios, porque meneou a cabea negativamente e moveu os lbios dizendo:
         - Se morrermos, estaremos juntos. E eu prefiro morrer com voc, Sadie, do que viver sem voc.
         O que ele estava dizendo? No podia ser verdade. Surpresa, viu que ele caminhava em sua direo. Tentou escapar, mas era tarde demais. Os braos a prenderam
num abrao e a boca tomou a sua num beijo voraz e possessivo.
         Ela no devia deixar isso acontecer. Mas, por algum motivo, no conseguiu impedir-se de levantar os braos para apert-lo contra si. Talvez fosse o conhecimento
de que podiam no sobreviver que acendesse as brasas de sua excitao de forma to acalorada, fazendo-a retribuir o beijo com igual paixo, apressando-a a entregar-se
ao que se lhe oferecia antes que a escurido os tragasse.
         L fora, o vento batia com fora, mas tudo o que Sadie podia ouvir era a batida frentica de seu corao e a voz interna que dizia nada mais importar exceto
o desejo a consumi-la. O corpo inclinou-se e implorou pelo toque de Drax - e no apenas o toque, mas a possesso. Podia sentir a carne pegando fogo, buscando a completa
unio com a dele, desejando a mais completa intimidade, pux-lo para dentro de si e ali mant-lo, torn-lo parte de si de forma a que no houvesse nenhum empecilho
entre eles e se transformassem num nico e perfeito ser. Isso era tudo o que importava, era tudo o que queria comunicar a Drax.
          Pressionou o corpo contra o dele, na esperana de que ele correspondesse a seu anseio e satisfizesse sua impaciente fome. Queria que ele destrusse as
barreiras entre eles, respondesse  tempestade dentro dela e estraalhasse tudo o que os separava para que pudessem estar verdadeiramente juntos, carne na carne,
corao no corao, at que ela o tivesse entranhado dentro de si.
         Em algum lugar, uma pequena parte de seu ser registrou que ela estava sendo tomada por uma espcie de loucura, mas seu desejo a descartou. O que era a loucura
a no ser uma deliciosa e intensa realidade? E nada podia ser mais real do que isso. Ela podia sentir as mos de Drax movendo-se afoitas por seu corpo. Gemeu de
prazer, passando as mos nas costas dele; depois na curva das ndegas e, finalmente, entre os corpos para poder toc-lo intimamente. Sentiu-o vibrar quando os dedos
se fecharam em torno dele e ela tambm vibrou, perdida na tempestade do desejo carnal por Drax.
         - Leve-me para a cama, Drax - implorou, impetuosa. - Aqui e agora, quando s existimos ns dois. Eu o quero tanto...
         - No. - A recusa foi baixa e crua, o som aflito e atormentado de um homem recusando o que mais desejava. - No, Sadie - repetiu, soltando-a. - No at
eu ter conversado com voc. Explicado tudo.
         - Pode ser que a gente no viva tanto - disse Sadie. - E se no vivermos, quero que meus ltimos momentos com voc sejam em seus braos. Drax. No...
         Drax sacudiu-a levemente.
         - No deve dizer isso. Vamos viver. Agora, deixe-me explicar...
         - Aqui no. - Sadie estava sendo arrastada por um instinto que no compreendia, mas contra o qual no podia mais lutar. - Conte-me na cama, Drax, enquanto
me abraa. - O que significava que parte dela no queria ver-lhe o rosto, porque no queria constatar que ele mentia.
         - Muito bem - concordou Drax. - Na cama, em meus braos, voc ouvir a verdade e saber o que se passa em meu corao, Sadie.
        CAPTULO DOZE
         DESPIRAM-SE rpida e quase impetuosamente, conscientes no apenas do intenso desejo um pelo outro e dos assuntos a serem resolvidos entre eles, mas tambm
da ameaa da tempestade e seu poder de destru-los. Finos gros de areia deslizavam pela pele de Sadie quando ela olhou o corpo nu de Drax, incapaz de parar de admir-lo.
Podia sentir um leve tremor nas mos dele quando ele a tocou, apertando-a com tanta fora entre os braos que sentia o rpido bater do corao como se fosse o seu.
Desejava-o to fervorosamente... E, a julgar pelo estado de ereo, o desejo dele equivalia-se ao seu. Ele pensaria no irmo mais tarde, quando a possusse? Imaginaria
que Vere estava junto com eles? Ser que ele...
         Ele tocou-lhe o rosto carinhosamente e beijou-a na testa.
         - No fique assim, Sadie. O que voc ouviu no  o que imaginou, embora eu possa compreender como deve ter soado repulsivo.
         - Voc no pode fazer as palavras pronunciadas desaparecerem num passe de mgica, Drax.
         - No, no posso. Mas posso explicar-lhe o significado. A verdade  que quando pronunciei aquelas palavras estava possudo por cime e amargura incontrolveis,
Sadie. Durante todas nossas vidas, Vere e eu colocamos a lealdade e nosso relacionamento em primeiro lugar. Quando me apaixonei por voc, descobri pela primeira
vez o que significava odiar meu irmo, sentir um cime avassalador dele.
         - Por que deveria se sentir assim? Voc sabia como eu me sentia em relao a voc.
         - Sei, mas a situao  mais complicada. Voc entende, eu havia prometido voc para Vere. - Drax a sentiu retesar-se e tentar afastar-se. Mas ele antecipara
a reao e a segurou com fora, mantendo-a perto dele.
         - Voc quer dizer que agiu como um intermedirio para seu irmo? - desafiou-o, irritada.
         - No. Deixe-me explicar.
         Baixinho e com toda sinceridade, Drax comeou a contar sobre os problemas potenciais que poderiam advir do desejo dos monarcas dos pases vizinhos de unir
as famlias pelos laos do matrimnio.
         Sadie contraiu-se ao ouvir Drax repetir o comentrio debochado sobre mulheres virgens se apaixonarem por sheiks, mas Drax riu, meigo, e disse:
         - O que eu no podia supor  que seria o sheik a se apaixonar e que ele ficaria to assombrado com a experincia que tentaria fingir nada estar acontecendo.
Entretanto, Vere adivinhou a verdade. Meu irmo no  como eu.  mais reservado. Acha mais difcil falar do que sente, mesmo comigo, e guarda suas emoes. Ento,
ele esperou que eu o procurasse e lhe contasse sobre meus sentimentos. Tentou me encorajar comentando que voc daria uma esposa perfeita e eu, louco de cimes, imaginei
que era uma maneira de ele confessar tambm ter se apaixonado por voc e desej-la como esposa. Como ele poderia no am-la, sendo voc to adorvel? Como eu pude
ser to estpido de no perceber isso por mim mesmo no momento em que coloquei os olhos em voc? Porque ele  meu irmo gmeo e porque a promessa feita de lhe encontrar
uma esposa temporria me fizeram sentir na obrigao de sair de sua vida. No percebi que, quando ele disse que voc era perfeita para esposa, estava se referindo
no a si mesmo, mas a mim. Foi a exploso de cimes que voc ouviu que o fez compreender como eu o havia interpretado mal. O que voc me ouviu dizer no era, minha
querida, uma descrio do que eu queria, mas a exploso de raiva de um homem enciumado. Odiei a idia de Vere olh-la, quanto mais toc-la.
         - Mas voc estava disposto a abrir mo de mim para Vere, mesmo sabendo que eu o amava?
         - Eu argumentava comigo mesmo que uma vez ser Vere o melhor de ns dois, voc o amaria tambm. Voc precisa entender, Sadie, que devido a nossas obrigaes
para com o nosso pas, Vere e eu sempre colocamos a lealdade entre ns acima de qualquer coisa. Mas agora, tanto ele quanto eu sabemos que nosso relacionamento nunca
voltar a ser o mesmo, porque meu amor por voc significa que voc ser a pessoa mais importante da minha vida.
         Sadie podia constatar a sinceridade e a verdade em sua voz.
         - Eu no suportaria o que interpretei de suas palavras. Queria falar com voc. Dizer que ia voltar para a Inglaterra. - Estremeceu. - Eu no deveria ter
apanhado o veculo daquele jeito, mas precisava fugir.
         - E eu precisava encontrar voc.
         - Ah, Drax, ns podemos morrer aqui e vai ser minha culpa.
         Ele meneou a cabea e sorriu.
         - No vamos morrer. Oua. Sadie o olhou e franziu a testa.
         - No ouo nada.
         - Exatamente - disse Drax. - Enquanto eu e voc estvamos lutando contra nossa tempestade pessoal, a tempestade do lado de fora da tenda se dissipou.
         - Vamos poder sair daqui e voltar para Dhurahn? - Ele perceberia sua decepo e adivinharia quo relutante ela abriria mo da chance desse precioso momento
a ss com ele?
         - Poderamos - concordou. - Mas no hoje.
         - No hoje? - repetiu.
         - No hoje - repetiu Drax, firme. - Porque hoje quero voc s para mim, para poder provar o quanto a amo.
         - Me parece uma boa idia. E tambm gostaria que nosso filho fosse concebido aqui, Drax. Aqui, hoje, aps a tempestade que poderia ter nos destrudo.
         Sadie podia ver, pelo olhar ardente, o quanto as palavras mexiam com ele. Ela inclinou-se, estendendo a mo para coloc-lo entre seus dedos, tremendo de
antecipao e desejo quando os dedos circundaram sua ereo. A carne dele era quente, tentadora, um convite  carcia.
         - Voc sabe o que vai acontecer se continuar fazendo isso, no sabe?
         - Mostre - disse Sadie, perdendo a respirao quando ele tirou a mo de seu corpo.
         Ele a beijou apaixonadamente, enquanto as mos mapeavam seu corpo. Quando as mos cobriram-lhe os seios, os bicos endureceram, vidos, buscando o toque
da carne. Os lbios tocavam-lhe o pescoo, sentindo a vibrao de seus gemidos deliciados, e os dedos brincavam com seus mamilos. Sadie levantou as mos, pousando-as
em seus ombros, e puxou-lhe a cabea para o corpo, desejando a estimulao ertica da boca em seu seio. Mas quando ele obedeceu ao silencioso comando, o prazer foi
bem mais agudo que ela imaginara. Drax ps a mo entre suas pernas enquanto levava seu bico  boca, o roar habilidoso do dedo estimulando as dobras dos lbios de
seu sexo combinado ao ritmo da boca em seu mamilo.
         Sadie achou que ia morrer do prazer que crescia to intensamente dentro de si... Ou explodir, a tenso crescendo incontrolavelmente. Abriu as pernas e moveu-se,
pressionando o sexo contra a mo dele, louca para que ele introduzisse mais fundo e mais intimamente os dedos em sua carne excitada. Ele tinha encontrado a fonte
de seu prazer feminino e a acariciava, levando-a ao auge da sensibilidade de forma que cada arfar, cada gemido pareciam conduzi-la  beira do orgasmo pelo qual tanto
ansiava. Mas a cada vez que ela quase o atingia, ele se afastava, at que ela o puxou num gesto desesperado, dizendo-lhe com impetuosidade:
         - Agora, Drax. Agora, por favor.
         A sensao de sentir o peso dele contra o seu, afastar as pernas e enrosc-las nele, bem apertadas, agarrando-se a Drax, era o paraso. Ele a possuiu com
cuidado, mas o excessivo cuidado a frustrou.
         - Mais fundo, Drax, mais fundo - implorou, os olhos escurecidos de prazer feroz quando ele obedeceu e ela sentiu o corpo acomod-lo dentro dela. Experimentou
contrair os msculos em volta dele e ouviu-o gemer de prazer.
         - Como voc pode ter aprendido a fazer isso? - perguntou-lhe entre beijos.
         - Como no posso? - sussurrou Sadie em resposta, os lbios colados aos seus. - Quando  o que eu quero fazer... Quando quero sentir voc e agarr-lo...
Quando quero...
         - Isso? - sugeriu, investindo com violncia, em ritmo rpido e mais profundo, enquanto ela se agarrava a ele e se entregava ao prazer de ser possuda. O
ritmo que ele imprimia aos movimentos a levava rumo ao xtase que agora parecia to perto de seu alcance.
         - Drax... - disse em tom de splica.
         Drax investiu com mais fora, preenchendo-a por completo, fazendo-a mover-se em frenesi contra ele, e ela retesou-se quando o prazer explodiu dentro de
si, onda aps onda, numa pulsao lancinante enquanto o corpo colou-se ao dele, acariciando-o, e sentiu a quentura do lquido de Drax escorrer dentro dela.
         - Drax - murmurou, estendendo a mo para tocar-lhe o rosto.
         Ele a capturou, pressionando os lbios na palma de sua mo e dizendo, esgotado:
         - Agora voc  minha. Minha para sempre. Voc  o meu amor e em breve, espero, a minha esposa. Voc vai casar comigo, no vai, Sadie?
         Ela estava dominada pela prpria emoo e apenas meneou a cabea e se entregou ao abrao apertado enquanto o corpo ainda estremecia com pequenos arrepios
de prazer.
         - No deveria avisar a Vere que a tempestade terminou e voc est a salvo? - perguntou Sadie, com a cabea girando. - Ele deve estar preocupado.
         - O celular est fora de rea aqui, mas no se preocupe. Vere saber que estamos a salvo.
         - Porque ele  seu gmeo e vai sentir?
         - Isso mesmo.
         - Mas isso no significa que ele vai saber que voc me encontrou.
         Ela podia perceber o tom amoroso quando ele lhe disse baixinho:
         - Sim, significa. Porque eu lhe disse ao partir que no pretendia voltar do deserto sem voc.
         CASARAM-SE TRS semanas depois. Primeiro numa cerimnia civil e depois  maneira tradicional do povo de Dhurahn, unidos pelos punhos numa echarpe de seda
enquanto Drax segurava a mo de Sadie firme entre as suas, os dedos entrelaados.
         Vere oficiou a cerimnia, como lder de seu povo, e tambm deu as boas-vindas a Sadie com um discurso gentil e acolhedor, uma reiterao pblica da acolhida
particular que j manifestara dizendo o quanto se sentia feliz por receb-la como esposa de Drax.
         Foi um dia longo, com banquetes, danas e msicas tradicionais, mas finalmente ficaram a ss.
         - Eu amo voc - murmurou Drax quando a tomou nos braos na privacidade de seus aposentos.
         Abaixo da larga janela a luz da lua brilhava na piscina na qual ela o vira emergir nu e o desejara to ardentemente. Continuava a desej-lo ardentemente.
Mas agora tinha liberdade de diz-lo... e mostrar-lhe. Levantou o rosto, os sentimentos iluminando-lhe a expresso.
         - Quando voc olha para mim desse jeito, sei que sou o homem mais sortudo da Terra - disse Drax, afetuoso. - Se eu tivesse a sorte de ainda poder ter um
desejo satisfeito, pediria que Vere encontrasse algum para amar e ser amado como eu amo e sou amado por voc, Sadie.
         E depois s reinou o silncio, pontuado pelo som abafado dos longos gemidos de prazer de Sadie enquanto celebravam o compromisso entre eles.
